Questão
Universidade Estadual de Roraima - RR - UERR
2017
Fase Única
VER HISTÓRICO DE RESPOSTAS
4000039557
TEXTO I

COMO FAZER FELIZ MEU FILHO




CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE  ANDRADE, Carlos Drummond de. Poesia Completa. São Paulo: Nova Aguilar, 2002

TEXTO II

A VOZ DAS EMOÇÕES

Noite morna, vento quente, calor, suor, ofego, sufoco. E cá estou eu maltratando as intimoratas teclas da underwood, catando a voz das emoções mais ocultas. Ontem, fui à tradicional macarronada com galinha à cabidela do vetusto Solar dos Monte. A tarde já ia alta, nas vésperas do anoitecer, meu pai entregou-me uma carta na hora do adeus e que ora reproduzo.

Meu filho, hoje quando a velhice me alcança, minando o antes imbatível organismo, resta-me intacta a mente pródiga e a memória onde sepultei amores, ódios, rancores, prazeres. Sei que um dia tudo estará terminado ou será talvez o começo de uma nova vida? Jamais me preocupei com esta sequência da existência ou não, pois sempre me interessou apenas o que representei no palco desta vida. Eu, você, nossa família, tudo não terá sido uma aventura que a gente só tardiamente reconhece?

Tomo um longo e sôfrego gole de vinho e continuo a ler o maior filósofo vivo da rua Dom Jerônimo:

Sei que não posso me considerar um desses infelizes que nada construíram. Fui, talvez, como um pedreiro que ergue casas, condomínios e não se preocupa em erguer sua própria moradia. Terei sido um homem bom, solidário com os males dos outros? Emprestei alguma vez os meus braços para ajudar a carregar o peso que esmagava meu companheiro, meu vizinho? Fui um pai presente, afetivo, amoroso e cheio de bondade e compaixão para com meus filhos? Gostaria, nessa noite de domingo, que você, meu filho, tentasse ou fingisse um perdão por tudo em que mais lhe falhei e magoei. Com o amor de seu pai, Airton Teixeira do Monte.

Engasgado de emoção há tanto tempo represada, acabo de ler a carta do autor de meus dias e sento-me num meio- fio imaginário, abro outra garrafa de vinho e, súbito, desato num choro convulso, um choro despudorado e livre de qualquer ranço de um menino que, noite de Natal, acabou de ver Papai Noel.

(MONTE, Airton. Moça com flor na boca. Fortaleza: editora UFC, 2005)

Analise sintaticamente a função da oração sublinhada no trecho retirado do texto Como fazer feliz meu filho(Texto I) e aponte o item, do texto II, que
apresenta a mesma função sintática da oração:

Liberdade alheia a limites, perdão de erros, sem julgamento, e dizer-lhe que estamos quites, conforme a lei do esquecimento?
A
“Sei que um dia tudo estará terminado ou será talvez o começo de uma nova vida?”(Parágrafo 3)
B
“Jamais me preocupei com esta sequência da existência ou não, pois sempre me interessou apenas o que representei no palco da vida.” (Parágrafo 3)
C
“Fui, talvez, como um desses pedreiros que ergue casas, condomínios e não se preocupa em erguer sua própria moradia.”(Parágrafo 5)
D
“Emprestei alguma vez os meus braços para ajudar a carregar o peso que esmagava meu companheiro, meu vizinho?” (Parágrafo 6)
E
“...desato num choro convulso, um choro despudorado e livre de qualquer ranço de um menino que, noite de Natal, acabou de ver Papai Noel.” (Parágrafo 8)