Em um texto escrito em 1999, a filósofa italiana Silvia Federici afirma o seguinte:
A industrialização do “Terceiro Mundo” é um mito, e a prova disso é que, nos anos 1980 e 1990, a transferência de capital e de indústrias do “Primeiro” para o “Terceiro Mundo” foi superada pela transferência de capital e de trabalho do “Terceiro” para o “Primeiro Mundo”. A dimensão desse fenômeno é considerável.
As remessas de dinheiro são o segundo maior fluxo internacional após as receitas das companhias petrolíferas. Em algumas partes do mundo, como acontece no México, vilarejos inteiros dependem desses envios. De acordo com o Banco Mundial, essa quantia aumentou de 24 bilhões de dólares, nos anos 1970, para 65 bilhões de dólares nos anos 1980. Além disso, esses números se referem apenas às somas que passaram pelos bancos, sem contabilizar o dinheiro em espécie, móveis, aparelhos de TV e outros bens que os imigrantes levam consigo quando visitam o país de origem.
FEDERICI, S. O ponto zero da revolução: trabalho doméstico, reprodução e luta feminista. São Paulo: Elefante, 2019. p. 148-9.
Com base no trecho citado, é correto afirmar que:
01. os fluxos migratórios do final do século passado entre países ricos e países pobres não contribuíram para a redução da pobreza no chamado “Terceiro Mundo”.
02. a emigração em direção a países do “Primeiro Mundo” fornece a esses países mecanismos que alavancam seu próprio desenvolvimento econômico, como a mão de obra transformada em capital.
04. o fluxo de capital aos países de origem dos imigrantes do “Terceiro Mundo” inclui elementos que ficam à margem do sistema bancário.
08. remessas de dinheiro de países ricos a países pobres são utilizadas no desenvolvimento da mão de obra nestes últimos.
16. nos anos 1980 e 1990, os fluxos migratórios de pessoas e capitais entre o “Primeiro” e o “Terceiro Mundo” resultaram na industrialização dos países do “Terceiro Mundo”.
32. segundo o Banco Mundial, entre os anos 1970 e 1980, o capital industrial dos países do “Terceiro Mundo” mais que dobrou.
64. a perda de mão de obra em países do “Terceiro Mundo” em função da emigração acentua a dependência deles em relação aos países considerados centros econômicos do capitalismo globalizado.