El Niño 2026: como funciona, por que o fenômeno pode ser tão intenso e como cai no vestibular
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El Niño 2026: como funciona, por que o fenômeno pode ser tão intenso e como cai no vestibular

Evento tem mais de 90% de probabilidade de atingir intensidade muito forte; entenda o aquecimento do Pacífico e os possíveis efeitos no Brasil

O El Niño voltou a atuar em 2026 e está ganhando força no Oceano Pacífico Equatorial. As projeções indicam mais de 90% de probabilidade de o fenômeno alcançar intensidade muito forte entre a primavera de 2026 e o verão de 2026/2027 no Hemisfério Sul.

A possível intensidade está relacionada ao aquecimento das águas superficiais e profundas do Pacífico, ao enfraquecimento dos ventos alísios e à interação entre o oceano e a atmosfera. Esse conjunto de fatores pode alterar os padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do mundo.

No Brasil, o fenômeno costuma favorecer chuvas acima da média na Região Sul e condições mais quentes e secas em áreas do Norte e do Nordeste. Para ajudar na preparação para as provas, o Portal Estratégia Vestibulares explica como o El Niño funciona, por que ele pode ser tão intenso em 2026 e como o assunto aparece no Enem e nos vestibulares.

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O que é El Niño?

El Niño é a fase quente de um fenômeno natural conhecido como El Niño-Oscilação Sul, ou Enos. Ele é caracterizado pelo aquecimento anormal e persistente das águas superficiais e subsuperficiais do Oceano Pacífico Equatorial central e leste.

O Enos apresenta três fases:

  • El Niño: aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial;
  • La Niña: resfriamento anormal dessas águas; e
  • Neutralidade: período em que não há atuação significativa de nenhuma das duas fases.

O fenômeno recebe esse nome porque pescadores do Peru observaram, há séculos, a chegada de águas mais quentes próximo ao Natal. A expressão espanhola El Niño é uma referência ao menino Jesus.

Embora comece no Pacífico, o El Niño modifica a circulação atmosférica e pode afetar as temperaturas e os regimes de chuva em diferentes continentes. Essas influências distantes são chamadas de teleconexões climáticas.

Como funciona o El Niño?

Em condições normais, os ventos alísios sopram de leste para oeste sobre o Pacífico Equatorial. Eles empurram as águas superficiais mais quentes em direção à Oceania e ao Sudeste Asiático.

Na costa oeste da América do Sul, o deslocamento da água permite a subida de águas profundas, frias e ricas em nutrientes. Esse processo é chamado de ressurgência e tem importância para a atividade pesqueira de países como Peru e Equador.

A diferença de temperatura também organiza uma circulação atmosférica conhecida como Célula de Walker. O ar quente e úmido sobe na porção oeste do Pacífico, produzindo nuvens e chuvas. Na parte leste, próxima à América do Sul, predomina o movimento de descida do ar.

Durante o El Niño, os ventos alísios enfraquecem e podem apresentar inversões temporárias. Com isso, a água quente deixa de ficar concentrada no oeste e se desloca em direção às porções central e leste do Pacífico.

Esse processo provoca:

  • Aquecimento das águas próximas à costa da América do Sul;
  • Enfraquecimento da ressurgência;
  • Redução da chegada de nutrientes à superfície;
  • Mudança na formação de nuvens sobre o Pacífico;
  • Deslocamento das áreas de chuva; e
  • Alteração dos ventos e da circulação atmosférica.

A atmosfera também reage ao aquecimento do oceano. As áreas de pressão e os movimentos do ar se modificam, reforçando as mudanças nas águas do Pacífico. Por isso, o El Niño é classificado como um fenômeno oceânico-atmosférico.

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Quando o El Niño de 2026 começou?

No começo de 2026, o Pacífico ainda apresentava sinais associados à La Niña. Nos meses seguintes, as águas da região equatorial aqueceram rapidamente e o oceano passou por um período de neutralidade.

Em junho, o Centro de Previsão Climática da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos, o CPC/NOAA, confirmou o estabelecimento do El Niño.

Desde então, o fenômeno continuou se intensificando. Em setembro, o CPC/NOAA informou que o El Niño estava em fortalecimento e calculou probabilidade superior a 90% de ocorrência de um evento muito forte durante o segundo semestre de 2026 e o início de 2027.

No Brasil, o acompanhamento é realizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e por outros órgãos que participam do Painel El Niño 2026-2027.

O que significa um El Niño muito forte?

A intensidade do fenômeno é avaliada principalmente a partir das anomalias da temperatura da superfície do mar. Uma anomalia representa a diferença entre a temperatura observada e a média histórica de determinada região do oceano.

O monitoramento brasileiro considera muito forte o evento no qual as anomalias de temperatura do Pacífico Equatorial superam 2 °C. Em setembro de 2026, áreas do Pacífico Equatorial leste já apresentavam desvios superiores a esse valor.

