A expressão “protesto negro” marcou a literatura acadêmica sobre movimentos sociais no Brasil porque abarcava toda sorte de ação coletiva de combate ao preconceito de cor. Interessa-nos separar o protesto das práticas coletivas no interior de organizações e espaços negros. O protesto — como as marchas, passeatas, paradas, ocupações e desfiles pelas ruas — assume franco objetivo de ser evento público, cuja função é chamar a atenção da sociedade e das autoridades, preferencialmente por meio das notícias impressas, a partir das quais ganham mais visibilidade. Mais importante do que isso, os atos públicos são fontes privilegiadas para apreender o movimento como um todo: as alianças, as bandeiras, os oponentes, as organizações, as lideranças, os símbolos, as identidades coletivas e os discursos. Ademais, as marchas públicas permitem visualizar a trajetória do movimento social ao longo do tempo e verificar as regularidades dos eventos, bem como as suas possíveis inovações.
RIOS, Flavia. O protesto negro no Brasil contemporâneo (1978-2010). Lua Nova, n.º 85, 2012, p. 41-79 (adaptado).]
Ao discutir as formas de ação coletiva de combate ao preconceito de cor, a autora do texto anterior recorre à expressão “protesto negro”, caracterizado principalmente como