Rococó: características, contexto histórico e artistas

Rococó: características, contexto histórico e artistas

Contemporâneo ao iluminismo, simpatizante da filosofia hedonista, com cores claras e traços suaves. Essas são as principais características do rococó. Para conhecer outros elementos, o contexto histórico e os artistas desse movimento artístico, continue lendo este artigo!

Contexto histórico do rococó

O movimento e características do rococó surgiram na França durante o século XVIII, quando o iluminismo estava em seu ápice. Com essa influência filosófica, os artistas do rococó seguiram muitos dos princípios racionais da época. 

Essa corrente artística se situa na transição entre o barroco clássico e o estilo neoclássico, que se fortalece no período contemporâneo da Revolução Francesa. Assim, pode-se dizer que o século das luzes admite três grandes fases na história da arte:

  • O barroco, que iniciou-se no século XVII e floresce até meados do XVIII;
  • O rococó, que se situa entre as décadas de 20 e 70, nos anos 1700; e 
  • O neoclassicismo ou arcadismo, que aparece em meados do século XVIII, com fim no século XIX.

O rococó surge como um movimento de reação ao barroco. A aristocracia que não pertencia a elite da monarquia de Luís XIV se posiciona contra aquela arte palaciana e resolve desenvolver algo que os representasse.

Em primeiro momento, o rococó aparece como um estilo decorativo, com estatuetas e pequenos quadros. Eles serviriam para a ornamentação da casa dos nobres, banqueiros e financistas daquela época na França.

Entende-se que, nessa ocasião, a arte expressava uma necessidade de fugir dos reais problemas que assolavam a vida individual e coletiva. Por isso, é possível entender o rococó de um panorama de frivolidades e futilidades.

Em algumas situações, as pinturas e esculturas representavam cenas em que o prazer era deliberado, como em atos sexuais ou festas intimistas eróticas. Parte dessa realidade tem base na filosofia hedonista, que acredita no prazer como a finalidade suprema da vida moral.

Perceba, também, o elemento de oposição do rococó: enquanto o barroco tinha obras artísticas mais voltadas para o caráter religioso, o outro retrata eventos em que a moral católica é deixada de lado ou profanada. 

Outros cenários representados eram a vida da aristocracia, reuniões da elite social, além da presença de elementos mitológicos (pastores e cortesãos), entre outros momentos que demonstram o estilo de vida burguês dos franceses.

Com o passar do tempo, o movimento sai das fronteiras da França e atinge outras nações europeias. Apesar de manter sua forma externa e as principais características do rococó, a ideologia por trás da corrente se modifica em seu percurso continental.

+ Veja também: Barroco no Brasil: principais artistas e obras

Características do rococó

As artes do movimento rococó são marcadas por muitas linhas curvas, exclusão dos elementos clássicos, cores claras e alegres, leveza, elementos mais intimistas, contornos mais fluidos e um caráter lúdico das peças artísticas.

Arquitetura no rococó

Em termos de arquitetura, as características do rococó apontam para prédios de menor altura, com mais elementos curvos, ângulos suavizados, telhados com queda d’água dupla, exclusão dos elementos clássicos (colunas e esculturas), entre outros pontos. Veja um exemplo, que construído na cidade Versalhes, França:

Rococó - arquitetura
Belvedere no Parque do Petit Trianon, Versalhes, França.
Imagem: Reprodução/Wikimedia

Na porção interna dos edifícios arquitetônicos, observa-se maior apreço pelo elitismo. Grande parte dos ornamentos carregavam como característica do rococó as cores claras, ornamentadas com objetos em tons de dourado e prata, que marcavam a superioridade econômica daquela classe social.

A disposição dos cômodos era tal que havia um salão principal que era o centro das atenções no prédio, com todas as salas secundárias ligadas a ele por meio de corredores e/ou escadarias.

Os móveis recebiam bibelôs de prata, porcelana e alguns itens de mármore também compunham o design do ambiente. O nome “rococó” faz menção as conchas retiradas de animais, isso porque esses objetos também eram trabalhados e adicionados como artigos de enfeite.

Como é de praxe para o movimento, os cantos e ângulos aparecem curvos, como você pode observar na figura abaixo, que mostra o Petit Trianon, em Versalhes (França): 

Rococó: arquitetura interna
Imagem: Reprodução/Wikimedia

Pintura

A pintura assume que a vida é passageira, transitória e efêmera. Assim, os padrões não são o principal alvo, bem como a representação não precisa demonstrar algo sólido, eterno e imutável. 

Nesse sentido, as características do rococó na pintura passaram a ser muito criticadas, por tentar representar um mundo livre de dilemas. Foi nesse contexto que foi considerado um movimento fútil e frívolo, como discutimos acima.

Outro ponto importante é que os quadros dessa época são voltados para a decoração dos ambientes e, portanto, atendem a essa necessidade. As cores se difundem pelo quadro de maneira exuberante e harmoniosa, para compor a dimensão de apreciação decorativa da obra.

Escultura

Na mesma linha do que aprendemos até aqui, as esculturas do rococó admitem linhas suaves, expressões leves, gestos graciosos e às vezes compõem grupos de esculturas que constituem uma cena específica.

Veja a escultura “Cupido”, feita em porcelana pelo artista Étienne Maurice Falconet:

Rococó: escultura
 Cupido
Imagem: Reprodução/Wikimedia

Artistas do rococó

Jean-Honoré Fragonard 

O artista Jean-Honoré Fragonard nasceu na França no ano de 1732. Seu movimento artístico foi o rococó com destaque para as pinturas que retratam o cotidiano em sua forma mais íntima, como uma mulher lendo, no quadro “A Leitora”

A Leitora - Fragonard - Rococó
Imagem: Reprodução/Wikimedia

Um dos quadros mais conhecidos do rococó é “O Baloiço” ou “O Balanço”, pintado por  Jean-Honore Fragonard em 1766. Nele, é representada uma moça balançando entre árvores, com roupas exuberantes e as pernas abertas para um homem, denotando um ar de sensualidade e erotismo.

A história do quadro demonstra conflitos de caráter moral da época. A princípio o cliente havia encomendado uma pintura em que uma pessoa de cargo religioso empurrasse uma mulher em direção ao seu amante. 

Depois de ter sua proposta recusada por um artista, Fragonard aceita a ideia mas prefere retirar o elemento eclesiástico. A real interpretação então é que o homem pintado à direita é o marido traído.

Imagem: Reprodução/Wikimedia

Jean-Antoine Watteau 

Nascido na França, Jean-Antoine Watteau viveu 37 anos e dedicou boa parte deles à pintura de quadros no estilo rococó. Seus quadros trazem figuras jovens repletas de prazer, desfrutando das coisas boas da vida, em leveza e alegria.

Entende-se que as cenas demonstram uma vida irreal, onde os problemas não existem, com piqueniques fartos, elegância e um dia a dia tranquilo. Ao mesmo tempo, as expressões faciais dos personagens indicam certo tédio em meio a perfeição, como pode ser observado no quadro Mezzetin, pintado em 1719. 

Imagem: Reprodução/Wikimedia

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