Sobre a obra Ay Kakyri Tama, escrita por Márcia Wayna Kambeba, assinale o que for correto.
01) A estrutura de versos dos poemas que compõem Ay Kakyri Tama: Eu moro na cidade é uniforme e muito fácil de analisar. Todos os textos estão organizados em forma de soneto, apresentando dois quartetos seguidos de dois tercetos. A opção por uma disposição dos textos nesse formato antigo, haja vista que os primeiros sonetos foram escritos entre o final do século XIII e o início do século XIV, à primeira vista, pode parecer inusitada. No entanto, é possível compreender que a escolha é intencional, pois a temática dos textos gira em torno do embate do indígena moderno entre a preservação da tradição (marcada na estrutura do soneto) e as vivências no mundo contemporâneo (trazidas à tona por meio da temática).
02) Márcia Wayna Kambeba é o nome artístico da escritora indígena Márcia Vieira da Silva. Ao agregar a etnia ao sobrenome, a autora demarca sua identidade e sua cultura para trazer seus escritos à público. Contudo, por motivos legais, Márcia não pode solicitar alteração em seu registro civil para utilizar oficialmente esse nome, pois no Brasil essa opção é vetada aos indígenas, que são obrigados a optar por nomes não indígenas ao registrar seus filhos.
04) Os textos de Márcia Kambeba versam sobre o embate entre o mundo dos indígenas e o mundo dos brancos na contemporaneidade. Os versos permitem ao leitor vislumbrar uma discussão sobre a identidade indígena, sobretudo a dos indivíduos que ocupam espaços urbanos, pois atualmente é comum que a legitimidade da identidade destes indígenas seja questionada, haja vista que são compreendidos como afastados de seus ambientes, culturas e tradições originais. Alguns poemas escolhidos para compor a obra Ay Kakyri Tama buscam demonstrar que o fato de viver e frequentar espaços urbanos não descaracteriza esses indivíduos, como podemos perceber nos versos finais do poema que dá nome ao livro: “Mantenho meu ser indígena, / na minha identidade, / Falando da importância do meu povo, / Mesmo vivendo na cidade.” (Kambeba, 2013, p. 23).
08) A narração em primeira pessoa (do singular ou do plural) presente em alguns poemas de Ay Kakyri Tama permite textualizar vivências particulares que desvelam conflitos coletivos e compartilhados historicamente por todo um grupo de indígenas que sentiram (e ainda sentem) na pele a perseguição e as tentativas de apagamento de suas culturas e tradições.