O NOAA também utiliza o Índice Oceânico Niño Relativo, conhecido pela sigla Roni. O indicador mede o aquecimento da região Niño 3.4 em comparação com a temperatura média das águas tropicais.

Segundo a projeção divulgada em 10 de setembro, existe 75% de probabilidade de a média entre outubro e dezembro atingir ou superar 2,5 °C no Roni. Esse resultado colocaria o episódio entre os mais intensos do registro mantido desde 1950.

A classificação, entretanto, só poderá ser confirmada depois da análise das temperaturas observadas durante os próximos meses. Por isso, ainda não é possível afirmar que o evento será o maior já registrado.

Termos como “super El Niño” são utilizados em notícias e debates públicos, mas não representam uma categoria oficial adotada de maneira uniforme pelos centros meteorológicos.

Por que o El Niño de 2026 pode ser tão intenso?

A projeção de um evento muito forte está baseada na combinação de diferentes sinais observados no oceano e na atmosfera.

Grande quantidade de calor abaixo da superfície

O Pacífico Equatorial acumulou uma grande quantidade de água quente abaixo da superfície. Em agosto, foram observadas áreas com temperaturas superiores em mais de 10 °C à média para determinadas profundidades.

Esse reservatório de calor pode alcançar a superfície e sustentar o aquecimento durante os próximos meses. Quanto maior a quantidade de calor armazenada no oceano, maior é o potencial de fortalecimento do fenômeno.

Enfraquecimento dos ventos alísios

Os ventos alísios normalmente empurram as águas quentes para o oeste. Em 2026, foram registradas anomalias de ventos vindos do oeste em áreas do Pacífico Equatorial.

Esses ventos dificultam o deslocamento normal das águas e favorecem o avanço da água quente em direção ao centro e ao leste do oceano.

Ondas de Kelvin

As mudanças nos ventos produziram ondas oceânicas de Kelvin, que transportam água quente abaixo da superfície em direção à costa da América do Sul.

Quando essas ondas chegam ao Pacífico leste, aprofundam a termoclina — faixa que separa as águas superficiais mais quentes das águas profundas e frias — e reduzem a ressurgência.

Interação entre oceano e atmosfera

O aquecimento do Pacífico modifica a circulação dos ventos. A mudança nos ventos, por sua vez, permite que mais água quente avance para o leste.

Esse mecanismo de retroalimentação fortalece o fenômeno: o oceano aquecido altera a atmosfera, e a atmosfera passa a favorecer um aquecimento ainda maior.

Em setembro, o NOAA identificou águas superficiais mais quentes, temperaturas elevadas em profundidade e alterações nos ventos de baixos e altos níveis. O conjunto indicava uma interação oceano-atmosfera compatível com o fortalecimento do El Niño.

O aquecimento global provoca o El Niño?

O El Niño é um fenômeno natural e não é provocado pelas mudanças climáticas. Episódios de aquecimento e resfriamento do Pacífico ocorreram antes do aumento recente das emissões de gases de efeito estufa.

O aquecimento global, entretanto, eleva a temperatura média dos oceanos e da atmosfera. Isso significa que um El Niño passa a atuar sobre um planeta mais quente.

Segundo a Organização Meteorológica Mundial, o fenômeno não é causado pela mudança climática, mas seus efeitos podem ser ampliados porque oceanos e atmosfera mais quentes fornecem mais energia e umidade para ondas de calor e chuvas intensas.

Pesquisadores ainda estudam como o aquecimento global poderá modificar a frequência e a intensidade dos episódios de El Niño. Não existe consenso de que todos os eventos ficarão mais fortes, mas projeções indicam aumento da variabilidade das chuvas associadas ao fenômeno.

Quais podem ser os efeitos do El Niño de 2026 no Brasil?

Os efeitos do El Niño não são iguais em todo o território brasileiro. Eles também dependem de fatores como as condições do Oceano Atlântico, a passagem de frentes frias, a umidade do solo e a atuação de outros sistemas atmosféricos.

Para o trimestre de setembro a novembro de 2026, o Painel El Niño indica chuvas acima da média em áreas da Região Sul e abaixo da média em grande parte do centro-norte do País.

Entre os possíveis efeitos estão:

  • Região Sul: maior frequência de chuvas, temporais, enchentes e deslizamentos. O El Niño favorece o transporte de umidade para a região e pode manter as frentes frias por mais tempo;
  • Região Norte: redução das chuvas em áreas da Amazônia, diminuição dos níveis dos rios, aumento das temperaturas e maior risco de incêndios florestais;
  • Região Nordeste: possibilidade de chuvas abaixo da média, principalmente no norte da região, além de temperaturas elevadas e agravamento da seca;
  • Região Centro-Oeste: calor mais intenso, baixa umidade, prolongamento do período seco e possível atraso na regularização das chuvas;
  • Região Sudeste: efeitos mais variáveis, com possibilidade de temperaturas elevadas e distribuição irregular das chuvas. Frentes frias e a Zona de Convergência do Atlântico Sul ainda podem provocar episódios de precipitação intensa.

