Questão
Simulado ENEM
2021
Fase Única
VER HISTÓRICO DE RESPOSTAS
4000251459
Em algum momento peguei na estante um livro de Pablo Neruda e o depositei sobre a mesa de centro na sala de jantar. Agora, quando cozinho à noite ou nos fins de semana, à espera de que uma comida fique pronta no forno ou da água ferver para a pasta, sento alguns minutos na sala de jantar e abro o livro. É um presente que me dou.

Vou logo dizendo, a poesia de Neruda não é das minhas favoritas. Sobretudo não gosto dos famosos poemas de amor. Acho muito derramados, emplumados, excessivos. E, eventualmente, insinceros. Tenho a sensação incômoda de ler poemas não endereçados à amada, mas ao amor, Cupido em pessoa, embora disfarçado de mulher. E não me sinto obrigada a gostar deles só porque todo mundo gosta e por ter o autor ganho o Nobel.

Mas o livro em questão não é de poesia, é de prosa. E que prosa colorida, que frescor de prosa tem Neruda!

“Pelas praias do mundo”, edição da Bertrand Brasil, reúne textos escritos em épocas diferentes, com diferentes finalidades - alguns para jornais e revistas, outros para conferências, encontros políticos ou apenas registros de memória. E o melhor, textos escritos em diversos lugares do mundo.
Neruda começou a viajar muito jovem, com pouco mais de vinte anos, diplomata enviado para o Oriente. Tinha pouco a fazer, pouco a receber no fim do mês, tarefa doméstica nenhuma, e uma solidão esmagadora e proveitosa para o ofício da escrita.
Com que riqueza de olhar e pensamento nos leva consigo para a Tailândia, a Indochina, o Ceilão, o Iucatán, a California ou seu querido, seu sempre amado Chile.

“Para escrever me fizeram falta pelo mundo as goteiras. As goteiras foram o piano da minha infância(...) o grande piano das goteiras durava o inverno todo. (...)Minha mãe espalhava então pela casa suas panelas, bacias, jarros para leite( ...) Cada um deles produzia uma nota distinta(....) e suas notas acompanharam-me onde quer que eu tenha vivido, caindo sobre meu coração e sobre a minha poesia.”
A verdade é que nada lhe fez falta para escrever.

(Disponível em: https://www.marinacolasanti.com/2019/11/que-frescor-de-prosa.html Acesso em 23 de outubro de 2021)

A fronteira entre os gêneros textuais pode se estabelecer de modo bastante imperceptível, no caso do texto de Marina, o aspecto que o configura como crônica está evidente por
A
haver uma apreciação crítica da obra de Neruda.
B
traçar um percurso sobre a mudança de gosto da autora.
C
fazer referência direta ao texto de Neruda.
D
especificar a edição da obra de Neruda.
E
contar resumidamente a biografia do autor.