Surgida nas décadas de 1960 e 1970, a Land Art representa uma das rupturas mais radicais da arte contemporânea. Em vez de telas penduradas em galerias, os artistas passaram a intervir diretamente na natureza, utilizando terra, pedras, areia, água e até fenômenos climáticos como parte da obra. O espaço expositivo tradicional foi substituído por desertos, lagos e campos abertos.
Para o Enem e vestibulares, é importante entender as principais características da Land Art, bem como o contexto histórico no qual ela se desenvolveu. Com isso em mente, o Estratégia Vestibulares elaborou este artigo, contendo os pontos mais relevantes sobre o assunto e que você precisa levar para as provas. Confira!
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Contexto histórico
A Land Art surge no final da década de 1960, em um momento de intensa contestação cultural no Ocidente. Assim como outros movimentos da época, ela nasce como crítica às instituições tradicionais da arte, especialmente aos museus e galerias.
Esses espaços expositivos, conhecidos como “cubo branco”, eram vistos como ambientes neutros, fechados e elitistas, voltados para a valorização comercial das obras.
Para muitos artistas, o museu havia se transformado em símbolo de um sistema que transformava a arte em mercadoria. Quadros e esculturas eram facilmente transportados, vendidos e incorporados a coleções privadas.
A proposta da Land Art era justamente romper com essa lógica. Ao criar obras diretamente na paisagem, os artistas produziam intervenções impossíveis de serem deslocadas ou vendidas como objetos convencionais.
Outro aspecto importante desse contexto foi a busca pelo sublime. Inspirados pela grandiosidade da natureza, especialmente nas vastas paisagens dos Estados Unidos, os artistas passaram a conceber obras de dimensões monumentais. A arte deveria dialogar com montanhas, horizontes e desertos, e não mais caber dentro de uma parede de galeria.
Conceito central: site-specific e efemeridade
Dois conceitos são fundamentais para compreender a Land Art e costumam aparecer com frequência em provas: site-specific e efemeridade.
O termo site-specific (local específico) indica que a obra é criada para um determinado lugar e depende totalmente dele para existir. Não se trata apenas de instalar uma escultura ao ar livre, mas de produzir uma intervenção pensada a partir das características geográficas, climáticas e simbólicas daquele espaço.
Se a obra for retirada dali, perde seu sentido ou deixa de existir como proposta artística. A paisagem, portanto, deixa de ser cenário e passa a ser parte estrutural da criação.
Já a efemeridade está relacionada à ação do tempo e da natureza sobre a obra. Muitas intervenções da Land Art são concebidas para se transformar, deteriorar ou desaparecer.
A maré sobe, o vento desloca a areia, a erosão modifica as formas. Diferentemente da tradição artística que buscava permanência e conservação, esses artistas incorporam o desgaste como parte do processo. Aceitar o fim da obra é também aceitar o ciclo natural da matéria.
Obras monumentais (Os “Dinossauros” da Land Art)
Nos Estados Unidos, a Land Art encontrou condições ideais para realizar intervenções de escala monumental. Longe dos centros urbanos e das galerias tradicionais, artistas passaram a utilizar desertos, lagos e áreas isoladas como suporte para obras grandiosas, que dialogavam diretamente com a vastidão da paisagem norte-americana.
Robert Smithson: o ícone da entropia
Uma obra emblemática da Land Art é a Spiral Jetty (1970). Trata-se de uma espiral gigantesca construída com pedras, terra e cristais de sal, avançando para dentro do Grande Lago Salgado, no estado de Utah.
A escolha do formato em espiral conversa com formas primitivas e naturais, mas o aspecto mais importante está no conceito de entropia, central no pensamento de Smithson.
O artista sabia que a água do lago subiria e cobriria a obra — o que de fato aconteceu durante anos. Com o tempo, o sal e as algas alteram suas cores, transformando sua aparência.

Walter De Maria: o perigo e a força da natureza
Outra obra monumental é The Lightning Field (1977), localizada no deserto do Novo México. A instalação é composta por 400 postes de aço inoxidável dispostos em uma vasta área plana.
O objetivo da obra é interagir diretamente com as tempestades da região, atraindo raios. Ela só atinge sua potência máxima quando a natureza participa do acontecimento — quando o relâmpago corta o céu e atinge os postes metálicos.
Nesse caso, a Land Art evidencia a insignificância humana diante da força da natureza. O artista cria a estrutura, mas o verdadeiro espetáculo depende de algo que ele não controla, ou seja, a tempestade.
Land Art Contemporânea e a vertente ecológica
Com o passar do tempo, a Land Art deixou de enfatizar apenas a monumentalidade e passou a dialogar de maneira mais forte com questões ambientais. A relação com a natureza tornou-se menos agressiva e mais colaborativa, reforçando debates sobre sustentabilidade e consciência ecológica.
Um dos principais nomes dessa vertente é Andy Goldsworthy. Conhecido por sua postura paciente e contemplativa, o artista utiliza apenas materiais encontrados no próprio local da intervenção — folhas, gelo, galhos, pedras — muitas vezes unidos com saliva, água ou espinhos.
Suas obras são extremamente efêmeras. Podem durar poucos minutos antes de derreter, desmoronar ou serem levadas pelo vento. Nesse caso, a transformação natural não é enfrentamento, e sim parte de uma conexão íntima e respeitosa com o ambiente.No contexto brasileiro, destaca-se Vik Muniz. Embora transite por diferentes linguagens, algumas de suas produções dialogam com princípios da Land Art. Na série Imagens de Lixo, registrada no documentário “Lixo Extraordinário”, o artista cria retratos utilizando resíduos recicláveis.
+ Veja também: 11 documentários e filmes sobre meio ambiente para usar na redação e como repertório
Questão sobre o assunto
Estratégia Vestibulares (Inédita)
Em uma tarde de domingo, quando Bruce Munro estava sentado em uma península rochosa em Nielsen Park, uma das belas praias do porto de Sydney, ele se lembra ‘… a luz ainda era forte, como um cobertor de luz prateada cintilante. Tive a noção infantil de que, ao colocar minha mão no mar, estava de alguma forma conectado à casa de meu pai em Salcombe, Devon’. Munro deixou a praia naquele dia com um humor muito positivo, espantado com o fato de o jogo de luzes ter mudado seu estado de espírito tão profundamente. Sobre aquele momento naquele dia, ele diz ‘foi uma virada inesquecível em minha vida.’
O CDSea foi instalado no Long Knoll Field em Wiltshire em junho de 2010. Uma trilha pública cruza o campo, o que significa que o CDSea estava à vista do público desde o momento em que foi concluído. Amigos e familiares, incluindo famílias com crianças pequenas, ajudaram Bruce e sua equipe a criar o CDSea, que era composto de 600.000 CDs usados coletados em todo o mundo.

A instalação descrita no enunciado usa os materiais de maneira inovadora, ao realizar um efeito que parte de
A) imitar o modo como ondas se movimentam.
B) usar elementos da água para criar uma obra.
C) mimetizar o efeito do sol refletindo na água.
D) fingir que elementos da terra são água.
E) promover uma mistura entre antigo e moderno.
Resposta:
Como se observa na imagem, o artista utiliza CDs, material plástico altamente reflexivo, para recriar o brilho do sol incidindo sobre a água, evocando uma memória afetiva de sua infância.
Alternativa correta: C.
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