O Cemaden destaca que o principal risco no Sul é a ocorrência de chuvas intensas e inundações, enquanto grande parte do restante do Brasil pode enfrentar déficit de chuva e temperaturas elevadas.

Esses padrões representam tendências climáticas e não uma previsão diária. Um período de seca pode apresentar dias de chuva, assim como uma estação mais chuvosa pode ter intervalos de tempo seco.

Quais setores podem ser afetados?

Na agricultura, o excesso de chuva pode prejudicar o plantio, a colheita e o transporte da produção no Sul. Em áreas do centro-norte do Brasil, o déficit de precipitação pode reduzir a umidade do solo e afetar lavouras e pastagens.

Na geração de energia, mudanças nas chuvas alteram os níveis dos rios e reservatórios utilizados pelas hidrelétricas. A seca também pode dificultar a navegação e o abastecimento de comunidades da Amazônia.

Na saúde, temperaturas elevadas e fumaça de queimadas podem agravar doenças respiratórias e cardiovasculares. Enchentes aumentam o risco de contaminação da água e de doenças como a leptospirose.

A pesca no Pacífico leste também pode ser afetada. O enfraquecimento da ressurgência reduz a chegada de nutrientes à superfície e pode diminuir a disponibilidade de peixes próximos à costa do Peru e do Equador.

El Niño e La Niña: qual é a diferença?

Durante o El Niño, os ventos alísios enfraquecem, as águas do Pacífico central e leste aquecem e a ressurgência na costa sul-americana perde intensidade.

Na La Niña, ocorre o processo contrário. Os ventos alísios ficam mais fortes, empurram mais água quente para o oeste e favorecem a subida de águas frias no Pacífico leste.

No Brasil, de maneira geral:

  • O El Niño favorece chuvas no Sul e condições mais secas no Norte e no Nordeste;
  • A La Niña pode reduzir as chuvas no Sul e aumentar a precipitação em áreas do Norte e do Nordeste.

Os efeitos não são automáticos nem idênticos em todos os episódios. As condições do Atlântico e outros sistemas atmosféricos podem intensificar ou reduzir essas tendências.

Como o El Niño pode cair no vestibular?

O fenômeno é cobrado principalmente em Geografia e Ciências da Natureza. As questões podem apresentar mapas, gráficos de temperatura do oceano, imagens de satélite e esquemas da circulação atmosférica.

Entre os conteúdos que podem aparecer estão:

  • Funcionamento dos ventos alísios;
  • Aquecimento do Pacífico Equatorial;
  • Célula de Walker;
  • Ressurgência na costa da América do Sul;
  • Diferenças entre El Niño e La Niña;
  • Distribuição das chuvas no Brasil;
  • Pesca no litoral do Peru;
  • Agricultura e geração de energia;
  • Secas, enchentes e queimadas;
  • Mudanças climáticas; e
  • Interpretação de anomalias de temperatura e precipitação.

Uma questão pode apresentar um mapa com águas mais quentes no Pacífico central e leste e pedir a identificação do fenômeno. Outra possibilidade é relacionar o El Niño às chuvas acima da média na Região Sul e ao déficit de precipitação no Norte e no Nordeste.

A Unicamp, por exemplo, já cobrou a relação entre o aquecimento do Pacífico, a atividade pesqueira no Peru e as alterações das chuvas no Nordeste. 

Também é importante evitar algumas afirmações incorretas:

  • O El Niño não é provocado pelo aquecimento global;
  • O fenômeno não ocorre todos os anos;
  • Os ventos alísios enfraquecem, em vez de se intensificarem;
  • Os impactos não são iguais em todas as regiões; e
  • Um El Niño muito forte não garante que todos os eventos extremos serão mais intensos.

Como utilizar o El Niño na redação?

O fenômeno pode ser utilizado como repertório em temas sobre mudanças climáticas, prevenção de desastres, desigualdade social, segurança alimentar, recursos hídricos e planejamento urbano.

O candidato pode argumentar que fenômenos naturais não se transformam automaticamente em desastres. Os prejuízos dependem também da ocupação de áreas de risco, da infraestrutura das cidades, dos sistemas de alerta e das políticas de prevenção.

Outra possibilidade é abordar os impactos desiguais das alterações climáticas. Secas, enchentes e perdas agrícolas atingem com maior intensidade populações que possuem menos recursos para se proteger ou reconstruir a própria vida.

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O El Niño reúne conteúdos de climatologia, oceanografia, agricultura, energia e meio ambiente. Para compreender o fenômeno, é necessário relacionar o aquecimento do Pacífico às mudanças nos ventos e nos regimes de chuva.

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