O fragmento, a seguir, inicia o capítulo Baleia, do livro Vidas secas de Graciliano Ramos. Leia-o com atenção para responder à questão.
Texto I
“A cachorra Baleia estava para morrer. Tinha emagrecido, o pelo caíra-lhe em vários pontos, as costelas avultavam num fundo róseo, onde manchas escuras supuravam e sangravam, cobertas de moscas. As chagas da boca e a inchação dos beiços dificultavam-lhe a comida e a bebida.
Por isso Fabiano imaginara que ela estivesse com um princípio de hidrofobia e amarrara-lhe no pescoço um rosário de sabugos de milho queimados. Mas Baleia, sempre de mal a pior, roçava-se nas estacas do curral ou metia-se no mato, impaciente, enxotava os mosquitos sacudindo as orelhas murchas, agitando a cauda pelada e curta, grossa na base, cheia de moscas, semelhante a uma cauda de cascavel.
Então Fabiano resolveu matá-la. Foi buscar a espingarda de pederneira, lixou-a, limpou-a com o saca-trapo e fez tenção de carregá-la bem para a cachorra não sofrer muito.
[...]”
RAMOS, G. Vidas secas. Rio de Janeiro: Record, 2015, p.8.
Observa-se, nesse fragmento, uma elaboração discursiva que equipara, de certa forma, a economia no relato com o desfecho trágico a que seria submetida a cachorra Baleia. Com esse objetivo, recursos morfossintáticos são empregados. A partir disso, atenda ao que se pede.
a) Transcreva os adjetivos presentes no segundo parágrafo e explique como essa classe de palavra, no fragmento, ilustra a contenção linguística do narrador.
b) Analisando, no fragmento, o uso dos conectores “por isso” e “então”, que iniciam, respectivamente, o segundo e o terceiro parágrafos, pode-se dizer que eles exercem a mesma relação de sentido? Explique sua resposta.