9 documentários brasileiros dos últimos anos para usar como repertório no vestibular 
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9 documentários brasileiros dos últimos anos para usar como repertório no vestibular 

De desmatamento na Amazônia a trabalho escravo contemporâneo, confira obras nacionais recentes que ajudam a fundamentar seus argumentos na redação

O cinema documental brasileiro é uma das ferramentas mais ricas para quem quer entender as transformações recentes do país e construir um repertório sociocultural de peso. Diferente das produções puramente fictícias, os documentários trazem recortes reais, dados concretos e análises profundas de especialistas.

Para o vestibulando, citar obras audiovisuais nacionais recentes demonstra atualização, repertório crítico e domínio de temas ligados aos Direitos Humanos, Sociologia, Geografia e Filosofia. Essas referências enriquecem argumentos em propostas de redação do Enem, da Fuvest, da Unicamp e de demais bancas do país.

Pensando nisso, o Portal Estratégia Vestibulares separou 9 documentários brasileiros lançados nos últimos anos que abordam debates urgentes e têm grandes chances de aparecer nas suas provas. Confira a lista a seguir!

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1 – Servidão (2024)   

Dirigido por Renato Barbieri e narrado pela cantora e artista Negra Li, o documentário fala sobre um dos problemas mais graves e invisíveis do país: o trabalho escravo contemporâneo na Amazônia brasileira. O filme registra as condições desumanas de trabalhadores rurais que são atraídos por falsas promessas.

O documentário teve forte repercussão ao expor como trabalhadores acabam submetidos a condições análogas à escravidão em áreas de desmatamento. 

Para a redação, é um repertório importante para debater a precarização do trabalho, a violação dos Direitos Humanos e as raízes históricas da escravidão no Brasil, além de discutir a falta de fiscalização trabalhista em áreas remotas.

2 – O Território (2022)   

Vencedor de diversos prêmios internacionais e desenvolvido com a participação ativa de integrantes do povo Uru-Eu-Wau-Wau, o documentário acompanha de perto a luta dessa comunidade em Rondônia contra o avanço de grileiros, garimpeiros e desmatadores ilegais.

O longa se destacou globalmente por fornecer um olhar interno sobre a proteção da Floresta Amazônica. A produção mostra os próprios indígenas utilizando tecnologia, como drones e câmeras, para patrulhar e defender suas terras.

A obra é ideal para redações que abordem a preservação ambiental, os direitos dos povos originários, os conflitos fundiários no Brasil e a importância da demarcação de terras para a manutenção da biodiversidade.

3 – AmarElo – É Tudo Pra Ontem (2020)    

Estrelado pelo rapper Emicida e dirigido por Fred Ouro Preto, este documentário mescla os bastidores do show histórico do cantor no Theatro Municipal de São Paulo com uma profunda aula de história sobre o movimento negro no Brasil, resgatando e celebrando os últimos 100 anos de lutas e conquistas da cultura preta no país.

Disponível no catálogo da Netflix, o filme foi amplamente aclamado pela crítica e pelo público, destacando-se pela forma sensível e didática com que resgata o legado de figuras históricas negras que foram intencionalmente silenciadas ao longo dos séculos.

Na prova, o filme é um excelente argumento para discutir o racismo estrutural, a valorização da cultura afro-brasileira, a ocupação de espaços de poder e a necessidade de ampliar as perspectivas sobre a história brasileira com mais pluralidade.

4 – A Queda do Céu (2024)   

Baseado no aclamado livro homônimo escrito pelo xamã Davi Kopenawa e pelo antropólogo francês Bruce Albert, o filme dirigido por Eryk Rocha e Gabriela Carneiro da Cunha é um alerta urgente sobre a sobrevivência e a cosmovisão do povo Yanomami.

A obra, que tem debates e trechos disponíveis no canal do Instituto Socioambiental (ISA) no YouTube, foi exibida no Festival de Cannes. O documentário denuncia a invasão do garimpo ilegal e as consequências epidêmicas para os indígenas, apresentando a visão de mundo do povo Yanomami e os impactos provocados pelo avanço do garimpo ilegal. 

