Texto I.
“Ondina viera há um ano de Angola. Estudara uma boa parte no Liceu, mais que ele. Mesmo depois de noivarem, isso sempre foi uma barreira. O Comissário considerava que Ondina lhe fizera um favor, aceitando-o, pois podia aspirar a pessoas mais cultivadas. Ele formou-a politicamente, mas nem isso o convenceu de que estavam em pé de igualdade. Se não acabasse com esses complexos, o amor deles falharia, dissera um dia Sem Medo. Mas o Comissário nunca tivera um namoro, a sua experiência era unicamente com prostitutas, a desvantagem era grande em relação a uma Ondina que já conhecera outros homens.”
PEPETELA, Mayombe, São Paulo: Leya, 2013, p. 81.
Texto II.
“Alícia aprendera tudo comigo, e não com Jano, que era virgem, como ela me contou anos depois, rindo, dizendo que o marido não sabia o que fazer na primeira noite, uns dois meses antes do casamento. Ela me contava só pra me deixar mais enciumado: ‘Eu tive que tirar a roupinha do Jano... ele namorou de olhos fechados, morrendo de vergonha’. Diz que nunca ficou nu, nem de cueca na frente da tua mãe. E pensar que esse era teu pai...”
HATOUM, Milton. Cinzas do Norte. São Paulo: Companhia das Letras, 2005, p. 161.
Considerando as atitudes e ações atribuídas às personagens Ondina e Alícia, criadas, respectivamente, por Pepetela e Milton Hatoum, observa-se que