SOMATÓRIA
Sobre o romance Dois irmãos, de Milton Hatoum, assinale o que for correto.
01) O romance é narrado em primeira pessoa por Nael, o filho bastardo de um dos gêmeos que protagoniza a história com a empregada da família. No entanto, o leitor só fica sabendo que o narrador é também uma personagem no decorrer da trama.
02) O narrador coloca-se na perspectiva de quem testemunhou toda a história da família de Halim e Zana. Apesar disso, a narrativa é fragmentada, de difícil compreensão, às vezes contraditória. Isso leva o leitor a ficar em dúvida se o que está sendo narrado foi, de fato, testemunhado por ele.
04) O narrador adota um tom discursivo racional, fato que favorece a confiança do leitor em relação à matéria narrada. Por outro lado, quando, mais tarde, o leitor descobre que o real motivo de contar a história dos gêmeos é o desejo que o narrador tem de descobrir sua paternidade, a confiabilidade de seu discurso é relativizada.
08) O narrador explicita desde o início da narrativa a revolta que o consome de saber-se filho da empregada que, além de explorada pela família de Halim e Zana, fora abusada por um dos filhos gêmeos do casal. Tal revolta se converte em discurso agressivo que vai se agravando à medida que a história avança, até culminar na revelação do desejo de vingança do personagem narrador, justificado pelo fato de jamais ter sido reconhecido como membro da família, embora todos inferissem que ele o era.
16) O narrador do romance é onisciente e, no decorrer da narrativa, focaliza alternadamente os irmãos gêmeos, Yaqub e Omar, além do filho bastardo deste último. Tal estratégia narrativa resulta no tom irônico que perpassa todo o texto, resultado das diferenças e das contradições entre cada uma dessas perspectivas.