Questão
Simulado Unicamp
2023
1ª Fase
VER HISTÓRICO DE RESPOSTAS
4000261181
Use o texto a seguir para responder às quatro primeiras questões dessa avaliação.

Batizadas à bala: o impacto da violência urbana na infância

Por Júlia Müller e Nathália Carvalho / em 03 de fev de 2022

Convívio com tiroteios e outras cenas impactantes marcam a vida de crianças moradoras de comunidades do Rio de Janeiro. Ouça relatos que mostram a tensão, o medo e os traumas desse cotidiano

“As crianças reagem de maneiras diferentes a violências. Muitas chegam até a se acostumar com isso”, afirma Yvonne Bezerra, fundadora do Projeto Uerê, organização não governamental de proteção aos direitos de crianças e adolescentes localizada no complexo da Maré, na zona norte do Rio de Janeiro.

A cidade tem sido palco de uma descontrolada sequência de incidentes violentos. Desde 2016, 103 crianças foram baleadas só na região metropolitana da capital, e 30 delas morreram, com casos em que bebês são atingidos no colo da mãe, segundo o Instituto Fogo Cruzado, que compila dados do gênero.

É comum ouvir que a causa da morte foi uma “bala perdida”, mas o que o relatório divulgado pelo Instituto Fogo Cruzado mostra é que muitos dos disparos tiveram um alvo em comum: 64 dos casos ocorreram em comunidades, com 31 crianças atingidas durante operações policiais.

As comunidades, assim como as diferentes infâncias que pertencem a elas, são um alvo constante da violência. Esse cenário deixa marcas físicas e psicológicas. (...)

‘Escola, não atire’

“Passamos por 90 dias de tiro bem na frente da escola, que é uma ‘zona do meio’. As crianças já sabem os locais em que elas podem se abaixar para que não sejam atingidas por tiros. É um exercício de guerra”, diz Yvonne Bezerra, fundadora do Uerê, que tem uma escola no Complexo de Favelas da Maré.

As chamadas “zonas do meio” são regiões fronteiriças de domínio territorial de diferentes facções criminosas e, portanto, espaços de frequente enfrentamento armado. Em um dos confrontos, a escola do projeto chegou a colocar uma placa escrita “escola: não atire” no teto, a fim de alertar helicópteros da polícia.

O projeto Uerê nasceu para atender crianças a partir de cinco anos que têm bloqueios cognitivos e emocionais devido ao estresse causado pela exposição constante à violência armada. Os estudantes da escola vivenciaram, em algum momento, cenas traumáticas envolvendo troca de tiros, tanto entre civis quanto em operações policiais.

“Eu trabalho com essa demanda há 23 anos e o cenário piora”, afirma Yvonne Bezerra. Além do reforço escolar, os alunos são supervisionados por um profissional da psicologia.

Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/especial/2022/02/03/Batizadas-%C3%A0-bala-o-impacto-da-viol%C3%AAncia-urbana-na-inf%C3%A2ncia

Na parte “Escola, não atire”, do texto em questão, percebe-se que a construção da expressão “zonas do meio” faz com que
A
discuta-se a violência institucional como um problema mais sério.
B
note-se a diferença entre a educação das áreas ricas e das comunidades.
C
seja possível compreender que o costume com a violência já se estabeleceu.
D
perceba-se que o medo acaba por afastar as crianças e os professores da escola.