Enquanto a arte tradicional focava na representação figurativa e subjetiva, o Construtivismo russo rompeu com essa lógica ao propor a obra como uma ferramenta de utilidade social.
Para o Enem e os vestibulares, compreender como esse movimento substituiu o “artista contemplativo” pelo “artista-engenheiro” e como a estética geométrica foi instrumentalizada pelo Estado é essencial para resolver questões de História da Arte sobre as vanguardas do século XX.
Por isso, o Portal Estratégia Vestibulares preparou este artigo para você entender melhor o que foi o Construtivismo russo, suas principais características e seus representantes. Confira!
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O que foi o Construtivismo?
O Construtivismo foi um movimento estético e político que surgiu na Rússia por volta de 1913, liderado por Vladimir Tatlin, El Lissitzky e Alexander Rodchenko. Diferente das vanguardas que buscavam a expressão de sentimentos, o Construtivismo propunha que a arte deveria servir como uma ferramenta técnica para a construção de uma nova sociedade socialista e industrial.
Contexto histórico
O Construtivismo se consolidou com a Revolução Russa, em 1917. O desgaste provocado pela participação da Rússia na Tríplice Entente, durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), e a consequente queda do Czar não trouxe apenas mudanças políticas, mas também uma reestruturação forçada da cultura russa.
Esse cenário de ruptura forneceu um terreno fértil para o surgimento do Construtivismo, cujos mentores acreditavam que poderiam ser os “arquitetos” de uma nova sociedade que se pretendia socialista no contexto da industrialização.
Desse modo, a produção artística russa neste período tornou-se institucionalizada: sob a influência dos pensamentos bolcheviques, a arte foi convertida em um instrumento de propaganda estatal, voltado para a educação das massas e para a consolidação dos ideais do novo regime.
Características do Construtivismo
As principais características do Construtivismo Russo refletem a tentativa de transformar a arte em um componente prático e funcional da produção industrial e da organização social.
Abaixo, os pilares fundamentais para as provas:
- Antiacademicismo: rejeição de adornos e técnicas tradicionais em favor da utilidade racional;
- Geometrismo: Uso de formas puras e linhas exatas;
- Abstração: rejeição da figuração e do sentimentalismo;
- Tridimensionalidade: exploração do espaço e do volume real;
- Funcionalismo: arte com propósito social e utilitário;
- Materialismo: rejeição de qualquer espiritualidade, com foco estritamente na matéria;
- Fotomontagem: colagens dinâmicas com tipografia e fotografia;
- Cores primárias: paleta restrita, geralmente vermelho, preto e branco; e
- Interdisciplinaridade: o movimento não se limitou às telas, mas também esteve presente na arquitetura, no design de moda, no mobiliário, na fotografia e no cinema.
O artista-engenheiro
O termo “artista-engenheiro” no construtivismo marca a eliminação da expressividade pessoal em favor da padronização industrial. O artista já não é mais um criador individual, mas um agente técnico, subordinado ao planejamento estatal.
Nesse sentido, a arte de cavalete tradicional, considerada burguesa e subjetiva, deu espaço à produção em massa de produtos utilitários, a exemplo de roupas funcionais, móveis, construções e cartazes propagandísticos, aplicando principalmente materiais como o aço, ferro e couro.
Portanto, o “artista-engenheiro” deveria criar objetos úteis à execução de demandas coletivas dentro do sistema, por meio do uso de princípios de engenharia.
Principais nomes do construtivismo
- Vladimir Tatlin (1885–1953): escultor e arquiteto. Como pioneiro do movimento, focou na cultura dos materiais e na funcionalidade industrial;
- Alexander Rodchenko (1891–1956): fotógrafo, designer gráfico e pintor. Revolucionou a fotografia com ângulos inusitados e a técnica da fotomontagem;
- El Lissitzky (1890–1941): designer, arquiteto e fotógrafo. Atuou como ponte entre o construtivismo russo e o design europeu (Bauhaus);
- Varvara Stepanova (1894–1958): designer de têxteis e figurinos. Aplicou a geometria construtivista na produção industrial de roupas operárias e tecidos;
- Naum Gabo (1890–1977): escultor. Explorou o uso de materiais modernos e a integração do tempo e do espaço na escultura, como na obra Cabeça Construída nº 2;
- Antoine Pevsner (1884–1962): pintor, escultor e coautor do Manifesto Realista;
- Lyubov Popova (1889–1924): pintora e designer. Sua transição da pintura abstrata para o design têxtil e cenográfico funcional pode ser vista nas obras Construções de Força Espacial;
- Gustav Klutsis (1895–1938): designer gráfico e fotógrafo. Especialista em fotomontagem aplicada à propaganda política e cartazes de massa;
- Aleksei Gan (1887–1942): teórico e designer gráfico. Escreveu o livro Construtivismo (Konstruktivizm), definindo os princípios ideológicos do movimento; e
- Moisei Ginzburg (1892–1928): arquiteto e principal teórico da arquitetura construtivista, focada na habitação coletiva e funcional. O Edifício Narkomfin é sua obra de destaque.
O Monumento à Terceira Internacional
Projetada por Vladimir Tatlin em 1919-1920, e também conhecida como “Torre de Tatlin”, este monumento é considerado o símbolo da utopia tecnológica russa que nunca se concretizou totalmente.
O projeto consistia em uma estrutura colossal de ferro e vidro que abrigaria os escritórios burocráticos do governo e funcionaria como uma central de rádio e propaganda. O objetivo era criar um monumento maior que a Torre Eiffel.
Contudo, a torre nunca foi construída, visto que a realidade da Rússia pós-revolucionária era de escassez extrema de aço e recursos, o que tornou o projeto apenas uma representação visual de uma promessa tecnológica que o sistema não conseguia entregar.
Design gráfico e fotografia
O design gráfico e a fotografia se tornaram ferramentas de comunicação de massa e agitação política. Alexander Rodchenko introduziu a fotomontagem e a fotografia em ângulos extremos (como o plongée e o contra-plongée). Esta técnica visava retirar o espectador da passividade e forçar uma nova percepção sobre a realidade industrial.
Além disso, visualmente, o movimento é identificado pelo uso de uma paleta restrita (vermelho, preto e branco), tipografia pesada e formas geométricas dinâmicas. Essa linguagem visual objetivava a clareza informativa e a rápida absorção das ideias governamentais.
O cartaz “Golpeiem os Brancos com a Cunha Vermelha”, de El Lissitzky, exemplifica como a arte foi reduzida ao combate ideológico. Nesta produção, Lissitzky utilizou formas um triângulo vermelho afiado penetrando um círculo branco em um fundo escuro para representar a Guerra Civil Russa.
Cinema e manipulação: Sergei Eisenstein
Além do uso de ângulos forçados na fotografia por Rodchenko, no cinema, o Construtivismo manifestou-se na teoria da montagem de choque, desenvolvida pelo cineasta Sergei Eisenstein.
Eisenstein considerava o filme um processo técnico de manipulação das emoções. Sob esse viés, ele sistematizou a “montagem de choque”, processo que utilizava a edição fragmentada para manipular as emoções do espectador.
No filme O Encouraçado Potemkin (1925), essa técnica é evidenciada pelo ritmo acelerado dos cortes, que visava gerar uma resposta coletiva de heroísmo ou indignação, consolidando a produção cinematográfica como uma ferramenta de comunicação de massa e de instrução ideológica no contexto do novo regime.
Suprematismo X Construtivismo
Para as provas, também é importante diferenciar o Construtivismo do Suprematismo, uma vez que, embora ambos compartilhassem a estética geométrica e uso de cores primárias, suas finalidades eram divergentes.
Enquanto o Construtivismo foi inicialmente abraçado pelo regime russo por ser pragmático, voltado para a indústria e para a propaganda política direta, o Suprematismo de Kazimir Malevich era místico e focado na “sensibilidade pura”. Por ser abstrato demais e não ter uma utilidade prática para o governo, tornou-se marginalizado.
O desfecho: a censura de Stalin e o Realismo Socialista
O encerramento do Construtivismo russo e de outras vanguardas ocorreu com a consolidação do poder de Josef Stalin, que instituiu o Realismo Socialista como a única estética oficial da União Soviética, a partir de 1932.
Neste novo regime, as experimentações geométricas e abstratas do Construtivismo foram rotuladas como “burguesas” e “decadentes”, sob a justificativa de que eram incompreensíveis para o proletariado.
Assim, a produção artística ficou voltada para o culto à personalidade do líder e para a representação idealizada de trabalhadores heroicos. Esse processo resultou na censura sistemática dos artistas modernos, forçando o abandono das inovações formais em favor de uma estética pedagógica a serviço do Estado totalitário.
Como o Construtivismo aparece no vestibular?
A abordagem deste tema nas provas exige principalmente que o aluno conecte a forma artística ao seu propósito sociopolítico. Para garantir as questões, foque nos seguintes pontos:
- Instrumentalização da estética: como o regime bolchevique converteu a vanguarda em um braço pedagógico. As questões podem explorar o uso da geometria e da tipografia como ferramentas de propaganda e agitação para a comunicação com as massas;
- Design industrial: observe a transição da arte “pela arte” para a arte “pela função”. O vestibular pode cobrar a ideia do “objeto útil” produzido em série, voltado às necessidades coletivas, em detrimento da arte contemplativa individualizada;
- Contextualização da época: compreenda que, muitas vezes, os projetos construtivistas representavam uma utopia tecnológica avançada que contrastava com a realidade de privação material da Rússia pós-guerra e pós-revolução; e
- Análise de obras e autores: questões dissertativas de provas específicas podem exigir que você identifique características teóricas em trabalhos práticos. Logo, esteja pronto para discorrer sobre como a funcionalidade e a geometria se materializam em projetos como o Monumento à Terceira Internacional (Tatlin) ou nos cartazes de propaganda de Rodchenko e El Lissitzky.
+ Veja também: 7 questões sobre a revolução russa que já caíram nos vestibulares
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