(SOMATÓRIA)

A fibrose cística é uma doença autossômica recessiva causada por um defeito numa proteína de canal que normalmente transporta íons de cloro, apresentando uma ampla expressão fenotípica, conforme se vê no esquema abaixo. A confirmação do diagnóstico por meio de exames moleculares é dificultada devido à existência de mais de mil mutações no gene CFTR (localizado no cromossomo 7, com 27 éxons responsáveis pela expressão da proteína funcional e com 1.480 aminoácidos). Normalmente, os testes de mutação partem da investigação de mutações comuns (ou seja, mais frequentes), dispondo-se de vários kits comerciais. Por não existir uma cobertura total das mutações nesses kits, os testes comerciais podem obter resultados falsos-negativos.

Estudo de caso:
Um diagnóstico clínico de fibrose cística foi sugerido para Ana Vitória, filha de pais sem essa doença e sem histórico familiar. O DNA de Ana Vitória foi investigado inicialmente por meio de um kit comercial. O resultado mostrou que a menina tinha uma deleção no éxon 10 do cromossomo de origem paterna [p.F508del: significa deleção do aminoácido fenilalanina (F) na posição 508 da proteína (p)]. Esse teste revelou que Ana Vitória era heterozigota. Porém, após uma análise adicional foi detectada outra mutação, localizada no éxon 3 do cromossomo de origem materna [c.368G>A: significa que, no nucleotídeo 368, um nucleotídeo G é trocado por um A, no DNA complementar (c)], confirmando o seu genótipo recessivo (dois alelos mutantes).
READ, A.; DONNAI, D. Genética clínica: uma nova abordagem. Porto Alegre: Artmed, 2008. p. 2, 3, 8, 65, 126 e 129. [Adaptado].
Sobre a herança genética e o estudo de caso, é correto afirmar que:
01. os efeitos da fibrose cística são pleiotrópicos.
02. possivelmente outros membros da família paterna, além do pai de Ana Vitória, têm o genótipo heterozigoto, pois o alelo recessivo é resultante de uma mutação comum.
04. a probabilidade de ter um descendente com fibrose cística é maior em cruzamentos consanguíneos na família materna do que na família paterna.
08. a probabilidade de um irmão de Ana Vitória sem fibrose cística ter um alelo mutante é de 75%.
16. o gene CFTR possui um total de 4.440 nucleotídeos de DNA genômico.
32. a mutação detectada no éxon 3 é frequente na população.
64. no teste molecular com o kit comercial utilizado no caso de Ana Vitória, é investigada apenas parte do DNA presente no cromossomo 7.