Solos: composição, tipos e conservação

Solos: composição, tipos e conservação

Entenda como ocorre a formação dos solos, seus principais tipos, suas características, importância e mecanismos de conservação

O solo desempenha papel essencial na produção de alimentos, na regulação do ciclo da água e na sustentação dos ecossistemas. No entanto, devido à formação lenta, sua conservação é um grande desafio ambiental da atualidade.

O estudo dos solos integra clima, relevo, rochas e biologia para explicar suas características globais. Além disso, se conecta a fatores como à agropecuária, aos impactos ambientais e ao manejo sustentável, exigindo uma análise interdisciplinar.

Nesse texto, você vai entender a formação, os tipos, as características, a conservação e a importância dos solos. Acompanhe abaixo.

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Conceito e formação do solo

O solo é um recurso natural extremamente complexo e dinâmico. Ele corresponde à camada superficial da crosta terrestre, formada pela interação entre partículas minerais, matéria orgânica, água e ar.

É considerado um sistema vivo, pois abriga milhões de organismos, como bactérias, fungos, insetos e pequenos animais, fundamentais para a reciclagem de nutrientes e para o funcionamento dos ecossistemas.

A formação do solo (pedogênese) ocorre lentamente sob cinco fatores principais. O primeiro é a rocha-mãe, material de origem do solo. O segundo é o clima, fator mais importante, pois controla chuvas, temperatura e intemperismo.

Também influenciam o processo o relevo, que determina o escoamento da água, e os organismos vivos, responsáveis pela produção e decomposição da matéria orgânica. Além disso, o tempo é fundamental, pois solos maduros levam milhares de anos para se formar.

O mecanismo que transforma rochas em solo é o intemperismo. O intemperismo físico provoca fragmentação das rochas, sem alterar sua composição. Esse processo decorre da variação térmica que provoca dilatação e contração das rochas.

Já o intemperismo químico, predominante nos climas tropicais úmidos, modifica os minerais da rocha pela ação da água e reações químicas. Ele é responsável pela formação de solos profundos e desenvolvidos encontrados em grande parte do território brasileiro.

Horizontes do solo

O solo é organizado em diferentes camadas, chamadas horizontes. Cada horizonte possui características próprias dependentes das diferentes etapas do processo de formação.

Na superfície encontra-se o horizonte O, composto principalmente por folhas, galhos, raízes e organismos em decomposição. Essa camada recebe o nome de serrapilheira e, após a decomposição, origina húmus, rico em nutrientes.

A segunda camada é o horizonte A, considerada a mais fértil. Nela ocorre a mistura de partículas minerais e matéria orgânica decomposta, o que explica sua coloração mais escura. Nessa região concentra-se grande parte das raízes das plantas.

Logo após está o horizonte B que se caracteriza pelo acúmulo de argilas e minerais transportados pela água da chuva através da lixiviação. Em solos maduros, esse horizonte costuma ser bastante espesso e bem desenvolvido.

Em seguida encontra-se o horizonte C, constituído pela rocha parcialmente alterada, também chamada de saprólito. Por fim, o horizonte R corresponde à rocha-mãe intacta, que ainda não sofreu alterações significativas.

Tipos de solo

Os solos podem ser classificados de acordo com os fatores predominantes em sua formação. Essa classificação se divide em 3 categorias: zonais, intrazonais e azonais.

Os solos zonais são aqueles bem desenvolvidos e maduros, cuja principal influência é o clima. O exemplo clássico são os Latossolos, muito comuns nas regiões tropicais brasileiras, profundos e bastante intemperizados.

Os solos intrazonais apresentam maior influência de fatores locais, como relevo, excesso de água ou composição química específica. São comuns em áreas pantanosas, alagadas ou próximas a rios.

Os solos azonais são jovens, rasos e pouco desenvolvidos. Apresentam horizontes mal definidos por estarem em relevos íngremes ou áreas de deposição recente de sedimentos. Os Litossolos são o principal exemplo dessa categoria.

Textura dos solos

A textura do solo determina sua capacidade de armazenar água, nutrientes e ar. Ela varia conforme as proporções de areia, silte e argila, dividindo os solos principalmente em arenosos e argilosos.

Os solos arenosos possuem predominância de partículas grandes. Por isso também apresentam espaços grandes entre uma partícula e outra, os macroporos, permitindo elevada infiltração da água.

Como consequência, drenam rapidamente e retêm poucos nutrientes, tornando-se naturalmente menos férteis. Além disso, são bastante suscetíveis à erosão e ao processo de arenização.

