Questão
Universidade Estadual do Maranhão - UEMA - UEMA SUL
2017
1ª Fase
VER HISTÓRICO DE RESPOSTAS
4000076878
Texto III 

[...]  
A revolução chama Pedro Bala como Deus chamava Pirulito nas noites do trapiche. É uma voz poderosa dentro dele, poderosa como a voz do mar, como a voz do vento, tão poderosa como uma voz sem comparação. Como a voz de um negro que canta num saveiro o samba que Boa-Vida fez: 

Companheiros, chegou a hora... 

A voz o chama. Uma voz que o alegra, que faz bater seu coração. Ajudar a mudar o destino de todos os pobres. Uma voz que atravessa a cidade, que parece vir dos atabaques que ressoam nas macumbas da religião ilegal dos negros. [...] Voz que vem do trapiche dos Capitães da Areia. Que vem do reformatório e do orfanato. [...] Voz poderosa como nenhuma outra. Porque é uma voz que chama para lutar por todos, pelo destino de todos, sem exceção. Voz poderosa como nenhuma outra. Voz que atravessa a cidade e vem de todos os lados. Voz que traz com ela uma festa, que faz o inverno acabar lá fora e ser a primavera. A primavera da luta. Voz que chama Pedro Bala, que o leva para a luta. Voz que vem de todos os peitos esfomeados da cidade, [...]. Voz que traz o bem maior do mundo, mesmo maior que o sol: a liberdade. A cidade no dia de primavera é deslumbradoramente bela. Uma voz de mulher canta a canção da Bahia. Canção da beleza da Bahia. Dentro de Pedro Bala uma voz o chama: voz que traz para a canção da Bahia, a canção da liberdade. Voz poderosa que o chama. Voz de toda a cidade pobre da Bahia, voz da liberdade. A revolução chama Pedro Bala. 

AMADO, Jorge. Capitães da Areia. São Paulo: Companhia das Letras,

Texto IV 

XXXII 
Ontem à tarde um homem das cidades 
Falava à porta da estalagem. 
Falava comigo também. 
Falava da justiça e da luta para haver justiça 
E dos operários que sofrem, 
E do trabalho constante, e dos que têm fome, 
E dos ricos, que só têm costas para isso. 
[...] 
Eu no que estava pensando 
A esse entardecer 
Não parecia os sinos duma capela pequenina 
A que fossem à missa as flores e os regatos 
E as almas simples como a minha. 
[...] 
E o homem calara-se, olhando o poente. 
Mas que tem com o poente quem odeia e ama? 

CAEIRO, Alberto. O guardador de rebanhos. Belém, PA: Ed. Estudos Amazônicos, 2012. 

Da análise comparativa dos textos, pode-se afirmar a existência de
A
 distinção entre o eu poético, engajado na literatura de denúncia, e o narrador, partidário de uma visão romântica e sentimentalista. 
B
 divergência entre a reação melancólica e intimista do eu lírico e a reação política e objetiva do narrador, frente a um mesmo fato. 
C
 diversidade de gêneros literários, com convergência na visão de impotência da literatura diante da realidade existencial.
D
contraposição entre as lógicas do homem do campo e do homem da cidade diante do mesmo fato. 
E
semelhança nos focos temáticos e nos posicionamentos críticos apresentados.