No retrato que me faço
— traço a traço —
às vezes me pinto nuvem,
às vezes me pinto árvore...
às vezes me pinto coisas
de que nem há mais lembrança...
ou coisas que não existem mas que um dia existirão...
e, desta lida, em que busco
— pouco a pouco —
minha eterna semelhança,
no final, que restará?
Um desenho de criança...
Corrigido por um louco!
(Apontamentos de História Sobrenatural — Mário Quintana)
O poema de Mário Quintana, autor contemporâneo da poesia brasileira, é construído com ênfase na função da linguagem encontrada em qual alternativa?