As soluções químicas são misturas homogêneas de soluto e solvente, presentes em medicamentos, alimentos e indústrias. Compreender sua concentração permite determinar a quantidade de soluto existente em determinada quantidade de solução.
O estudo das soluções envolve diferentes formas de expressar a concentração, diluições, misturas e aplicações cotidianas. O domínio das unidades e relações matemáticas é essencial para interpretar problemas e evitar erros nos cálculos.
Nesse texto, você vai entender os principais conceitos, fórmulas, unidades e aplicações de concentração de soluções. Acompanhe abaixo.
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Conceito de concentração de soluções
Solução química é uma mistura homogênea, apresentando composição uniforme em toda a sua extensão. É formada, geralmente, por um soluto, substância que é dissolvida, e um solvente, componente responsável por dissolvê-la.
A concentração expressa quantitativamente quanto soluto está presente em determinada quantidade de solução ou de solvente. Esse conceito é fundamental porque duas soluções podem conter o mesmo soluto, mas apresentar concentrações diferentes.
Uma solução mais concentrada possui maior quantidade de soluto proporcionalmente à quantidade considerada de solução. Esse raciocínio direto aparece em muitas situações do cotidiano.
Exemplos incluem o preparo exato de medicamentos, a determinação da alcoolemia e a formulação de alimentos. Ele também orienta o controle rigoroso da qualidade da água e diversas análises laboratoriais.
Principais unidades de concentração
Concentração comum e densidade
A concentração comum (C) relaciona a massa do soluto com o volume da solução:
C = m₁/V
Onde: m₁ representa a massa do soluto, geralmente em gramas, e V corresponde ao volume da solução, geralmente em litros. Assim, a unidade mais utilizada é g/L.
Se uma solução apresenta concentração de 20 g/L, isso significa que existem 20 g de soluto em cada litro de solução. É importante não confundir concentração comum com densidade. A densidade relaciona a massa total da solução ao seu volume:
d = m/V
A diferença essencial está no numerador: a concentração comum considera apenas a massa do soluto, enquanto a densidade considera a massa de toda a solução, isto é, soluto + solvente. Por isso, uma solução pode apresentar concentração de 10 g/L e densidade de 1,1 g/mL, pois são grandezas diferentes.
Molaridade ou concentração em quantidade de matéria
A molaridade (M), também chamada concentração em quantidade de matéria, relaciona a quantidade de matéria do soluto ao volume da solução, em litros:
M = n₁/V
Sua unidade mais comum é mol/L. Como a quantidade de matéria pode ser calculada pela relação entre massa e massa molar:
n = m₁/M₁
substituindo na fórmula anterior, temos:
M = m₁/(M₁ · V)
Essa relação é muito importante em exercícios que fornecem a massa do soluto e sua massa molar, permitindo, portanto, a determinação da concentração molar.
Título em massa, volume e partes por milhão
O título em massa (τ) relaciona a massa do soluto à massa total da solução:
τ = m₁/m
Como é uma razão entre duas massas, o título não apresenta unidade. Quando multiplicado por 100, transforma-se em porcentagem em massa (% m/m). Assim, uma solução com 5% m/m contém 5 g de soluto para cada 100 g de solução.
Já o título em volume (% v/v) relaciona o volume do soluto ao volume da solução e é particularmente útil em misturas entre líquidos. Um exemplo cotidiano é a indicação da proporção de etanol em determinadas soluções alcoólicas.
Para concentrações extremamente pequenas, utiliza-se frequentemente a unidade partes por milhão (ppm). Ela expressa quantas partes de soluto existem em um milhão de partes de solução:
1 ppm = 1 parte de soluto/1.000.000 de partes de solução
Essa unidade aparece em problemas de poluição ambiental, como contaminantes na água ou no ar. Em soluções aquosas muito diluídas, 1 ppm corresponde a aproximadamente 1 mg/L, considerando a densidade da solução de 1 kg/L.