Trata-se de um repertório valioso para temas voltados à crise climática, antropologia, genocídio cultural e a dependência humana em relação ao meio ambiente equilibrado.

5 – Dentro da Minha Pele (2020)   

Dirigido por Toni Venturi e Val Gomes, o documentário convida o espectador a entender o racismo estrutural por meio de estatísticas e das vivências íntimas de nove pessoas negras com diferentes perfis e classes sociais na cidade de São Paulo.

A produção, disponível no Globoplay, ganhou destaque por questionar a ideia de democracia racial no Brasil, evidenciando como o preconceito está entranhado nas dinâmicas mais comuns do dia a dia.

É uma referência importante para redações que peçam propostas de intervenção para a desigualdade racial, debatendo como o racismo afeta a saúde mental, as oportunidades no mercado de trabalho e as relações afetivas.

6 – A Última Floresta (2021)   

Com roteiro de Luiz Bolognesi e do xamã Davi Kopenawa, A Última Floresta mistura elementos de documentário e ficção para retratar o cotidiano do povo Yanomami na Amazônia, apresentando aspectos de sua cultura, de suas tradições e de sua relação com a floresta.

Vencedor do prêmio do público da mostra Panorama, no Festival Internacional de Cinema de Berlim, o longa acompanha os impactos da presença de garimpeiros ilegais na região e destaca a importância da preservação ambiental e da proteção dos modos de vida indígenas. 

Para o vestibular, o filme é uma referência importante para discussões sobre a relação entre sociedade e meio ambiente, a sustentabilidade e a preservação da identidade cultural dos povos originários.

7 – Sementes: Mulheres Pretas no Poder (2020) 

O documentário dirigido por Éthel Oliveira e Júlia Mariano acompanha as campanhas políticas de mulheres negras nas eleições de 2018, todas impulsionadas pelo choque e pelo luto após o assassinato da vereadora Marielle Franco no Rio de Janeiro.

O filme mostra a força e a articulação de lideranças femininas periféricas na tentativa de ocupar cargos no Legislativo e mudar, de forma efetiva, a cara da política brasileira.

A obra é uma importante referência para fundamentar argumentos sobre representatividade feminina nos espaços de poder, violência política de gênero e a necessidade de ampliar a participação das mulheres na política. 

8 – Retratos Fantasmas (2023)

Dirigido por Kleber Mendonça Filho, o documentário revisita a história do centro do Recife a partir das transformações urbanas, da memória coletiva e da relação entre as pessoas e os espaços da cidade. Ao longo da narrativa, o cineasta apresenta reflexões sobre a ocupação dos centros urbanos e as mudanças culturais e sociais ocorridas nas últimas décadas.

Exibido em importantes festivais internacionais, o longa se destacou pela maneira como relaciona experiências pessoais, registros históricos e a transformação do espaço urbano. O trailer está disponível no canal da Vitrine Filmes, no YouTube.

A obra é uma excelente referência para debates sobre patrimônio histórico, direito à cidade, desigualdade social, identidade cultural e preservação da memória.

9 – Bem-Vindos de Novo (2021) 

Dirigido por Marcos Yoshi, o documentário acompanha a trajetória de uma família de descendentes de japoneses que deixou o Brasil para trabalhar no Japão e, anos depois, retornou ao país de origem. A produção aborda os desafios da readaptação, as transformações nas relações familiares e os impactos da experiência migratória sobre a construção da identidade.

Premiado em festivais nacionais, o longa reúne registros pessoais e relatos dos próprios integrantes da família para mostrar como a experiência do deslocamento pode influenciar diferentes gerações. 

O filme pode ser utilizado como repertório em temas relacionados à migração, à globalização, ao pertencimento, à diversidade cultural e às transformações nas relações sociais.

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