Predominante no início do século XVIII, a arquitetura rococó foi um estilo artístico que reagiu aos excessos e à formalidade do Barroco tardio, a partir da valorização da leveza e simplicidade.
Para compreender melhor a arquitetura rococó, é importante entender o contexto histórico envolvido, as características e os principais elementos que compunham a arquitetura rococó. Leia o texto até o final para ficar por dentro de tudo isso. Vamos lá?
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Contexto histórico da arquitetura rococó
O rococó surgiu em um contexto de mudanças sociais e políticas na Europa do século XVIII, período em que os ideais iluministas se difundiam na sociedade, pregando o racionalismo.
Nesse período, estava ocorrendo, também, a Revolução Francesa, que implicou na ascensão da alta burguesia. Essa camada da sociedade tornou-se dominante e contestou o caráter palaciano e formal da arte barroca. Assim, surgiu o rococó, rompendo com essa formalidade barroca e trazendo mais leveza à arquitetura.
Aspectos principais da arquitetura rococó
Esse estilo iniciou-se como uma maneira de escapar dos problemas que a sociedade enfrentava no período. Por isso, a arquitetura rococó focava na sofisticação, através de uma decoração exuberante e, ao mesmo tempo, leve.
As construções passaram a utilizar cores claras, linhas curvas, assimetria e janelas grandes e os interiores tornaram-se menores, trazendo um caráter mais intimista e aconchegante.
Dessa forma, a função principal da arquitetura rococó era criar ambientes de intimidade, conforto, luxo e prazer, ideais para a vida social, conversas e o lazer da elite.
Características estéticas chave (o triunfo da curva)
A arquitetura rococó apresentava uma estética leve, intimista e profundamente decorativa, contrariando a imponência barroca, tendo como principais características:
- Leveza e graça: o rococó abandonou a monumentalidade e seriedade do Barroco em favor de uma estética mais delicada;
- Assimetria (rocaille): essa foi a marca registrada da arquitetura rococó. O termo “rococó” vem de “rocaille” (do francês, concha ou rocha), esse nome foi dado devido ao uso de ornamentos baseados em conchas, rochas e elementos vegetais aquáticos, dispostos de forma assimétrica, diferente da simetria barroca;
- Decoração total: a arquitetura se funde completamente com a decoração interior, a escultura e a pintura. O rococó é mais uma arte de interiores do que de fachadas;
- Linhas curvas e onduladas: a arquitetura rococó foi marcada pelo uso abundante de linhas em “S” e “C”, arabescos e volutas, que dão um ritmo fluído e dinâmico ao espaço; e
- Paleta de cores: uso de cores claras, suaves e luminosas (pastéis, dourados pálidos, branco), contrastando com os tons dramáticos e escuros do Barroco.
A arquitetura rococó e o foco no espaço interior
Na arquitetura rococó, a prioridade era a decoração do espaço interior, focando na intimidade, conforto e elegância. Por isso, a fachada externa era frequentemente simples e contida, tendo em vista que o foco está no luxo e na complexidade do ambiente interno.
Nesse contexto, os salons eram ambientes intimistas, importantes para a socialização da aristocracia. Eram salas de recepção e conversação, projetadas para serem confortáveis e elegantes, com iluminação natural abundante. A ornamentação rococó se concentrava nos tetos e paredes, com uma decoração rica e molduras que subiam pelas paredes e se misturavam aos tetos.
O rococó se manifestava, inclusive, nos espelhos e janelas, que costumavam apresentar molduras ornamentadas, motivos naturais, como conchas (rocaille) e assimetria. Eles eram projetados para ampliar o espaço, interagir com a luz e refletir a sofisticação da vida aristocrática.
Elementos arquitetônicos e decorativos do rococó
Com foco na elegância, conforto e sofisticação, o estuque, os boiseries e a luz indireta foram elementos essenciais no desenvolvimento da arquitetura rococó.
- Estuque: material preferido para a ornamentação interna, pois é mais leve, maleável e permite a criação de formas orgânicas e fluídas;
- Boiseries: painéis de madeira esculpida, frequentemente pintados de branco ou cores claras, que cobrem as paredes; e
- Luz indireta: uso de janelas amplas, espelhos e candelabros para criar uma iluminação difusa e alegre.
Exemplos-chave e centros de difusão da arquitetura rococó
França (o berço)
A Arquitetura rococó tem sua origem na França do início do século XVIII, em um contexto de afastamento do rigor cerimonial do absolutismo. Diferentemente do Barroco monumental, o rococó francês desenvolveu-se principalmente no design de interiores, especialmente nos hôtels particuliers, mansões urbanas da aristocracia parisiense.
Esses espaços eram pensados para a sociabilidade refinada, com salões decorados de forma elegante, leve e assimétrica. Um exemplo emblemático é o Hôtel de Soubise, cujo Salão Oval sintetiza a estética rococó ao valorizar curvas, ornamentos delicados e integração entre arquitetura e decoração.
Alemanha e Áustria (o rococó monumental)
Ao se difundir pela Europa Central, o rococó assumiu proporções muito mais grandiosas. Na Alemanha e na Áustria, o estilo fundiu-se ao Barroco tardio, dando origem a construções monumentais, sobretudo igrejas e palácios.
Nesses casos, a leveza ornamental convive com espaços amplos e altamente cenográficos. Destacam-se o Palácio Zwinger, a Igreja de Wies e a Residência de Würzburg, cujo Salão dos Espelhos representa o auge do rococó em escala monumental.
Portugal e Brasil (Barroco-rococó)
Em Portugal e no Brasil, o rococó não se manifesta de forma pura, mas mescla-se ao Barroco local, originando o chamado Barroco-rococó. No Brasil, essa fusão aparece sobretudo na arquitetura religiosa de Minas Gerais, marcada pelo uso da talha dourada e por uma ornamentação mais delicada e dinâmica.
Um exemplo significativo é a Igreja de São Francisco de Assis, que expressa essa transição estilística.
Comparação e legado
Em comparação com a Arquitetura Barroca, o rococó abandona o drama, a monumentalidade e a simetria rigorosa, priorizando a graça, a leveza, a intimidade e a assimetria.
As cores tornam-se mais claras e suaves, e o foco desloca-se do exterior das construções para os ambientes internos e privados. Como reação ao excesso ornamental do rococó, surge o Neoclassicismo, que retoma valores de ordem, equilíbrio e simplicidade, marcando uma nova fase na história da arquitetura.
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