O poema a seguir é de autoria de Cecília Meireles (1901-1964).
Os três bois
Num domingo de sol, mataram os três bois,
e assaram-nos às postas, fincados em espetos.
A fumaça toldava o campo e o céu de crepes pretos.
Eles eram três bois de linhagem hindu,
imensos de silêncio e de chifres serenos,
com o céu às costas, perdidos nos enredos terrenos.
Não lhes douraram os chifres, não lhes puseram flores
na testa; não lhes cantaram: não foi rito, foi ato
sôfrego, de consentido assassinato.
Num domingo de sol, mataram os três bois,
porque era preciso comer, porque era preciso haver
[festa,
porque era preciso ter carne, porque a humanidade é
[esta..
Mataram os três bois, num domingo de sol.
Por entre as árvores, por entre as águas e as borboletas,
viram subir seu sangue, desenrolado em fumaças
[pretas.
Os homens estenderam para a carne vorazes mãos.
E a terra e o céu, de braço dado, e pensativos,
miravam os três bois mortos e os duzentos homens
[vivos.
Churrasco no km 47; 7.5.1944.
MEIRELES, Cecília. Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2011. V. 2. p. 1587.
A linguagem rítmica e sonora confere um tom _________ ao poema, em contraste com a _________ da cena descrita. Além disso, o fato de haver, ao final, uma indicação de local e data permite que se depreenda seu caráter _________, deixando em evidência que a matéria para a criação poética pode estar nas situações _________
As palavras que preenchem corretamente as lacunas, na ordem em que aparecem no texto, são