O colonizado está sempre alerta, decifrando dificilmente os múltiplos signos do mundo colonial; nunca sabe se passou ou não o limite. Diante do mundo determinado pelo colonialista, o colonizado presume-se sempre culpado. Mas, no mais fundo de si mesmo, o colonizado não reconhece nenhuma instância. Está dominado, mas não domesticado. Está inferiorizado, mas não convencido da sua inferioridade. Espera pacientemente que o colono descuide a sua vigilância para atacá-lo. Nos seus músculos, o colonizado está sempre em atitude de expectativa, está sempre pronto a abandonar o seu papel de presa e a assumir o de caçador. O colonizado é um perseguido que sonha permanentemente transformar-se em perseguidor.
FANON, Frantz. Os Condenados da Terra. Juiz de Fora: Editora UFJF, 2005, p. 70.
Com base no texto, assinale a opção que indica corretamente o aspecto que marcou o processo de descolonização africano.