𝐄𝐱𝐩𝐞𝐫𝐢𝐦𝐞𝐧𝐭𝐚𝐜𝐚𝐨, 𝐮𝐬𝐨, 𝐚𝐛𝐮𝐬𝐨 𝐞 𝐝𝐞𝐩𝐞𝐧𝐝𝐞𝐧𝐜𝐢𝐚
O uso de drogas que alteram o estado mental, chamadas de substâncias psicoativas (SPA), acontece há milhares de anos e muito provavelmente vai acompanhar toda a história da humanidade. Quer seja por razões culturais ou religiosas, por recreação ou como forma de enfrentamento de problemas, para transgredir ou transcender, como meio de socialização ou para se isolar, o homem sempre se relacionou com as drogas.
Essa relação do indivíduo com cada substância psicoativa pode, dependendo do contexto, ser inofensiva ou apresentar poucos riscos, mas também pode assumir padrões de utilização altamente disfuncionais, com prejuízos biológicos, psicológicos e sociais. Isso justifica os esforços para difundir informações básicas e confiáveis a respeito de um dos maiores problemas de saúde pública que afeta, direta ou indiretamente, a qualidade de vida de todo ser humano.
𝐃𝐨 𝐮𝐥𝐭𝐫𝐚𝐩𝐚𝐬𝐬𝐚𝐝𝐨 𝐜𝐨𝐧𝐜𝐞𝐢𝐭𝐨 𝐦𝐨𝐫𝐚𝐥 𝐚𝐨𝐬 𝐬𝐢𝐬𝐭𝐞𝐦𝐚𝐬 𝐜𝐥𝐚𝐬𝐬𝐢𝐟𝐢𝐜𝐚𝐭𝐨𝐫𝐢𝐨𝐬 𝐚𝐭𝐮𝐚𝐢𝐬
O conceito, a percepção humana e o julgamento moral sobre o consumo de drogas evoluíram constantemente e muito se basearam na relação humana com o álcool, por ser ele a droga de uso mais difundido e antigo. Os aspectos relacionados à saúde só foram mais estudados e discutidos nos últimos dois séculos, predominando, antes disso, visões preconceituosas dos usuários, vistos muitas vezes como “possuídos por forças do mal”, portadores de graves falhas de caráter ou totalmente desprovidos de “força de vontade” para não sucumbirem ao “vício”.
Atualmente estamos na 10ª Revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID - 10), a qual apresenta as descrições clínicas e diretrizes diagnósticas das doenças que conhecemos. Essa é a classificação utilizada por nosso sistema de saúde pública. Outro sistema classificatório bem conhecido em nosso meio é o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM - 4), da Associação Psiquiátrica Americana.
O diagnóstico da Síndrome de Dependência do Álcool pode estabelecer níveis de comprometimento ao longo de um período contínuo, entre o nunca ter experimentado até o gravemente enfermo, considerando os aspectos do grau de dependência relacionado com o grau de problemas.
Esse conceito de dependência transcende o modelo moral, que considerava beber excessivamente falha de caráter e até mesmo o modelo de doença “alcoolismo”, diagnóstico categorial, em que só se pode variar entre ser ou não portador da doença, sem permitir graduações de gravidade dos quadros; no qual a perda do controle, a presença de sintomas de tolerância e abstinência determinam o indivíduo como sendo ou não alcoolista (dependente de etílicos).
[...] Conforme conceituaram, na década de 70, os cientistas Edwards e Gross, os principais sinais e sintomas de uma Síndrome de Dependência do Álcool são os seguintes:
Estreitamento do repertório de beber: as situações em que o sujeito bebe se tornam mais comuns, com menos variações em termos de escolha da companhia, dos horários, do local ou dos motivos para beber, ficando ele cada vez mais estereotipado à medida que a dependência avança;
Saliência do comportamento de busca pelo álcool: o sujeito passa gradualmente a planejar seu dia a dia em função da bebida, como vai obtê-la, onde vai consumi-la e como vai recuperar-se, deixando as demais atividades em plano secundário;
Sensação subjetiva da necessidade de beber: o sujeito percebe que perdeu o controle, que sente um desejo praticamente incontrolável e compulsivo de beber;
Desenvolvimento da tolerância ao álcool: por razões biológicas, o organismo do indivíduo suporta quantidades cada vez maiores de álcool ou a mesma quantidade não produz mais os mesmos efeitos que no início do consumo;
Sintomas repetidos de abstinência: em paralelo com o desenvolvimento da tolerância, o sujeito passa a apresentar sintomas desagradáveis ao diminuir ou interromper a sua dose habitual. Surgem ansiedade e alterações de humor, tremores, taquicardia, enjoos, suor excessivo e até convulsões, com risco de morte;
Alívio dos sintomas de abstinência ao aumentar o consumo: nem sempre o sujeito admite, mas um questionamento detalhado mostrará que ele está tolerante ao álcool e somente não desenvolve os descritos sintomas na abstinência porque não reduz ou até aumenta gradualmente seu consumo, retardando muitas vezes o diagnóstico;
Reinstalação da síndrome de dependência: o padrão antigo de consumo pode se restabelecer rapidamente, mesmo após um longo período de não uso.
𝙰𝚍𝚊𝚙𝚝𝚊𝚍𝚘 𝚍𝚎: 𝚑𝚝𝚝𝚙://𝚠𝚠𝚠.𝚜𝚎𝚜𝚒𝚙𝚛.𝚘𝚛𝚐.𝚋𝚛/𝚌𝚞𝚒𝚍𝚎-𝚜𝚎-𝚖𝚊𝚒𝚜/𝚊𝚕𝚌𝚘𝚘𝚕-𝚎-𝚘𝚞𝚝𝚛𝚊𝚜-𝚍𝚛𝚘𝚐𝚊𝚜/𝚎𝚡𝚙𝚎𝚛𝚒𝚖𝚎𝚗𝚝𝚊𝚌𝚊𝚘-𝚞𝚜𝚘-𝚊𝚋𝚞𝚜𝚘-𝚎-𝚍𝚎𝚙𝚎𝚗𝚍𝚎𝚗𝚌𝚒𝚊-𝟷-𝟸𝟹𝟿𝟿𝟿-𝟸𝟷𝟼𝟸𝟺𝟺.𝚜𝚑𝚝𝚖𝚕
Assinale V (verdadeiro) ou F (falso) para a alternativa de acordo com o texto:
O texto afirma que o preconceito que vê usuários de drogas como “viciados sem caráter” é consequência dos estudos realizados sobre o assunto nos últimos duzentos anos.