Desde as primeiras civilizações, a história geral do trabalho revela como o trabalho esteve no centro da organização social e econômica das sociedades. Contudo, seu significado e suas formas de realização evoluíram drasticamente ao longo do tempo.
Para as provas de vestibulares e do Enem, é importante compreender a trajetória do trabalho desde a Antiguidade Clássica, passando pelo feudalismo e pela Revolução Industrial, até as transformações do mundo contemporâneo. Neste artigo, você vai revisar os principais períodos históricos e conceitos mais cobrados nas provas. Vamos nessa?
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O trabalho na Antiguidade: entre o sagrado e a escravidão
O modo de produção asiático
Nas chamadas civilizações hidráulicas, como Egito e Mesopotâmia, o trabalho estava profundamente ligado ao Estado. A economia baseava-se na servidão coletiva, em que grandes obras públicas, como canais de irrigação, diques e templos, eram realizadas por camponeses submetidos à autoridade central. A terra pertencia ao Estado ou ao soberano, e o trabalho tinha um caráter coletivo.
A escravidão na Antiguidade Clássica
Na Grécia e Roma Antigas, a escravidão era a base econômica, resultando principalmente de guerras e dívidas. É crucial notar que ela não possuía o caráter racial que adquiriu na Idade Moderna, como no Brasil Colônia.
As cidades-estado da Grécia Antiga apresentavam maneiras distintas de escravidão. Em Atenas, por exemplo, os escravos eram obtidos e comercializados por meio de guerras e, em alguns casos, podiam realizar trabalhos para obtenção de renda própria, o que os possibilitava comprar sua liberdade. Já em Esparta, os escravos eram obtidos por meio de batalhas militares e não eram comercializados.
No Império Romano, os escravos eram propriedade dos patrícios e, similarmente a Atenas, os podiam realizar outras funções para conseguir renda e, assim, comprar sua liberdade.
O conceito de ócio na Antiguidade Clássica
Na Antiguidade Clássica, os gregos e romanos tinham uma visão de ócio como um momento importante para o cidadão livre, permitindo a realização de atividades intelectuais, como estudo, contemplação, reflexões e artes. Já o trabalho manual, era visto de maneira pejorativa, como uma penalidade decorrente do pecado ancestral.
Essa visão reforçava a divisão entre aqueles que pensavam e governavam e aqueles que realizavam trabalhos manuais.
O mundo medieval: servidão e corporações de ofício
Com o declínio do Império Romano e o início da Idade Média (séculos V a XV), a Europa Ocidental viu o surgimento do sistema feudal, estruturado em feudos.
O sistema feudal
O feudo era a unidade de terra onde se desenvolviam atividades de subsistência, sob a liderança do senhor feudal, que detinha poder político, jurídico e militar. O trabalho era realizado pelos servos, que estavam presos à terra. Diferente da escravidão, não havia posse do indivíduo, mas os servos trabalhavam em troca de proteção e o direito de cultivar a terra. Suas principais obrigações eram:
- Corveia: o servo precisava trabalhar gratuitamente para o senhor feudal por alguns dias da semana (geralmente 3 dias);
- