Compreender as funções dos complementos verbais e dos adjuntos adverbiais é fundamental para a análise sintática e construção de sentido nas orações. Dominar esse conteúdo faz diferença tanto na resolução de questões de gramática quanto na elaboração de um texto claro, coerente e coeso na prova de redação.
Pensando nisso, o Portal Estratégia Vestibulares preparou este artigo para ajudar você a entender as definições de complemento nominal e adjunto adverbial, suas diferenças e como identificá-los nos enunciados. Confira!
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Período simples: estrutura e termos
O que é o período simples?
Antes de tudo, é necessário relembrar que o período simples é um enunciado que apresenta sentido completo e contém apenas uma oração, ou seja, um único verbo ou locução verbal.
Nesse sentido, ao se deparar com um período simples, a primeira ação é identificar o verbo e o sujeito. A partir desse passo inicial, ficará mais fácil analisar os demais elementos que compõem a oração.
Na oração, os termos podem ser classificados em:
- Termos essenciais da oração: sujeito e predicado;
- Termos integrantes da oração: complementos verbais (objeto direto e objeto indireto, que completam o sentido do verbo) e complemento nominal (que completam o sentido do nome); e
- Termos acessórios da oração: adjunto adverbial, adjunto adnominal e aposto.
Assim, é comum existir a dúvida sobre a diferença entre um termo que “completa” o verbo e um termo que “modifica” a ação.
Complementos verbais
O que são?
Os complementos verbais são termos integrantes da oração, ou seja, são indispensáveis para o sentido completo de um verbo transitivo. Se retirados, a frase perde sentido ou muda drasticamente.
Esses complementos verbais podem ser objeto direto ou objeto indireto do verbo.
Objeto direto (OD)
O objeto direto completa o sentido de um verbo transitivo direto sem preposição. Ele pode ser um substantivo, uma palavra substantivada (uma palavra que não é um substantivo mas torna-se ao ser precedido por um artigo), um pronome oblíquo (o, a, os, as), uma oração ou um numeral. Para identificar o objeto direto pode-se perguntar “o quê?” ou “quem?” ao verbo.
Exemplos:
- “Comprei um carro novo” (Pergunta: “comprou o quê?”; Objeto direto: um carro novo;
- “Encontrei meu amigo.” (Pergunta: “encontrou o quem?”; Objeto direto: “meu amigo”);
- “Todos criticaram o falar apressado do gerente na reunião” (Pergunta: “criticaram o quê?”; Objeto direto: o falar apressado do gerente);
- “Quando os vi, percebi que estavam tão exaustos quanto nós” (Pergunta: perceberam o quê? ; Objeto direto: que estavam tão exaustos quanto nós);
- “Convidei-as para a festa de aniversário.” (Pergunta: “convidou quem?”; Objeto direto: as (o pronome oblíquo, nesse caso, pode ser substituído por outro termo feminino que faça sentido, como “minhas primas”);
- “Considerando os jogadores dos treinos anteriores, o técnico selecionou dois para compor a equipe principal” (Pergunta: selecionou o quê? ; Objeto direto: dois)
Objeto indireto (OI)
O objeto indireto completa o sentido de um verbo transitivo indireto, utilizando obrigatoriamente uma preposição. Para identificar a transitividade, você pode tentar perguntar “de quê?”, “em quê?”, “para quem?”, “a quê?”, por exemplo, ao verbo.
As principais preposições utilizadas com o verbo transitivo indireto são “a”, “de”, “em”, “para”, “com” (e contrações das preposições com artigos). Ademais, o objeto indireto também pode ser um pronome oblíquo (lhe, lhes) ou uma oração substantiva.
Exemplos:
- “Precisamos de ajuda.” (Precisamos de quê? De ajuda);
- “Obedeceu-lhe prontamente.” (Obedeceu a quem? A ele [-lhe]);
- “A conversa convenceu-me de que preciso ler mais livros.” (Convenceu-me de quê? De que preciso ler mais livros).
Objeto direto e indireto (OD + OI)
Os verbos bitransitivos exigem dois complementos: um objeto direto e um objeto indireto, para fazer sentido.
Exemplos:
- “Entreguei o presente (OD) ao aniversariante (OI).”;
- “O professor informou o dia da prova (OD) aos alunos (OI).”;
- “O rapaz deu-lhe (OI) uma rosa (OD)”.
Pronomes oblíquos como objeto direto ou indireto
Pode acontecer de o pronome oblíquo desempenhar a função de objeto direto mesmo quando normalmente ele é usado como objeto indireto. Observe o exemplo:
- “Abraçou-lhe afetuosamente”;
- O verbo abraçar normalmente não exige preposição e o “lhe” está substituindo alguém, como “o filho”;
- Nesse sentido, uma frase equivalente substituindo o “lhe” poderia ser: Abraçou o filho profundamente. Nesse caso, “lhe” funciona como objeto direto, ainda que normalmente “lhe” seja usado como objeto indireto.
Complemento verbal x complemento nominal
Apesar de também ser um termo integrante, o complemento adnominal diferencia-se do verbal porque completa o sentido de um nome e não de um verbo. Esse nome pode ser um substantivo, adjetivo ou advérbio e está sempre acompanhado de preposição.
Um exemplo de complemento nominal está em “Maria tem medo de insetos”, em que o complemento nominal do substantivo “medo” é “de insetos”.
Adjuntos adverbiais
O que são?
Como já foi abordado acima, os adjuntos adverbiais são definidos sintaticamente como termos acessórios da oração. Ou seja, são palavras ou expressões responsáveis por adicionar circunstâncias à ação verbal (ou a um adjetivo, ou a outro advérbio), mas não são essenciais para o sentido do verbo, pois podem ser removidos sem prejuízo para o entendimento da frase.
Veja o exemplo:
- “As crianças brincaram no parque.” → Frase com o adjunto adverbial, mais detalhada;
- “As crianças brincaram.” → Frase sem adjunto adverbial, sem detalhamento da ação, mas com o sentido preservado.
Classificação dos adjuntos adverbiais
Os adjuntos podem ainda ser classificados nos principais tipos:
Tipo | Adjuntos adverbiais | Exemplo |
Lugar | aqui, ali, lá, cá, dentro, fora, acima, abaixo | Eu estudei aqui. |
Tempo | hoje, ontem, amanhã, cedo, tarde, à noite, agora | O transporte chegou agora. |
Negação | não, nunca, jamais | Nunca aceitei o convite. |
Assunto | sobre, acerca de, a respeito de | Iniciamos a reunião sobre as metas da empresa. |
Modo | bem, mal, calmamente, rapidamente, devagar | Falou calmamente. |
Intensidade | muito, pouco, bastante, demais, tão, mais, menos | Meu filho estudou muito. |
Causa | por causa de, devido a, por motivo de | Ele saiu da empresa por causa de um mal-entendido. |
Finalidade | para, a fim de, com o objetivo de | Eu estudo para ser médico. |
Meio | por correio, por fax, de ônibus, de avião, de carro etc. | Viajou de ônibus. |
Companhia | com, junto de, acompanhado de | Eu marquei a reunião com a equipe. |
Instrumento | com, por meio de, através de | Ela escreveu com uma caneta preta. |
Dúvida | talvez, possivelmente, quem sabe | Talvez eu vá à festa. |
Afirmação | sim, certamente, com certeza | Sim, eu sei pintar. |
Negação | não, nunca, de forma alguma | Não gosto de festas. |
Dessa forma, o adjunto adverbial pode aparecer nas formas de:
- Advérbio (ex.: de afirmação, negação, lugar, modo, tempo, dúvida): “Ontem eu jantei cedo”;
- Locução adverbial (ex.: de tempo, modo, lugar): “Arrumei a casa às pressas”; ou
- Oração subordinada adverbial (ex.: causal, comparativa, concessiva, condicional, conformativa, consecutiva, final, proporcional): “Não jantei, pois estava sem apetite”.
Adjunto adverbial, adjunto adnominal e aposto: diferenças
Enquanto o adjunto adverbial adiciona mais informações ao verbo, adjunto adnominal é uma palavra ou locução (adjetivos, artigos, numerais e pronomes) que adiciona mais informações sobre o substantivo, qualificando-o, especificando-o ou quantificando-o. Exemplo: “Aquela* casa azul é minha” (“Aquela” e “azul” são adjuntos adnominais).
