Arte Concretista no Brasil: cálculo, ruptura e sensibilidade

Arte Concretista no Brasil: cálculo, ruptura e sensibilidade

Entenda o Concretismo no Brasil, sua estética racional e geométrica, e como seu rigor levou ao surgimento do Neoconcretismo

A arte concretista no Brasil surgiu nos anos 1950 como proposta de romper com a subjetividade e com a arte figurativa. Inspirada pela matemática, pela geometria e pelo racionalismo, ela defende a obra como construção lógica, objetiva e planejada.

Esse movimento envolve as artes visuais e a literatura, unindo artistas e poetas na valorização da forma, da estrutura e da clareza. Ao priorizar cálculo, ordem e linguagem visual, também prepara o caminho para o surgimento do Neoconcretismo.

Nesse texto, você vai entender o Concretismo no Brasil, sua estética racional e geométrica, e mostra como esse rigor levou ao surgimento do Neoconcretismo. Acompanhe Abaixo.

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A Arte como cálculo

Nos anos 1950, a arte no Brasil passou por uma transformação radical: ela deixou de buscar emoção, subjetividade e inspiração romântica. Nesse contexto, aproximando-se de algo quase científico surgiu o Concretismo.

Nesse momento, muitos artistas acreditavam que a arte deveria funcionar como um sistema racional, baseado em cálculo, ordem e clareza. Não havia espaço para o gesto espontâneo ou para a expressão pessoal do artista.

Tudo precisava ser planejado, mensurável e objetivo. A obra de arte não deveria “emocionar”, mas sim fazer pensar. A geometria tornou-se o grande fundamento dessa produção.

Estrutura Plástica, 1949, Waldemar Cordeiro, têmpera sobre tela, c.s.e., 73 × 54 cm, Coleção Família Cordeiro (São Paulo). Foto: Edouard Fraipont.

Linhas retas, cores puras, formas simples e organização rigorosa passaram a dominar as telas. O artista era visto menos como um “gênio inspirado” e mais como um projetista, alguém que organizava de maneira lógica e consciente.

Esse pensamento não se limitou à pintura e à escultura. Ele também atingiu a literatura, especialmente a poesia. Pintores, escultores e poetas estavam unidos na mesma missão estética.

O objetivo principal era eliminar o excesso, rejeitar o subjetivismo e focar na estrutura da obra. Assim, o Concretismo brasileiro nasce como um movimento interdisciplinar, em que arte visual e palavra caminham juntas sob as mesmas regras.

O Momento “Ruptura” (São Paulo) e a Literatura

Em São Paulo, o Concretismo assumiu sua forma mais rigorosa e radical com o Grupo Ruptura, fundado em 1952. O nome do grupo já indicava sua intenção: romper com a arte figurativa, com o expressionismo e com qualquer forma de sentimentalismo.

Os artistas do Grupo Ruptura defendiam que a obra de arte deveria ser concreta em si mesma, isto é, não representar nada além do que ela é. Um quadro não deveria “significar” algo externo, mas existir como um objeto visual autônomo.

Esse mesmo rigor aparece na poesia concreta, desenvolvida principalmente pelos irmãos Augusto de Campos, Haroldo de Campos e Décio Pignatari. Aqui surge um conceito fundamental para o vestibular: o verbivocovisual.

Segundo essa ideia, a palavra não é apenas portadora de significado (verbal), mas também de som (vocal) e de imagem (visual). O poema concreto rompe com a leitura tradicional em versos e estrofes.

Sua diagramação na página segue a mesma lógica geométrica dos quadros concretistas. A disposição das palavras, os vazios, os alinhamentos e as repetições são tão importantes quanto o sentido do texto. O poema deixa de ser algo apenas para ler: ele passa a ser algo para ver.

Da mesma forma, o quadro concretista não é feito para “sentir”, mas para pensar. Tanto na pintura quanto na poesia, a arte se apresenta como uma construção racional, quase matemática, que exige do público uma leitura intelectual.

+Veja também: Literatura contemporânea: o que é, características e tendências

A Transição e o Grupo Frente (Rio de Janeiro)

Enquanto São Paulo consolidava um Concretismo marcado pela matemática fria e pelo rigor extremo, no Rio de Janeiro surgia uma experiência diferente: o Grupo Frente, ativo a partir de 1954.

Seus integrantes também utilizavam formas geométricas e cores organizadas, mas começaram a questionar os limites desse racionalismo absoluto. Buscaram, nesse cenário, usá-la de modo mais livre e expressivo.

A pergunta central era simples, mas profunda: onde fica o ser humano nisso tudo? Se a arte fosse apenas cálculo e estrutura, o que aconteceria com a experiência sensível, com o corpo e com a percepção?

Assim, a forma geométrica deixou de ser apenas uma fórmula exata e passou a carregar tensão, movimento e ambiguidade. A obra já não é mais totalmente previsível ou fechada.

É nesse contexto que nasce o Neoconcretismo, oficialmente formulado em 1959 com o Manifesto Neoconcreto. A principal ideia desse novo movimento é que a obra de arte não pode ser reduzida a um objeto matemático.

A obra é tida, então, como algo vivo, que se completa na relação com o observador. Logo, o Neoconcretismo representa uma tentativa de humanizar a geometria, devolvendo à arte a experiência sensível sem abandonar a estrutura racional do Concretismo.

A Grande Revolução: Interatividade

A grande revolução da arte brasileira moderna começa justamente com o Neoconcretismo. A arte deixa de estar confinada à moldura. O quadro já não é suficiente.

A partir de então, a obra passa a ocupar o espaço, a se relacionar com o corpo do espectador e a exigir participação. O espectador deixa de ser passivo e torna-se parte da obra.

A produção de artistas como Lygia Clark, Hélio Oiticica e Lygia Pape exemplifica essa mudança radical. Um dos exemplos mais clássicos são os “Bichos” de Lygia Clark, estruturas metálicas articuladas, que podem ser manipuladas pelo público.

O ponto central é que o “Bicho” não está pronto. Ele se transforma a cada interação. A obra não existe plenamente sem o toque, o movimento e a ação do espectador. A arte deixa de ser apenas visual e passa a ser vivencial.

Com isso, o Neoconcretismo rompe definitivamente com a ideia de obra fechada e inaugura um novo modo de pensar a arte no Brasil: uma arte que envolve corpo, espaço, tempo e experiência.

É nesse momento que a produção brasileira se conecta de forma original à arte contemporânea mundial. Diante disso, deixou de apenas seguir modelos europeus para criar uma linguagem própria.

+Veja também: O que é arte contemporânea e como ela pode cair no Enem

Questões do vestibular sobre a Arte concretista no Brasil

UESPI (2009)

Sobre a estética do Concretismo, uma das afirmações abaixo é incorreta. Identifique-a.

A) No Concretismo, o poema é uma realidade em si.
B) A poesia concreta, apesar de todo racionalismo, se caracteriza pelo lirismo exaltado do poeta.
C) A poesia concreta dispensa a linearidade do verso e usa a sintaxe gráfica.
D) O uso construtivo dos espaços em branco é um dos recursos formais dos concretistas.
E) Os concretistas se valem de neologismos e de termos plurilíngues.

Alternativa correta:

B

Simulado Enem (2021)

A poesia concreta é uma das maiores expressões da contemporaneidade com relação à visão ampliada de poesia. No caso do texto de Fábio Bahia, em questão, pode-se afirmar que

A) a necessidade de fé relaciona-se diretamente ao aprendizado do uso do objeto.
B) a construção “ele quer guardar a chuva” indica que há necessidade de proteção contra ela.
C) a pobreza dos nordestinos impede-os de comprar um guarda-chuva como o da imagem.
D) a noção de “objeto estranho” conecta-se diretamente à espera dos nordestinos pela chuva.
E) o funcionamento do guarda-chuva é um mistério, ainda que seja comum entre os nordestinos.

Alternativa correta:

D

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