Alfabetização no Brasil: importância, números e como o tema pode cair no vestibular
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Alfabetização no Brasil: importância, números e como o tema pode cair no vestibular

Brasil alcançou a menor taxa de analfabetismo da série histórica, mas 8,4 milhões de pessoas ainda não sabiam ler e escrever em 2025 

A alfabetização é fundamental para o acesso à educação, ao mercado de trabalho e ao exercício da cidadania. Aprender a ler e escrever permite compreender informações, comunicar-se e participar de diferentes atividades da vida cotidiana.

No Brasil, a taxa de analfabetismo entre pessoas com 15 anos ou mais caiu para 4,9% em 2025, o menor resultado da série histórica. Apesar do avanço, 8,4 milhões de brasileiros ainda não sabiam ler nem escrever. O País também enfrenta dificuldades na alfabetização infantil e no uso da leitura, da escrita e da matemática em situações cotidianas.

Para ajudar na preparação para as provas, o Portal Estratégia Vestibulares explica o que é alfabetização, apresenta os números mais recentes do Brasil e mostra como o assunto pode aparecer no Enem, nos vestibulares e na redação. 

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O que é alfabetização? 

A alfabetização é o processo de aprendizagem do sistema de escrita. Ela envolve compreender a relação entre letras e sons, ler palavras e textos, escrever e utilizar esses conhecimentos para se comunicar.

O processo não se resume à memorização do alfabeto. Uma pessoa alfabetizada precisa reconhecer palavras, compreender informações e produzir mensagens que possam ser entendidas por outras pessoas.

Na infância, a alfabetização funciona como base para a continuidade da aprendizagem. A leitura e a escrita são utilizadas para acompanhar conteúdos de Matemática, História, Geografia, Ciências e outras áreas.

O processo também pode ocorrer na juventude ou na vida adulta. Nesse caso, políticas de Educação de Jovens e Adultos (EJA) oferecem oportunidades para pessoas que não tiveram acesso à escola ou não concluíram os estudos na idade esperada

Qual é a importância da alfabetização? 

A alfabetização permite que uma pessoa leia documentos, compreenda instruções, preencha formulários, utilize serviços públicos e tenha acesso a informações relacionadas à saúde, ao trabalho e aos seus direitos.

Também é uma condição importante para a participação política. Ler notícias, conhecer propostas eleitorais e compreender leis e políticas públicas contribui para que o cidadão participe das decisões da sociedade.

No ambiente profissional, a leitura e a escrita são necessárias para interpretar avisos, registrar informações, acompanhar procedimentos e utilizar ferramentas digitais. Mesmo ocupações que não exigem formação acadêmica podem envolver aplicativos, sistemas eletrônicos e instruções escritas.

A alfabetização ainda influencia o acesso às demais etapas da educação. Uma dificuldade não identificada nos primeiros anos escolares pode afetar a compreensão de textos, a resolução de problemas e o desempenho em diferentes disciplinas.

O direito à educação está previsto no artigo 205 da Constituição Federal, que atribui ao Estado e à família o dever de promovê-la, com a colaboração da sociedade.

Qual é a diferença entre alfabetização e letramento? 

Embora estejam relacionados, alfabetização e letramento não são sinônimos.

A alfabetização corresponde à aprendizagem do sistema de leitura e escrita. Já o letramento está relacionado ao uso dessas habilidades nas práticas sociais.

Uma pessoa pode, por exemplo, conseguir ler palavras e frases simples, mas encontrar dificuldades para interpretar uma reportagem, comparar informações ou compreender um contrato. Nesse caso, ela domina parte do código escrito, mas possui limitações para utilizá-lo em situações mais complexas.

Também existem diferentes conceitos utilizados nas pesquisas sobre o tema:

  • Analfabetismo: situação de quem não consegue ler e escrever uma mensagem simples;
  • Alfabetismo rudimentar: capacidade de reconhecer palavras e informações básicas, mas com dificuldade para compreender textos e realizar cálculos simples;
  • Alfabetismo funcional: capacidade de utilizar leitura, escrita e matemática para resolver problemas da vida cotidiana;
  • Letramento digital: capacidade de localizar, interpretar, produzir e avaliar informações em ambientes digitais.

Distinguir esses conceitos é fundamental para interpretar corretamente os dados educacionais.

Quantas pessoas são analfabetas no Brasil? 

Em 2025, o Brasil possuía 8,4 milhões de pessoas com 15 anos ou mais que não sabiam ler e escrever, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua).

A taxa de analfabetismo foi de 4,9%, o menor resultado desde o início da série histórica, em 2016. Também foi a primeira vez que o indicador ficou abaixo de 5%. Em 2024, eram 9,1 milhões de pessoas analfabetas, o equivalente a 5,3% da população dessa faixa etária.

Os dados, entretanto, mostram diferenças regionais e geracionais. O Nordeste concentrava aproximadamente 4,8 milhões de pessoas analfabetas, o equivalente a 57% do total brasileiro. A taxa regional era de 10,6%, enquanto o índice registrado no Sudeste era de 2,3% e, no Sul, de 2,4%.

A idade também interfere no resultado. Cerca de 4,9 milhões de pessoas analfabetas tinham 60 anos ou mais, grupo que representava 58% do total. A concentração entre idosos está relacionada ao período em que o acesso à escola era mais limitado, especialmente nas áreas rurais e entre as famílias de baixa renda.

Como está a alfabetização das crianças brasileiras? 

