Nathan Caixeta
1 A “queda do zap” na última segunda-feira (04/10) atinou com desaviso a inquietante e cada vez mais esquecida forma de viver,
2 forçando o distanciamento compulsório das redes sociais e das inúmeras formas de conexão virtual que consomem a atenção das
3 pessoas. Estima-se que as ações do Facebook tenham caído em quase 5%, enquanto os operadores da empresa se esforçavam
4 para corrigir a falha técnica. Contudo, a paralisação de parte do mundo virtual em questão de horas forneceu um interessante
5 experimento social, levando as pessoas a perceberem a existência do próprio real desnudo da celeridade virtual que encobre, seja
6 para arrancar os cabelos ao efetuarem pagamentos virtuais não compensados, ou para solucionarem a questão do que fazer com
7 o próprio tempo-livre, uma vez que sua instância de captura imediata fixou-se em um limbo que retrocedeu as eras: do tempo das
8 relações virtuais para a época já imperceptível das relações pessoais. Embora tenha sido apenas um “susto” passageiro, o fenômeno
9 abre espaço para observar as conexões entre a valorização do capital cujos desdobramentos comerciais, produtivos e financeiros
10 são parciais, ou integralmente conectados ao mundo virtual e a disposição, captura e transformação do tempo-livre dos indivíduos
11 em valor de troca. Conforme insiste Eduardo Mariutti, professor da Unicamp, a esfera do virtual não se opõe à realidade, mas se
12 expressa pelo transbordamento do “possível”, isto é, pelo conjunto de possibilidades acessíveis à imaginação humana. O virtual
13 transforma os fragmentos criados pela imaginação humana em um universo construído, potencialmente ilimitado, mas restrito ao
14 conjunto de percepções humanas em dado momento do tempo.
(Disponível em: https://outraspalavras.net/crise-civilizatoria/o-tempo-livre-e-o-novo-feitico-do-capital/. Acesso em: 18/10/2021. Adaptado.)
Assinale a alternativa em que ambos os verbos destacados indicam atitude mental.