TEXTO 1
ERRO DE PORTUGUÊS
Quando o português chegou
Debaixo de uma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português
ANDRADE, Oswald de. Erro de Português. Disponível em:<https://teoriaedebate.org.br/estante/erro-de-portugues/>. Acesso em: 25 maio 2019.
TEXTO 2
MANIFESTO DA POESIA PAU-BRASIL
A poesia existe nos fatos. Os casebres de açafrão e de ocre nos verdes da Favela, sob o azul cabralino, são fatos estéticos.
O Carnaval no Rio é o acontecimento religioso da raça. Pau-Brasil. Wagner submerge ante os cordões de Botafogo. Bárbaro e nosso. A formação étnica rica. Riqueza vegetal. O minério. A cozinha. O vatapá, o ouro e a dança.
Toda a história bandeirante e a história comercial do Brasil. O lado doutor, o lado citações, o lado autores conhecidos. Comovente. Rui Barbosa: uma cartola na Senegâmbia. Tudo revertendo em riqueza. A riqueza dos bailes e das frases feitas. Negras de Jockey. Odaliscas no Catumbi. Falar difícil.
O lado doutor. Fatalidade do primeiro branco aportado e dominando politicamente as selvas selvagens. O bacharel. Não podemos deixar de ser doutos. Doutores. País de dores anônimas, de doutores anônimos. O Império foi assim. Eruditamos tudo. Esquecemos o gavião de penacho.
ANDRADE, Oswald de. Manifesto da poesia pau-brasil. Correio da Manhã, 18 de março de 1924. Disponível em:<http://tropicalia.com.br/leituras-complementares/manifesto-da-poesia-pau-brasil>. Acesso em: 25 maio 2019 (adaptado).
Considerando o contexto histórico-social do Modernismo brasileiro e as características da estética literária desse movimento, assinale a alternativa que analisa CORRETAMENTE o poema e o trecho do manifesto de Oswald de Andrade.
I. No trecho “Fatalidade do primeiro branco aportado e dominando politicamente as selvas selvagens”, extraído do TEXTO 2 percebemos a “dominação” dos portugueses (branco aportado) sobre os índios (selvas selvagens).
II. No poema “Erro de português”, a dominação portuguesa é inferida pelo uso da forma verbal “vestir”, indicando, implicitamente, a colonização dos índios pelos portugueses e a imposição de uma cultura (a portuguesa) sobre a outra (a indígena).
III.A ausência de rimas no poema que constitui o TEXTO 1 reflete a despreocupação estética e evidencia o desrespeito que os modernistas da Geração de 22 tinham com a literatura brasileira.
IV. Em linguagem denotativa, os termos “vestir” e “despir” significam, no TEXTO 1, respectivamente: sobrepor uma cultura a outra e fazer perder as características culturais.
V. No verso onde se lê “Que pena!” (TEXTO 1) vemos a predominância da função emotiva da linguagem, o que sintetiza o modo como o eu-lírico enxerga a relação entre o índio e o português.
Está CORRETO, apenas, o que se afirma em