Outro indicador acompanha a aprendizagem das crianças ao final do 2º ano do Ensino Fundamental. Nessa etapa, espera-se que o estudante consiga ler palavras, frases e pequenos textos, localizar informações explícitas e fazer inferências básicas.

Segundo o Indicador Criança Alfabetizada, divulgado pelo Inep, o percentual de estudantes alfabetizados ao final do 2º ano passou de 56% em 2023 para 59% em 2024 e 66% em 2025.

O resultado mostra uma recuperação, mas também indica que aproximadamente um terço das crianças avaliadas ainda não havia alcançado o padrão nacional de alfabetização.

O Compromisso Nacional Criança Alfabetizada estabelece como meta que, até 2030, pelo menos 80% das crianças brasileiras estejam alfabetizadas ao final do 2º ano. Para alcançar esse objetivo, a política envolve formação de professores, avaliação da aprendizagem, materiais didáticos e estratégias de recuperação. 

O que é analfabetismo funcional? 

O analfabetismo funcional ocorre quando uma pessoa possui algum domínio da leitura e da escrita, mas não consegue utilizar essas habilidades com autonomia em diferentes situações.

Essa dificuldade pode aparecer ao interpretar uma bula de medicamento, compreender uma conta, comparar preços, ler um gráfico, preencher um formulário ou avaliar a confiabilidade de uma informação publicada na internet.

O Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf) avalia pessoas entre 15 e 64 anos por meio de atividades de leitura, escrita, matemática e uso de informações digitais.

Na edição de 2024, 29% dos brasileiros dessa faixa etária foram considerados analfabetos funcionais. O grupo era formado por 7% classificados no nível analfabeto e 22% no nível rudimentar.

Os demais participantes foram distribuídos entre os níveis elementar, com 36%; intermediário, com 25%; e proficiente, com 10%. O estudo também identificou uma relativa estagnação dos níveis de alfabetismo funcional nos últimos 15 anos.

Os dados do IBGE e do Inaf não são contraditórios. O IBGE mede uma habilidade básica, relacionada à capacidade de ler e escrever uma mensagem simples. O Inaf aplica testes para verificar se a pessoa consegue compreender e utilizar informações em situações cotidianas. Por isso, a porcentagem de analfabetismo funcional é maior.

Quais são os desafios da alfabetização no Brasil? 

A redução do analfabetismo depende de políticas voltadas a diferentes grupos. Para as crianças, os desafios envolvem assegurar acesso à escola, frequência, professores preparados, materiais adequados e acompanhamento contínuo da aprendizagem.

Entre jovens, adultos e idosos, é necessário ampliar o acesso à EJA e criar condições para a permanência dos estudantes. Horários incompatíveis com o trabalho, deslocamento, responsabilidades familiares e experiências anteriores de exclusão escolar podem dificultar o retorno à sala de aula.

As diferenças regionais mostram ainda que a alfabetização está relacionada a desigualdades históricas, econômicas e territoriais. Municípios com menor capacidade de financiamento podem enfrentar dificuldades para garantir infraestrutura, bibliotecas, transporte escolar e equipes pedagógicas.

Outro desafio é incorporar as práticas digitais. Saber reconhecer palavras não é suficiente para utilizar serviços eletrônicos, identificar tentativas de fraude, pesquisar informações e distinguir conteúdos confiáveis de desinformação.

Como a alfabetização pode cair no vestibular? 

O tema pode ser explorado de forma interdisciplinar. As bancas podem apresentar gráficos, mapas, textos acadêmicos, reportagens, campanhas públicas e obras literárias.

Em História, a alfabetização pode aparecer relacionada à exclusão educacional durante os períodos colonial e imperial, à ampliação da escola pública, à Educação de Jovens e Adultos e aos projetos educacionais do século XX.

Um nome importante é Paulo Freire, que desenvolveu experiências de alfabetização de adultos baseadas no diálogo e na realidade dos estudantes. O projeto realizado em Angicos, no Rio Grande do Norte, em 1963, tornou-se uma referência da educação brasileira. Conheça a trajetória e as contribuições de Paulo Freire.

Em Linguagens, podem aparecer os conceitos de alfabetização, letramento, gêneros textuais e práticas sociais de leitura. Textos de Paulo Freire também podem ser utilizados para discutir a relação entre linguagem, educação e transformação social.

Na Matemática, os dados permitem cobrar porcentagem, variação percentual, leitura de tabelas e interpretação de gráficos. Uma questão pode pedir, por exemplo, a diferença em pontos percentuais entre as taxas de duas regiões.

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Como usar a alfabetização na redação? 

A alfabetização pode aparecer em propostas sobre direito à educação, desigualdade social, inclusão digital, cidadania e acesso ao mercado de trabalho.

Como repertório, o candidato pode utilizar o artigo 205 da Constituição, os dados do IBGE, o Inaf e as ideias de Paulo Freire. O filme Central do Brasil, de Walter Salles, também permite discutir analfabetismo, exclusão social e acesso à comunicação. 

Na proposta de intervenção, podem ser mencionadas ações como busca ativa de pessoas que abandonaram os estudos, ampliação da EJA, formação continuada de professores, fortalecimento das bibliotecas e oferta de programas de alfabetização digital.

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A alfabetização é um assunto que conecta educação, desigualdade social, cidadania e políticas públicas. Para as provas, é importante conhecer os diferentes conceitos, interpretar corretamente os indicadores e relacionar os dados ao contexto brasileiro.

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