As estrofes seguintes iniciam um poema de Gregório de Matos.
DESCREVE COM MAIS INDIVIDUAÇÃO A FIDÚCIA, COM QUE OS ESTRANHOS
SOBEM A ARRUINAR SUA REPÚBLICA
Senhora Dona Bahia,
nobre, e opulenta cidade,
madrasta dos Naturais,
e dos Estrangeiros madre.
Dizei-me por vida vossa,
em que fundais o ditame
de exaltar, os que aí vêm,
e abater, os que ali nascem?
Se o fazeis pelo interesse
de que os estranhos vos gabem,
isso os paisanos fariam
com conhecidas vantagens.
E suposto que os louvores
em boca própria não cabem,
se tem força terá a verdade.
O certo é, Pátria minha,
que fostes terra de alarves,
e inda os ressábios vos duram
desse tempo e dessa idade.
Haverá duzentos anos
nem tantos podem contar-se,
que éreis uma aldeia pobre,
e hoje sois rica cidade.
MATOS, Gregório de. Poemas escolhidos. São Paulo: Companhia das Letras, 2010 (p. 53-54).
É correto afirmar que