Nos últimos meses, o mundo inteiro se pintou de verde e amarelo. As fashionistas mais influentes da atualidade - nacionais e internacionais - começaram a resgatar todo tipo de símbolo ligado ao Brasil, desde as cores da bandeira até a camisa da CBF. Mas, de onde eu venho, o Brazilcore sempre foi tendência.
Apesar do termo ter sido criado só agora e o assunto estar mais quente do que nunca, as camisas da seleção brasileira, nossa bandeira e cores e toda a estética do futebol, sempre foram valorizadas e sempre estiveram no mais alto nível de ostentação nas favelas e periferias brasileiras, inclusive onde eu cresci, no Capão Redondo, na Zona Sul da Cidade de São Paulo. Me lembro de crescer em torno do futebol, toda criança periférica sonha em se tornar o novo Neymar, e o esporte mais famoso do mundo é um pilar pelas ruas das favelas, o que faz automaticamente, seus símbolos e uniformes serem desejo, e é claro que a Copa do Mundo só intensifica isso.
Todo esse background faz a ascensão do Brazilcore agridoce para mim, é claro que fico feliz por ver o Brasil sendo esteticamente valorizado mundo afora, mas ao mesmo tempo me questiono, porque as camisas da seleção e os outros símbolos do futebol só são considerados estilosos e fashionistas quando vistos em pessoas brancas e padrões? E quando visto em pretos e periféricos é brega?
(Adaptado de <https://stealthelook.com.br/brazilcore-a-tendencia-de-moda-que-sempre-esteve-nas-ruas-da-minha-casa/> Acesso em 27 set. 2023)
Ao falar sobre a tendência de moda de usar trajes com as cores do Brasil, a autora do texto aponta para um movimento semelhante ao da apropriação cultural, em que