SOMATÓRIA
“Excelente senhora, a patroa. Gorda, rica, dona do mundo, amimada dos padres, com lugar certo na igreja e camarote de luxo reservado no céu. Entaladas as banhas no trono (uma cadeira de balanço na sala de jantar), ali bordava, recebia as amigas e o vigário, dando audiências, discutindo o tempo. Uma virtuosa senhora, em suma – ‘dama de grandes virtudes apostólicas, esteio da religião e da moral’, dizia o reverendo.
Ótima, a dona Inácia.
Mas não admitia choro de criança.”
01) Tendo em vista o fragmento acima, pode-se afirmar que uma das principais características do conto é a ironia.
02) A personagem dona Inácia é construída a partir do contraste entre aparência (“excelente senhora”, “dama de grandes virtudes apostólicas”) e essência (“dona do mundo”, “não admitia choro de criança”), conforme mostra o fragmento acima.
04) Apesar de a personagem dona Inácia dar a impressão de ser uma ex-senhora de escravos, cruel e autoritária, ela se mostra, em sua essência, sensível e preocupada com amenizar as dores alheias, como se pode inferir a partir desse fragmento.
08) O conto é narrado em primeira pessoa por um narrador testemunha, um agregado da casa de dona Inácia.
16) Ao desnudar a imagem da “boa dona Inácia” como mulher desumana e sádica, o conto põe em evidência a questão da aparência versus essência. Do mesmo modo, eleva a figura de Negrinha ao desvendar-lhe a humanidade e a inocência, materializadas no simples desejo de ser criança.