REDAÇÃO EM LÍNGUA PORTUGUESA
INSTRUÇÕES
1. O texto deverá ter, no máximo, 25 (vinte e cinco) linhas, e no mínimo, 20 (vinte) linhas. Textos que não atingirem 20 linhas serão eliminados.
2. As alternativas propostas apresentam coletâneas que mantêm uma linha temática. Consulte as coletâneas e utilize-as segundo as instruções específicas dadas para a alternativa. Não as copie.
3. Ao elaborar sua redação, você poderá utilizar-se também de outras informações que julgar relevantes para o desenvolvimento da temática escolhida, desde que estejam, essencialmente, relacionadas.
4. Na redação final, você deverá ater-se ao seguinte:
a) indique a alternativa escolhida;
b) dê um título à sua redação conforme a alternativa que você escolheu;
c) use caneta de tinta azul ou preta.
5. Qualquer redação, por mais bem feita que seja, terá nota zero se fugir das temáticas propostas; se for cópia dos trechos apresentados nas coletâneas; se for ilegível ou apresentar desconhecimento da norma padrão e manejo da modalidade escrita, acarretando total comprometimento do texto produzido. A redação também será penalizada se não corresponder ao tipo de texto escolhido.
ORIENTAÇÃO GERAL
Seguem-se duas propostas/temas para, dentre elas, escolher uma para a sua redação. Preste atenção ao assunto que é solicitado. A valorização do seu texto dependerá de sua relação direta com o tema, com a montagem do texto, com a coerência, com a coesão e, principalmente, com os argumentos que você utilizar para convencer o seu leitor de que o seu ponto de vista é o melhor. Observe atentamente as orientações que acompanham cada alternativa.
Leia atentamente os tópicos abaixo a fim de verificar qual deles se enquadra melhor aos seus conhecimentos, pois sua redação não deverá fugir e nem transgredir o tema proposto. Feito isso, escolha o tópico que deverá ser desenvolvido de forma clara e objetiva.
ALTERNATIVA A
T E X T O I
TRATADO DE MAUS-TRATOS
- Ah. Finalmente veio me pagar...
- O trato é o seguinte: dezenove não é vinte...
- E daí...
- O que eu quero dizer é que se tenho dezenove, eu não tenho vinte...
- Você é realmente doido...
- Doido ou louco?
- Doido. Louco, pinel, pirado. Qual é a diferença?
- Todas!
- Ó, meu Deus, por que me fizeste amigo deste louco?
- Ih! Você me irrita...
- Você precisa de tratamento... Vamos fazer um trato.
- Diz aí...
- Eu não te maltrato, e você faz um tratamento comigo. Não me atrapalha o serviço e eu continuo seu amigo, certo?
- Só tem um problema.
- Qual?
- O tratamento é de choque, e eu não sei se posso cumprir.
- Você está me deixando louco...
- Mas é isso que eu estou tentando te dizer. O tratamento de que trata esse tratado é recheado de maus-tratos. E eu não trato com quem maltrata.
- Desisto!
- Então eu ganhei...
- Ganhou o quê? Nada apostamos...
- Claro que sim. Hoje, antes de vir para cá, eu disse à minha imagem que você não me entenderia. Então apostei comigo que conseguiria provar que eu estava certo...
- Amigo, seu tempo acabou!
- Amigo? Quem acha que alguém é louco não o trata como amigo...
- Está bem, você ganhou a aposta. Adeus!
- Ah, deus... Deus eu considero amigo. E até fiz um trato com Ele: Não O deixo tratar-me mal e eu O trato bem. Simples, não?
- Belo tratado!
- Bem, eu já vou indo dar tratos à bola...
- E o meu dinheiro?
- Eu não sou louco? Faz de conta que eu rasguei o dinheiro...
- Tratante!
T E X T O II
“Nossa cultura perdeu muito de seus valores tradicionais. O dinheiro é a única coisa que sobrou para estimular os desejos e as aspirações da maioria das pessoas. O dinheiro tomou o lugar ou entrou profundamente no mundo da religião, do patriotismo, da arte, do amor e da ciência... Os ricos e os pobres lutam por dinheiro por razões muito diferentes. Mas quem é pobre entende algo sobre o dinheiro que os ricos não entendem. E o contrário também é verdadeiro. Os pobres sentem o poder do dinheiro na própria pele. Uma pessoa rica frequentemente sente isso nas suas emoções, não no seu corpo. Quem é rico sabe que com dinheiro, muitas vezes, você pode manipular, blefar, e fazer o que você quiser. Mas até um certo ponto. Sabe interiormente que há algo essencial na condição humana que o dinheiro não compra.”
(Jacob Needleman)
Desenvolva uma dissertação, defendendo ou refutando as ideias postas pelos textos. Na análise da redação será aceito qualquer posicionamento ideológico. Fundamente bem as suas ideias para não fugir ao tema: “De que vale ter tudo na vida...”
ALTERNATIVA B
T E X T O I
O MEDO SOCIAL
No Rio de janeiro, uma senhora dirigia seu automóvel com o filho ao lado. De repente foi assaltada por um adolescente, que a roubou, ameaçando cortar a garganta do garoto. Dias depois, a mesma senhora reconhece o assaltante na rua. Acelera o carro, atropela-o e mata-o, com a aprovação dos que presenciaram a cena. Verídica ou não, a história é exemplar. Ilustra o que é a cultura da violência, a sua nova feição no Brasil.