Já os solos argilosos possuem partículas muito menores, formando grande quantidade de microporos. Esses poros retêm água por mais tempo e armazenam maior quantidade de nutrientes, favorecendo a fertilidade.

Assim, em contraste aos solos arenosos, apresentam drenagem lenta. Além disso, podem sofrer compactação devido ao uso intenso de máquinas agrícolas, além de ficarem sujeitos ao encharcamento.

Solos férteis do Brasil

A Terra Roxa, classificada como Nitossolo ou Latossolo Vermelho, originou-se da decomposição do basalto, rocha magmática extrusiva rica em minerais. É encontrada principalmente em São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul.

Sua elevada fertilidade favoreceu a expansão da economia cafeeira entre os séculos XIX e XX. Curiosamente, seu nome deriva da expressão italiana terra rossa (“terra vermelha”), adaptada pelos imigrantes para “terra roxa”.

Já o Massapê, típico da Zona da Mata Nordestina, desenvolveu-se sobre gnaisse e granito sob clima tropical úmido. Esse solo escuro, pesado e fértil sustentou historicamente o cultivo da cana-de-açúcar durante o período colonial.

Degradação dos solos

O uso inadequado do solo provoca problemas como a erosão, que remove suas partículas, seja pela ação da chuva (pluvial) ou seja pela ação do vento (eólica). O desmatamento acelera esse processo por retirar a proteção vegetal facilitando a remoção.

Já a lixiviação é a lavagem dos nutrientes pela chuva, empobrecendo o solo e aumentando sua acidez. Por outro lado, a salinização é o acúmulo de sais na superfície, causado por irrigação inadequada em regiões semiáridas, onde a evaporação os concentra.

A laterização ocorre em regiões com alternância entre períodos chuvosos e secos, acumulando óxidos de ferro e alumínio na superfície. Forma-se uma camada endurecida, a canga, que dificulta a penetração das raízes e reduz o potencial agrícola, fenômeno muito associado ao Cerrado.

Outro tema recorrente é a diferença entre desertificação e arenização. A desertificação ocorre em regiões áridas ou semiáridas, como o Sertão Nordestino, sendo agravada pelo uso excessivo do solo e pela retirada da vegetação.

Já a arenização acontece em áreas naturalmente úmidas e arenosas, como o sudoeste do Rio Grande do Sul. Nesse caso, a remoção da cobertura vegetal favorece o surgimento de extensos bancos de areia decorrente da erosão.

Conservação dos solos

Diversas práticas agrícolas reduzem os impactos ambientais e preservam a fertilidade do solo. As curvas de nível e o terraceamento diminuem a velocidade do escoamento superficial da água, reduzindo a erosão e evitando a formação de ravinas e voçorocas.

A rotação de culturas alterna espécies agrícolas, especialmente leguminosas que fixam nitrogênio, evitando o esgotamento de nutrientes. Já o plantio direto mantém sobre o solo a palhada da cultura anterior, protegendo-o contra o impacto da chuva, reduzindo a erosão e conservando a umidade.

Nesse sentido, a calagem consiste na aplicação de calcário para corrigir a acidez do solo, aumentando sua fertilidade. Essa técnica foi fundamental para tornar os solos naturalmente ácidos do Cerrado altamente produtivos, permitindo a expansão da cultura da soja.

Como o tema solo aparece nos vestibulares?

As bancas abordam o tema de forma interdisciplinar, relacionando Geografia, Biologia e Química. São comuns questões sobre intemperismo, pH do solo, calagem, ciclo do nitrogênio e rotação de culturas.

Também aparecem questões com interpretação de imagens, como perfis dos horizontes do solo e processos erosivos. Enem, Fuvest e Unicamp ainda relacionam modelos agrícolas aos impactos ambientais, como compactação, erosão e baixa fertilidade dos solos amazônicos.

Questão do vestibular sobre solos

Enem PPL (2021)

A agropecuária é uma das atividades humanas que causam maior impacto sobre o ambiente natural, alterando o equilíbrio ecológico e diminuindo a biodiversidade nos biomas. Dos seis biomas encontrados em território nacional, o que mais sofre pressão dessa atividade é o Pampa, que tem 71 % da sua área ocupada com estabelecimentos agropecuários.
Disponível em: http://saladeimprensa.ibge.gov.br. Acesso em: 7 nov. 2014.

Um impacto ambiental que vem se processando no Sul do Brasil em função dos excessos praticados pela atividade econômica descrita é a

A) uniformização da cobertura vegetal.
B) arenização dos solos regionais.
C) alteração da incidência solar.
D) eutrofização dos cursos de água.
E) ampliação das queimadas controladas

Alternativa Correta:

B

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