Diluição e mistura de soluções
A diluição ocorre quando se adiciona solvente a uma solução, diminuindo sua concentração. Nesse processo, a quantidade de soluto permanece constante, enquanto o volume total aumenta. Por isso, podemos utilizar:
Cᵢ · Vᵢ = Cf · Vf
ou, quando trabalhamos com molaridade:
Mᵢ · Vᵢ = Mf · Vf
O princípio fundamental é a conservação da quantidade de soluto. Um erro frequente é considerar que a quantidade de soluto aumenta durante a diluição, quando, na verdade, apenas a quantidade de solvente é aumentada.
Quando duas soluções contendo o mesmo soluto são misturadas, devemos somar as quantidades de soluto presentes em cada uma. Para concentração comum:
C₁V₁ + C₂V₂ = CfVf
Em muitos exercícios, o volume final pode ser considerado como a soma dos volumes iniciais desde que o enunciado não indique contração, expansão ou outra condição especial. Assim:
Vf = V₁ + V₂
Quando são misturadas soluções de solutos diferentes e sem reação química, cada soluto deve ser analisado individualmente. A concentração final de um determinado soluto depende da quantidade desse soluto presente e do volume final da mistura.
Quando ocorre uma reação química, o problema deixa de ser apenas uma questão de concentração e passa a envolver estequiometria. Esse processo é muito comum na prática de laboratório.
Nas titulações ácido-base, por exemplo, utiliza-se a proporção exata da equação química. Com isso, determina-se a quantidade exata de uma substância a partir daquela inicialmente conhecida de outra.
Como a concentração de soluções aparece nos vestibulares?
No Enem, a concentração de soluções costuma aparecer contextualizada em situações do cotidiano como saúde, alimentação, medicamentos, meio ambiente, indústria e análises químicas.
Já os Vestibulares tradicionais podem cobrar cálculos mais diretos, exigindo domínio das fórmulas e da estequiometria. Em ambos os casos, uma estratégia importante é aprender a interpretar o contexto antes de calcular.
Rótulos de bebidas, bulas de medicamentos, informações sobre poluentes e dados laboratoriais frequentemente fornecem grandezas que precisam ser relacionadas. Nesses casos, os estudantes podem se confundir com as unidades.
Outro erro comum é confundir concentração comum (g/L) com densidade (g/mL). Também se exige cuidado com o volume final. Na diluição, ele supera o inicial e na mistura, deve-se verificar se os volumes são somáveis.
Uma boa estratégia para resolver questões é seguir três etapas:
- Identifique o tipo de problema: concentração direta, diluição, mistura ou reação química;
- Organize as grandezas: escreva os dados fornecidos e converta todas as unidades necessárias antes de substituir na fórmula; e
- Escolha a relação adequada: aplique a fórmula correspondente ou utilize uma regra de três quando o raciocínio proporcional for suficiente.
Mais do que decorar fórmulas, é fundamental entender que a concentração indica quanto soluto há na solução. Com domínio das unidades, proporcionalidade e conservação do soluto, as questões tornam-se mais simples.
Questão do vestibular sobre concentração e soluções
UERJ (2019)
Para a remoção de um esmalte, um laboratório precisa preparar 200 mL de uma solução aquosa de propanona na concentração de 0,2 mol/L. Admita que a densidade da propanona pura é igual a 0,8 kg/L.
Nesse caso, o volume de propanona pura, em mililitros, necessário ao preparo da solução corresponde a:
A) 2,9
B) 3,6
C) 5,8
D) 6,7
Resposta:
A solução a ser preparada em 200 mL de água deve apresentar concentração de 0,2 mol/L. Assim, para cada 1 L de solução, são necessários 0,2 mol de propanona (C₃H₆O).
Calcula-se a quantidade de propanona necessária para 200 mL (0,2 L):
0,2 mol ─── 1 L
x mol ─── 0,2 L
x = 0,04 mol de propanona
Portanto, devem ser utilizados 0,04 mol de propanona. Como sua massa molar é 58 g/mol:
58 g ─── 1 mol
y g ─── 0,04 mol
y = 2,32 g de propanona
Considerando a densidade da propanona pura igual a 0,8 kg/L (800 g/L):
800 g ─── 1 L
2,32 g ─── z L
z = 0,0029 L = 2,9 mL
Logo, são necessários 2,9 mL de propanona, que devem ser utilizados no preparo da solução com volume final adequado.
Alternativa Correta: A
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