“Disse-me vosso intérprete que me propondes cinco varões assinalados que devo conhecer. O primeiro é o Deus, Três e Um, que são quatro, a quem chamais Criador do Universo. Porventura é o mesmo que nós chamamos Pachacamac e Viracocha? O segundo é Adão, o que diz que é Pai de todos os outros homens, de quem todos eles receberam seus pecados. Ao terceiro chamais Jesus Cristo, só ele que não recebeu pecados daquele primeiro homem, mas que foi morto. Ao quarto dais o nome de Papa. O quinto é o Rei Carlos V a quem, sem levar os outros em conta, chamais poderosíssimo e monarca do universo e supremo de todos. Mas, se este Carlos é príncipe e senhor de todo o mundo, que necessidade tinha de que o Papa lhe fizesse nova concessão e doação para me fazer guerra e usurpar estes reinos? E, se o tinha, logo, o Papa é maior Senhor, e não ele, e mais poderoso e príncipe de todo o mundo”.
DUSSEL, Enrique. 1492: O encobrimento do outro - A origem do “mito da modernidade”. Petrópolis, RJ: Vozes, 1993, p. 62. Adaptado.
A argumentação de Atahualpa pretende mostrar que a exposição que ouvira do padre sobre os poderes do Rei Carlos V é, de um ponto de vista lógico,