O ácido salicílico, a porção ativa da molécula de salicina, não só baixa a febre e alivia a dor. Atua também como antiinflamatório. É muito mais potente que a salicina, que ocorre naturalmente, mas pode ser muito irritante para o revestimento do estômago, o que reduz seu valor medicinal. O interesse de Hofmann em compostos relacionados com o ácido salicílico foi despertado por sua preocupação com o pai, cuja artrite reumatoide era pouco aliviada pela salicina. Na esperança de que as propriedades anti-inflamatórias do ácido salicílico fossem conservadas, mas as corrosivas reduzidas, Hofmann deu ao pai um derivado do ácido salicílico — o ácido acetilsalicílico (AAS), preparado pela primeira vez 40 anos antes por um outro químico alemão. No AAS, o grupo acetil (CH3CO) substitui o H do grupo fenólico OH do ácido salicílico. A molécula de fenol é corrosiva; talvez Hofmann tenha raciocinado que a conversão do OH preso ao anel aromático num grupo acetil poderia mascarar suas características irritantes.

Disponível em: Le Couteur, P.; Burreson, J. Os botões de Napoleão: as 17 moléculas que mudaram a história, 2006.
Abaixo, estão representadas as estruturas das moléculas da salicina, do ácido salicílico e do ácido acetilsalicílico:

O ácido acetilsalicílico é utilizado até os dias de hoje devido às suas propriedades farmacológicas, e, após ser preparado a partir do ácido salicílico, ele deve ser purificado, sendo o rendimento final da síntese de aproximadamente 50%. Para preparar um lote de 1800 comprimidos, em que cada um possui 500 mg de ácido acetilsalicílico, uma indústria farmacêutica precisa empregar uma massa de ácido salicílico próxima de