Em uma de suas obras, o filósofo Friedrich Nietzsche resumiu grande parte da nossa cultura pop numa única frase: “A crueldade é um dos prazeres mais antigos da humanidade”. Para ele, a crueldade nem é só um ato de maldade para com um interlocutor, mas é necessária para o curso da vida, para o equilíbrio da existência. E ele diz mais... O humano de Nietzsche acredita no “jogo” e para ele “não há outro modo de lidar com as grandes tarefas se não for jogando”. Criou-se aí o ciclo no qual estamos presos até hoje. Somos atraídos pela crueldade e é só “jogando” que somos submetidos a ela ou nos livramos dela.
Round 6 une esses dois pontos: a crueldade e o jogo. E a euforia com a qual ela tem sido recebida tem um motivo: a série talvez seja a que fisgou com mais competência a nossa curiosidade mórbida (pela crueldade) e a nossa competitividade clássica (pelo jogo). Mais de 400 pessoas topam uma empreitada estranha, misteriosa, para tentar se livrar das próprias dívidas; e quando percebem que isso pode lhes custar a vida, são avisadas de que elas têm sim, uma escolha. O mais emblemático disso tudo é que esses personagens, quando devolvidos à vida que tinham antes, percebem que ela é muito mais cruel que o jogo em si. Então, eles voltam, confirmando Nietzsche, com tudo que há de mais primitivo na alma humana.
Adaptado. Disponível: https://guiadoestudante.abril.com.br/redacao/redacao-como-usar-figuras-de-linguagem-no-texto/
A relação entre Nietzsche e a série Round 6 é exposta através