TEXTO XI
O mundo como fábula, como perversidade e como possibilidade Vivemos num mundo confuso e confusamente percebido. Haveria nisto um paradoxo pedindo uma explicação? De um lado, é abusivamente mencionado o extraordinário progresso das ciências e das técnicas, das quais um dos frutos são os novos materiais artificiais que autorizam a precisão e a intencionalidade. De outro lado, há, também, referência obrigatória à aceleração contemporânea e todas as vertigens que criam, a começar pela própria velocidade. Todos esses, porém, são dados de um mundo físico fabricado pelo homem, cuja utilização, aliás, permite que o mundo se torne esse mundo confuso e confusamente percebido.
De fato, se desejamos escapar à crença de que esse mundo assim apresentado é verdadeiro, e não queremos admitir a permanência de sua percepção enganosa, devemos considerar a existência de pelo menos três mundos num só. O primeiro seria o mundo tal como nos fazem vê-lo: a globalização como fábula; o segundo seria o mundo tal como ele é: a globalização como perversidade; e o terceiro, o mundo como ele pode ser: uma outra globalização.
SANTOS, Milton. Por uma outra globalização. Do pensamento único à consciência universal. Rio de Janeiro: Record, 2000, p. 17-18.
Em 2010 a África do Sul sediará a Copa de Mundo de Futebol, a primeira a ocorrer em continente africano, numa decorrência direta do processo de globalização. Tal evento marcará decisivamente o destino daquele país, reconhecido como um território de rica diversidade linguística e cultural, mas com uma história de exploração e domínio, que repercute nos seus índices de contaminação por AIDS, por exemplo.
Sobre as consequências que a Copa do Mundo acarretará para a história da África do Sul, pode-se afirmar: