O cinema brasileiro ultrapassa a barreira do entretenimento, funcionando como uma ferramenta de conhecimento histórico e cultural do país. Neste artigo, abordaremos as diferentes fases do cinema nacional, compreendendo o contexto histórico e as características principais de cada fase.
Esse assunto é importante tanto para as questões de artes, sociologia e história, quanto para a redação do Enem, por exemplo, podendo ser utilizado como repertório sociocultural. Leia o texto e fique por dentro de tudo!
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O início da história do cinema brasileiro
O início da história do cinema brasileiro ocorreu em 8 de julho de 1896, na cidade do Rio de Janeiro, graças à chegada de um equipamento de projeção de figuras animadas, chamado “omniographo”. O aparelho foi introduzido no Brasil por influência europeia, seis meses após a invenção do cinematógrafo pelos irmãos Lumière na França.
Em 1898, o cineasta Afonso Segreto fez o primeiro registro cinematográfico documental do país, ao filmar a Baía de Guanabara. Posteriormente, as produções continuaram ocorrendo e, além das obras documentais, foram produzidos filmes de ficção, com destaque para as obras Os Estranguladores (1908) e O Crime dos Banhados (1914).
Na década de 1930, houve o início do cinema falado, pois, até então, as produções cinematográficas ainda não apresentavam sons. Nesse contexto, surgiram as chanchadas, que eram comédias musicais de baixo orçamento marcadas pela presença de humor, romance e números carnavalescos.
As chanchadas e a Atlântida Cinematográfica
As chanchadas apresentaram uma grande relevância a partir de 1940, com a fundação da Atlântida Cinematográfica, uma empresa carioca que produziu muitas comédias musicais, explorando o carnaval, folclore e costumes brasileiros. Algumas produções marcantes foram: Este Mundo é um Pandeiro (1947) e Carnaval no Fogo (1949).
Contudo, apesar da popularidade das chanchadas, esses filmes foram menosprezados pelos intelectuais da época, sendo considerados de baixo padrão estético e técnico.
A Companhia de Vera Cruz
No ano de 1949, em São Paulo, surge a Companhia Vera Cruz, a qual buscava um maior rigor nas produções cinematográficas. Dessa forma, a produtora seguia um caminho oposto às chanchadas, tendo como objetivo tornar-se uma “Hollywood brasileira”, industrializando o cinema nacional, construindo estúdios gigantescos e importando técnicos europeus.
A empresa realizou mais de 40 produções cinematográficas, com destaque para Caiçara (1951), Sai da Frente (1952) e O Cangaceiro (1953). Contudo, devido aos custos insustentáveis e à ausência de um sistema de distribuição rentável, a Companhia Vera Cruz faliu em 1954.
A revolução: O Cinema Novo (anos 60)
Em 1960, houve o início de um movimento cinematográfico revolucionário no Brasil, denominado “Cinema Novo”. Impulsionado pela insatisfação de jovens cineastas com as produções tradicionais, o Cinema Novo apresentava forte crítica social e política, contrapondo-se ao cinema comercial e de estúdio.
O lema principal do grupo era “Uma câmera na mão e uma ideia na cabeça”. Dessa forma, juntando a temática social do Neorrealismo Italiano com a liberdade de câmera da Nouvelle Vague francesa, os cenários dos filmes passaram a ser as ruas do país, e as temáticas passaram a focar em problemas sociais, como fome, miséria e violência.
Além disso, as obras do Cinema Novo eram protagonizadas pelos marginalizados: o sertanejo faminto, o favelado, o operário e o místico.
Glauber Rocha e a “estética da fome”
O maior teórico do movimento Cinema Novo foi Glauber Rocha. O cineasta escreveu um manifesto dizendo que o europeu não seria capaz de compreender a fome brasileira, haja vista que, para o europeu, a fome é um tema poético enquanto, para o brasileiro, é uma tragédia que só pode gerar violência.
Segundo Glauber, o cinema deveria mostrar essa fome de forma crua, feia e desconfortável para causar revolta e insatisfação da sociedade frente ao sofrimento vivenciado. Um filme de destaque produzido por ele foi Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), que ilustra a miséria extrema, a seca e o abandono do sertão brasileiro não apenas como problemas sociais, mas como ferramentas de denúncia política.
Nelson Pereira dos Santos e o filme Vidas Secas (1963)
Nelson foi um cineasta responsável pela produção de filmes importantes do Cinema Novo, como Vidas Secas (1963), o qual foi adaptado da obra literária homônima, de Graciliano Ramos. O filme retrata a dura realidade de uma família de retirantes nordestinos que foge da seca e da opressão em busca de sobrevivência.
O Cinema Marginal e a Ditadura Militar
Nos anos 1970, surgiu o Cinema Marginal, como uma resposta dos cineastas às duras censuras impostas pela Ditadura Militar no país, que durou de 1964 a 1985, e foi uma época de grande autoritarismo das figuras militares.
No período ditatorial, foram instituídos atos institucionais (com destaque para o AI-5, em 1968), que eram utilizados para suprimir direitos dos cidadãos, como a liberdade de expressão e de imprensa. Assim, a arte era alvo constante de censuras rígidas, o que afetou diretamente o cinema brasileiro.
Nesse sentido, o Cinema Marginal, nascido de uma ruptura com o Cinema Novo e uma reação à censura, caracterizou-se pelo baixíssimo orçamento, estética do lixo e forte apelo da contracultura para escancarar a realidade sociopolítica da época. Uma obra de destaque desse movimento foi O Bandido da Luz Vermelha (1968), uma colagem frenética de rádio policial, chanchada e deboche sociológico.
A retomada do cinema brasileiro nos anos 90
O cinema brasileiro quase passou por um período de crise em 1990, quando o governo Collor extinguiu a Embrafilme (empresa estatal que fomentava o cinema nacional) e as leis de incentivo. Contudo, apesar das dificuldades, o cinema brasileiro conseguiu se reerguer.
A recuperação do cinema nacional foi impulsionada por novas políticas públicas, destacando-se a criação da Lei do Audiovisual (1993). Dessa forma, esse incentivo permitiu que o Brasil voltasse a produzir e lançar longas-metragens de grande sucesso comercial e de crítica, como O Quatrilho (1995), Central do Brasil (1998) e Cidade de Deus (2002).
Para saber mais, assista à aula a seguir, sobre Cinema Marginal e Cinema de retomada, ministrada pela professora Celina Gil, do Estratégia Vestibulares:
O cinema contemporâneo: hibridismo e resistência
Atualmente, o Brasil produz filmes de grande diversidade estética, temática e regional, misturando gêneros internacionais com problemas locais, e apresentando prestígio internacional. O setor explora, de maneira muito proveitosa, questões identitárias, culturais e sociais do Brasil e do mundo.
Algumas produções contemporâneas de extrema relevância são: Bacurau (2019), Aquarius (2016), As Boas Maneiras (2018) e Ainda Estou Aqui (2024).
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+15 questões sobre filmes brasileiros que já caíram nos vestibulares
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