O aposto também é um termo acessório, mas sua função é explicar, exemplificar, resumir, ou especificar outro termo anterior da oração. Ele pode vir entre vírgulas, dois-pontos ou travessões. Exemplo: “Só tenho um objetivo: passar no Enem” (“passar no Enem” é aposto explicativo).
Como diferenciar objeto indireto do adjunto adverbial?
O adjunto adverbial e o objeto indireto podem ser confundidos em alguns casos devido à presença da preposição.
Por isso, é necessário perceber se ao remover a expressão o verbo fica com sentido incompleto ou não. Afinal, lembre-se: o objeto do verbo é um elemento integrante da oração, enquanto o adjunto adverbial é apenas acessório.
Para compreender melhor, observe os exemplos a seguir:
- “Eu preciso de ajuda.” (OI: “de ajuda” é essencial para o sentido do verbo, pois quem precisa, precisa “de algo/alguém” e, se remover, não será respondida a pergunta “do quê?”);
- “Minha tia veio de avião.” (adj. adv. de meio: “de avião”, apenas acrescenta informação do meio de transporte utilizado, visto que a frase “Minha tia veio” já tem sentido completo).
Verbos com regências múltiplas
É interessante notar que o mesmo verbo pode mudar de regência de acordo com a ideia que se quer expressar. Consequentemente, o verbo exige diferentes complementos. Veja os principais casos:
Assistir
a) Com o sentido de “ajudar” e “prestar assistência”: transitivo direto. Exemplo: “O médico assistiu o paciente”;
b) Com o sentido de “ver”, “presenciar”: transitivo indireto. Exemplo: “Assistimos ao filme recomendado pelo professor”.
Aspirar
a) Com o sentido de “sorver” ou “inalar”: transitivo direto. Exemplo: “A menina aspirou o perfume das flores”;
b) Com o sentido de “almejar” ou “pretender”: transitivo indireto. Exemplo: “A menina aspirava a uma vaga na universidade.”
Chamar
a) Com o sentido de “convocar” ou “solicitar” a presença ou a atenção de alguém: transitivo direto. Exemplo: “A diretoria chamou os alunos envolvidos na situação”;
b) Com o sentido de “denominar”: transitivo direto ou indireto. Exemplo: “Chamaram o homem herói do povo” (VTD + predicativo do objeto), ou “Chamaram ao homem herói do povo” (VTI + predicativo do objeto).
Implicar
a) Com o sentido de “ter como consequência” ou “acarretar em algo”: transitivo direto. Exemplo: “O atraso implicará prejuízos financeiros”;
b) Com o sentido de “ter implicância” ou “embirrar”: transitivo indireto. Exemplo: “O homem implica com os colegas de trabalho.”
Visar
a) Com o sentido de “mirar”, “pôr visto” ou “apontar”: transitivo direto. Exemplo: “O atirador visou o alvo”;
b) Com o sentido de “objetivar”, “almejar” ou “pretender”: transitivo indireto. Exemplo: “Os estudantes visam à aprovação no vestibular”.
Importância para Enem e vestibulares
Ao dominar a função de cada elemento sintático na construção do sentido das orações, como os complementos verbais e adjuntos adverbiais, você aprimora a clareza e a precisão do texto.
Esse conhecimento também contribui diretamente para a organização das ideias e a progressão textual, aspectos fundamentais para as competências 3 e 4 da redação do Enem.
Logo, você não somente evita deslizes gramaticais que envolvem a competência 1, mas se torna capaz de elaborar enunciados mais complexos com segurança.
Dicas para dominar complementos verbais e adjuntos adverbiais
- Analise a função de cada palavra na oração: identifique primeiro o verbo e pergunte “quem?”, para definir o sujeito, e “o que/de quê/a quem?” para identificar os complementos e adjuntos adverbiais;
- Exercite a diferença entre complemento e adjunto adverbial em diversas frases;
- Estude os verbos cuja regência costuma confundir; e
- Pratique com muitas questões sobre o assunto.
+ Veja também: Complementos verbais e adjuntos adnominais: conceito, características e exemplos
Sintaxe textual: conceito, como se articula dentro do texto e mais
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