Tristes sucessos, casos lastimosos,
Desgraças nunca vistas, nem faladas,
São, ó Bahia! vésperas choradas
De outros que estão por vir mais estranhosos:
Sentimo-nos confusos, e teimosos,
Pois não damos remédio às já passadas,
Nem prevemos tampouco as esperadas,
Como que estamos delas desejosos.
Levou-vos o dinheiro a má fortuna,
Ficamos sem tostão, real nem branca,
Macutas, correão, novelos, molhos:*
Ninguém vê, ninguém fala, nem impugna,
E é que, quem o dinheiro nos arranca,
Nos arranca as mãos, a língua, os olhos.
*ficamos sem nada, despojados de tudo (moedas de pouco valor). MATOS, Gregório. Poemas escolhidos. São Paulo: Companhia das Letras, 2010 (p. 48).
Representante do período colônia, especialmente do ciclo de açúcar, o eu lírico expressa seu descontentamento porque: