A arquitetura romântica do século XIX surgiu como reação ao racionalismo iluminista e ao avanço da industrialização. Valorizava a emoção, a memória histórica e o nacionalismo e buscava resgatar identidades culturais do passado.
Esse movimento se manifestou por meio do revivalismo e do ecletismo, que reinterpretaram estilos como gótico e românico. Ao mesmo tempo, tecnologias industriais, como ferro e vidro, começaram a transformar a engenharia da época.
Nesse texto, você vai entender o contexto cultural do Romantismo e como o revivalismo, o ecletismo e as novas tecnologias influenciaram a arquitetura do século XIX. Acompanhe abaixo.
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O Romantismo e a saudade
O Romantismo não foi apenas um estilo artístico: ele foi uma reação cultural profunda ao mundo moderno que estava surgindo. Assim, nasceu de um forte sentimento de nostalgia em relação às épocas passadas.
O avanço do Iluminismo carregava a defesa da razão, da ciência e das regras universais. Após a aceleração da Revolução Industrial, artistas e intelectuais passaram a sentir que algo importante estava sendo perdido.
As cidades cresciam rapidamente, as fábricas multiplicavam-se, a paisagem urbana foi, aos poucos, dominada por chaminés, máquinas e bairros operários. A vida parecia cada vez mais mecânica, organizada pela lógica da produção e do lucro.
Nesse contexto, muitos pensadores românticos passaram a criticar o excesso de racionalidade da modernidade. Eles acreditavam que o ser humano não era feito apenas de razão, mas também de emoção, imaginação, memória e espiritualidade.
Esse clima cultural está ligado ao que os filósofos chamam de “espírito do tempo”, ou Weltgeist. No século XIX, esse espírito valorizava o sentimento, a identidade nacional e a nostalgia pelo passado.
Em vez de admirar apenas a ordem clássica da Grécia e de Roma, como faziam os neoclássicos, os românticos passaram a olhar para períodos históricos considerados mais espirituais, misteriosos e autênticos.
Assim, surge a ideia central da arquitetura romântica: se as cidades modernas estão frias, cinzentas e industriais, devemos buscar inspiração em épocas anteriores, quando arquitetura parecia ligada à natureza, religião e tradições nacionais.
Portanto, a arquitetura romântica não buscou apenas construir edifícios, ela buscou evocar emoções, histórias e identidades coletivas. Cada estilo escolhido carrega um significado simbólico, ligado à memória cultural de um povo.
+Veja também: História da arte: resumo sobre os principais períodos artísticos
O revivalismo
Uma das características mais marcantes da arquitetura romântica é o chamado revivalismo. O próprio termo já revela sua ideia central: retomar e reinterpretar estilos arquitetônicos do passado histórico.
Logo, ao invés de tentar criar um estilo totalmente novo do zero, os arquitetos estudaram estilos históricos e passaram a reinterpretá-los. Assim surgiram vários estilos chamados de “neos”, ou seja, novas versões de estilos antigos.
Esse fenômeno está profundamente ligado ao nacionalismo do século XIX. Muitos países europeus estavam consolidando suas identidades nacionais, e a arquitetura passou a ser usada como forma de representar essas origens históricas.
Ao mesmo tempo, havia forte subjetivismo em que o arquiteto escolhia o estilo conforme o tipo de edifício ou emoção desejada. Um prédio público podia evocar autoridade histórica; uma igreja recorrer a estilos medievais ligados à espiritualidade.
Dentro desse contexto, alguns revivalismos tornaram-se especialmente importantes.
Neogótico
O estilo gótico original surgiu na Idade Média, especialmente entre os séculos XII e XV, associado às grandes catedrais europeias. Para os românticos, ele possuía um forte significado simbólico.
Diferentemente da arquitetura clássica greco-romana, vista como pagã e racional, o gótico era considerado profundamente cristão e espiritual. Muitos intelectuais românticos viam o gótico como uma arquitetura autêntica da Europa medieval, ligada às tradições nacionais.
Assim, o retorno ao gótico representava uma forma de reconectar-se com a história e com a identidade cultural. As características do neogótico retomam elementos típicos das catedrais medievais:
- Arcos ogivais (pontiagudos);
- Vitrais coloridos que filtram a luz e criam um ambiente espiritual;
- Torres altas e pináculos que reforçam a verticalidade; e
- Forte sensação de elevação e dramaticidade.
Um exemplo é o Palace of Westminster, sede do Parlamento britânico. Reconstruído no século XIX após um incêndio, o edifício foi projetado em estilo neogótico para reforçar a continuidade histórica da monarquia e das instituições inglesas.

Esse edifício tornou-se um símbolo da arquitetura romântica e demonstra perfeitamente como o passado medieval foi reinterpretado para servir às necessidades políticas e culturais da modernidade.
Neorromânico e outros “neos”
Além do neogótico, diversos outros revivalismos apareceram no século XIX. Entre eles destaca-se o neorromânico, inspirado na arquitetura da Alta Idade Média (séculos X a XII).
Enquanto o gótico é marcado pela verticalidade e pela leveza estrutural, o românico transmite uma sensação de solidez e proteção. Por isso, o neorromânico foi muito utilizado em igrejas, universidades e edifícios institucionais.
Suas características principais incluem:
- Paredes grossas e maciças;
- Arcos de volta inteira (semicirculares);
- Janelas menores; e
- Aparência geral semelhante a uma fortaleza, fator que levou-as a serem chamadas “Fortaleza de Deus”.
Neomanuelino
Outro revivalismo importante, especialmente para vestibulares brasileiros, é o neomanuelino. Esse estilo retoma a arquitetura portuguesa do período das grandes navegações, durante o reinado de Dom Manuel I no século XVI.
O neomanuelino utiliza elementos decorativos ligados ao universo marítimo, como cordas esculpidas, conchas e símbolos náuticos. Um exemplo famoso no Brasil é o Real Gabinete Português de Leitura, cuja fachada exuberante celebra a herança cultural portuguesa.

O ecletismo
Com o passar do século XIX, o revivalismo evoluiu para uma tendência ainda mais livre chamada ecletismo. Ele permitia combinar elementos de vários estilos diferentes em um mesmo edifício.
Um arquiteto poderia misturar colunas clássicas, cúpulas barrocas e detalhes góticos na mesma construção. Essa mistura refletia duas características importantes do período:
- Grande conhecimento histórico: graças ao desenvolvimento da arqueologia e da história da arte; e
- Liberdade criativa: já que não havia mais uma regra única sobre qual estilo deveria ser usado.
O resultado foi uma arquitetura extremamente decorativa, monumental e teatral. No Brasil, vários edifícios importantes seguem essa tendência. Um exemplo é o Theatro Municipal do Rio de Janeiro, cuja fachada mistura influências renascentistas, barrocas e clássicas em uma composição luxuosa.

Arquitetura do ferro: o contraste necessário
Um dos aspectos mais fascinantes da arquitetura do século XIX é o contraste entre aparência histórica e tecnologia moderna. Enquanto muitos edifícios mantinham fachadas inspiradas em estilos antigos, a estrutura interna começava a utilizar materiais revolucionários trazidos pela Revolução Industrial: ferro e vidro.
Esses materiais permitiam criar espaços maiores, estruturas mais leves e novas soluções arquitetônicas. Estações ferroviárias, mercados cobertos e galerias comerciais tornaram-se laboratórios dessa nova arquitetura.
No final do século XIX, alguns projetos passaram a abandonar completamente a aparência histórica e celebrar a própria engenharia moderna. O exemplo mais famoso é a Eiffel Tower, construída para a Exposição Universal de 1889.

Feita inteiramente de ferro aparente, a torre simboliza o triunfo da tecnologia industrial e antecipa a arquitetura moderna do século XX. Assim, a arquitetura romântica expressa a tensão do século XIX entre o avanço da modernidade industrial e a busca por identidade e significado no passado.
Questão do vestibular sobre arquitetura romântica
UEPG (2010)
Assinale a alternativa correta em relação à arquitetura românica.
A) A abóbada de arestas, característica das igrejas românicas, exigia a utilização do ferro e do aço para sua sustentação.
B) As igrejas em estilo greco-romano possuíam estrutura arquitetônica semelhante às construções primitivas dos povos hebreus.
C) As igrejas românicas eram chamadas de “fortaleza de Deus” por seu tamanho e solidez.
D) Os vitrais coloridos foram muito utilizados na decoração das igrejas em estilo greco-romano.
E) Os prédios públicos no período românico recebiam ornamentação exterior em estilo rococó.
Alternativa Correta:
C
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