A regência pertence à categoria da sintaxe que estuda as relações de dependência e subordinação estabelecidas entre os termos de uma oração. Ela designa o modo como um termo principal, chamado de regente (que pode ser um verbo ou um nome), exige a presença de um termo complementar, o regido, para completar ou especificar o seu sentido. Essa relação é o que determina a necessidade — ou a ausência — de uma preposição para ligar os elementos, garantindo que a estrutura frasal esteja de acordo com a norma culta da língua.
Individualmente, a regência divide-se em duas esferas: a regência verbal, que foca na relação entre os verbos e seus objetos, e a regência nominal, que trata do vínculo entre substantivos, adjetivos ou advérbios e seus respectivos complementos. Uma característica fundamental desse mecanismo é a sua capacidade de alterar o valor semântico de uma palavra; muitos verbos mudam completamente de significado conforme a preposição adotada, como no caso do verbo “assistir”, que pode significar “ver/presenciar” (com preposição) ou “prestar assistência/ajudar” (sem preposição).
No contexto da produção de documentos e da organização bibliográfica, o domínio da regência é indispensável para assegurar a precisão e a elegibilidade dos textos. Erros de regência podem gerar ambiguidades que dificultam a interpretação técnica ou científica de uma obra. Por ser um campo complexo e sujeito a variações históricas, o uso de dicionários de regência é uma prática comum entre revisores e catalogadores para manter a integridade linguística e a padronização das informações registradas.
Fontes consultadas:
- BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. Nova Fronteira, 2009.
- CEGALLA, Domingos Paschoal. Dicionário de Dificuldades da Língua Portuguesa. Lexikon, 2009.
- FERNANDES, Francisco. Dicionário de Regência Verbal. Globo, 2007.
