O país do futebol virou país de matadores


Por Xico Sá 05/05/14


Procura-se, como no velho Oeste, recompensa de R$ 5 mil, o assassino do torcedor Paulo Ricardo Gomes da Silva, morto na noite de sexta-feira, vítima de um
vaso sanitário atirado nas arquibancadas do estádio do Arruda, Hellcife, Pernambuco.
Era apenas um jogo de futebol entre Santa Cruz x Paraná, pela Segundona do Brasileirão, em noite de tempestade. Logo o Santa, Santinha, o time da “poeira” (termo muito utilizado pelo ex-governador Miguel Arraes para distinguir o proletariado), o time de uma das torcidas mais passionais e fiéis do Brasil. Gente que sabe festejar a vida mais do que ninguém, mesmo boiando no mar de garrafas pet e estatísticas desfavoráveis no país de Caça-Rato. Gente que sabe “tomar banho de canal quando a maré encher”, como na trilha da Nação Zumbi.
Infelizmente, os monstros existem em qualquer universo, qualquer torcida, qualquer canto. Que desgraça [...].
Chegamos lá. No auge da “banalidade do mal”, como falava Hannah Arendt sobre a Europa das guerras – sim, os europeus, senhora Fifa, são originalmente
“bons” nessa selvageria.
Viramos um país de matadores. Matamos até no futebol, veja bem. Isso é o que espanta – e olhe que é no futebol onde ainda menos se mata no Brasil.
Assombra gerações como a minha porque era o nosso lugar especial da brincadeira, nosso território livre, quase à prova de assassinato, o lugar mais protegido – e não só simbolicamente –, aquela coisa de chegar e sair juntos do estádio com os “adversários”. A grande diferença era só quem iria pagar o engradado de cerveja por causa do resultado da peleja. E todo mundo voltava para casa com a camisa do seu time sem furos de bala [...].
SÁ, X. O país do futebol virou país dos matadores. (Adaptado). Disponível em:<http://www1.folha.uol.com.br/colunas/xicosa/2014/05/1452241-prepare-seucoracao.shtml>. Acesso em 09/mai./2014
No fragmento: “Viramos um país de matadores. Matamos até no futebol, veja bem. Isso é o que espanta – e olhe que é no futebol onde ainda menos se mata no Brasil”, o trecho em destaque aparece marcado pela modalidade oral e pela informalidade. Qual das alternativas abaixo mais se afasta da oralidade?