Uma flor para Di Cavalcanti

Esta é uma flor para Di,
uma flor em forma diferente: de flor-mulher,
desabrochada onde quer
que exista amor e verão.
Verão como a cor cinti-
la nas curvas, e sorri
nesse púrpuro arrebol
que Di tirou do seu Rio coado de mel e sol.
Uma flor-pintura, zinindo o canto de amor
que acompanhou toda a vida do pincel, o gozo-dor
de criar e de sentir, di-
-vina e tão sensual ração
que coube, na Terra, a Di.
Carlos Drummond de Andrade in Discurso de primavera e algumas sombras

Leia as afirmações abaixo:
I. O poema de Drummond brinca com os signos flor e mulher, ambos com forte carga significativa, construindo uma imagem símbolo de beleza e sensualidade feminina, em que se observa a intertextualidade com a obra Mulheres, flores e araras de Di Cavalcanti.
II. O poeta Drummond, trabalhando com sua matéria-prima que é a palavra e dialogando com temas explorados por Di Cavalcanti, reflete sobre a criação e o ofício criador desse artista modernista que retrata em linhas, formas e cores a sensualidade brasileira.
III. Carlos Drummond de Andrade manteve diálogos com as artes plásticas ao longo de sua carreira literária, especialmente com os modernistas brasileiros como Portinari, Di Cavalcanti e Tarsila do Amaral, que abordaram na pintura temas relativos ao povo e seu cotidiano, com cunho político e social.
IV. Os primeiros modernistas já haviam rompido com os códigos acadêmicos e incorporado à nossa lírica as formas livres. No entanto, neste poema, percebe-se uma retomada das características clássicas como rigor formal e a preferência pelo soneto.
Considerando as assertivas acima, é CORRETO afirmar que: