Questão
Simulado ENEM
2023
Não se aplica
VER HISTÓRICO DE RESPOSTAS
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Em minutos espalhara-se a notícia: uma baleia no Leme e outra no Leblon haviam surgido na arrebentação de onde tinham tentado sair sem no entanto poder voltar. Eram descomunais apesar de apenas filhotes. Todos foram ver. Eu não fui: corria o boato de que ela agonizava já há oito horas e que até atirar nela haviam atirado mas ela continuava agonizando e sem morrer.

Senti um horror diante do que contavam e que talvez não fossem estritamente os fatos reais, mas a lenda já estava formada em torno do extraordinário que enfim, enfim! Acontecia, pois por pura sede de vida melhor estamos sempre à espera do extraordinário que talvez nos salve de uma vida contida. Se fosse um homem que estivesse agonizando na praia durante oito horas nós o santificaríamos, tanto precisamos de crer no que é impossível.

Não, não fui vê-la: detesto a morte. Deus, o que nos prometeis em troca de morrer? Pois o céu e o inferno nós já os conhecemos – cada um de nós em segredo quase de sonho já viveu um pouco do próprio apocalipse. E a própria morte.

(Morte de uma baleia, Clarice Lispector)

O texto de Clarice Lispector, como é característico da autora, tem dimensões subjetivas marcantes. No trecho destacado, é possível perceber que a narradora
A
discorre sobre o medo que ela própria tem de morrer, pois há mais solidariedade para com animais do que humanos. 
B
tem uma preocupação com a veracidade com que histórias trágicas são contadas, pois, se forem falsas, não geram sofrimento.
C
parte de uma situação do cotidiano – ainda que pouco comum e trágica – para produzir uma reflexão filosófica.
D
revela principalmente preocupação com o modo como o ser humano lida com a natureza e as questões de sustentabilidade.
E
questiona o comportamento humano diante de tragédias naturais, ainda que perceba sua capacidade de empatia.