Ela segue regras próprias. Ao expor as pessoas a constantes ataques à sua integridade física e moral, a violência começa a gerar expectativas, a fornecer padrões de respostas, episódios truculentos e situações limite passam a ser imaginados e repetidos com o fim de caucionar a ideia de que só a força resolve conflitos. A violência torna-se um item obrigatório na visão do mundo que nos é transmitida. Cria a convicção tácita de que o crime e a brutalidade são inevitáveis. O problema, então, é entender como chegamos a esse ponto. Como e por que estamos nos familiarizando com a violência, tornando-a nosso cotidiano.
Em primeiro lugar, é preciso que a violência se torne corriqueira para que a lei deixe de ser concebida como o instrumento de escolha na aplicação da justiça. Sua proliferação indiscriminada mostra que as leis perderam o valor normativo e os meios legais de coerção, a força que deveriam ter. Nesse vácuo, indivíduos e grupos passam a arbitrar o que é justo ou injusto, segundo decisões privadas, dissociadas de princípios éticos válidos para todos. O crime é, assim, relativizado em seu valor de infração. Os criminosos agem com consciências felizes. Não se julgam fora da lei ou da moral, pois conduzem-se de acordo com o que estipulam ser o preceito correto. A imoralidade da cultura da violência consiste justamente na disseminação de sistemas morais particularizados e irredutíveis a ideias comuns, condição prévia para que qualquer atitude criminosa possa ser justificada e legítima.
Jurandir Freire Costa
T E X T O II
M E D O
O medo é uma sensação real, e pode ser um amigo ou um inimigo do homem. É normal que, diante dos perigos reais da existência, a primeira reação seja o medo, pois em seu aspecto normal, saudável, ele nos preserva dos perigos, nos alerta para as ameaças e, diante deste sentimento, pode-se agir ou fugir. Dependendo do contexto, tanto um quanto o outro pode ser positivo, tudo depende dos limites de cada ser.
Todos enfrentam medos os mais diversos em determinados momentos da vida – da morte, de doenças, da violência, de um acidente, da velhice, entre outros. Ele surge, às vezes do nada, outras vezes de uma forma crescente, na mente das pessoas, e pode tanto estimular ações construtivas quanto se tornar uma sombra ameaçadora, quando assume o aspecto do pânico, tomando conta da consciência e impedindo qualquer ação ou reação, paralisando as pessoas. Nestes casos, é necessário procurar um tratamento, para que se possa vencer este monstro devorador, antes de ser completamente dominado por ele, principalmente na esfera dos pensamentos, pois em seu grau extremo ele impede o funcionamento da Razão.
Geralmente os medos provêm de fatores conhecidos, assim a maior parte das pessoas sabe o que teme. Algumas vezes, porém, eles são aparentemente irreais, ou seja, não se sabe de onde vêm e por que nasce esta sensação – é como uma premonição, quando se sabe que algo está ali ou vai acontecer, mas não se consegue definir. Ao se ter consciência do que nos assusta, esse medo desaparece, pois normalmente temos receio do desconhecido. Assim, quando a criança acredita realmente que há um monstro sob sua cama, ela sente o medo crescer dentro de si. Mas, quando se prova para ela que não há nada lá, ela se liberta desta emoção.
Para vencer os medos excessivos, é preciso recorrer aos mecanismos do nosso inconsciente, acreditar no seu poder e se esforçar para transmutar os padrões condicionados que ali residem, para assim realizarmos nossos mais profundos anseios, entre eles, nos livrarmos do medo destrutivo, ao descobrirmos suas fontes. Este medo que foge à razão deve ser defrontado, pois ele provém da ligação que nossa mente realiza com as experiências frustrantes, quando fica claro que o inconsciente não consegue discernir ilusão de realidade, portanto não distingue o que aconteceu no passado do que ocorrerá no futuro e do que se passa no presente. Assim, se a pessoa continuar mentalizando que as vivências negativas se repetirão, elas realmente sucederão novamente.
Em nossa sociedade, submetida a uma violência crescente, a traumas sucessivos, a condições de vida estressantes, não é difícil a pessoa mergulhar em transtornos relacionados ao medo, como a síndrome do pânico, mas também é possível reagir e buscar uma melhor qualidade de vida, transformando, assim, este sentimento em algo que estimule uma ação construtiva, no sentido de converter o medo em algo normal e saudável, protetor e preservativo, despido deste aspecto patológico de que ele se reveste atualmente.
Fontes: http://www.casadobruxo.com.br/ http://vilamulher.com.br/bem-estar/motivacao/de-onde-vem-seu-medo-11-1-71-40.html http://www.nova-acropole.org.br/
Desenvolva uma dissertação, defendendo ou refutando as ideias postas pelos textos. Na análise da redação será aceito qualquer posicionamento ideológico. Fundamente bem as suas ideias para não fugir ao tema: o medo é o sentimento que assola a vida do ser humano no século XXI.