A expulsão dos judeus da Espanha pelos reis católicos, em 1492, levou cerca de cem mil refugiados para Portugal, onde experimentaram ainda mais amargas vicissitudes do que na pátria. Foram forçados em 1497, por ordem do rei D. Manuel, juntamente com os judeus seus correligionários portugueses, a se converterem ao cristianismo, fenômeno que deu origem à era dos cristãos novos. A fuga dos portugueses cristãos-novos para o Brasil era mais fácil do que para qualquer lugar da Europa. Apesar de as leis que os proibiam de emigrar do Reino serem sempre renovadas, cristãos-novos conseguiam embarcar clandestinamente para o Novo Mundo, considerado por muitos como a Terra Prometida, pagando aos pilotos das naus, que muitas vezes eram também cristãos-novos. (...) Espalhados por um imenso território, os cristãos-novos pouco conheciam sobre o verdadeiro sentido da religião judaica. Muitas cerimônias eram praticadas semi-inconscientemente, obedecendo a ensinamentos herdados através de gerações. Sem considerar os cristãos-novos que foram fiéis ao catolicismo e conseguiram diluir-se na sociedade ampla, os que permaneceram nas margens criaram uma tradição de clandestinidade, sem a qual é impossível conhecer e reconstituir a sociedade colonial.
(Adaptado de NOVINSKY, Anita. Inquisição: prisioneiros do Brasil. 2002.)
Pesquisadores estimam hoje, no Brasil, que pelo menos um décimo da população descenda dos cristãos-novos que vieram de Portugal e existem muitos brasileiros cujos sobrenomes aparecem nas listas de denunciados e de sentenciados pelo Tribunal do Santo Ofício. De acordo com essa noção e com o texto acima, é CORRETO afirmar que: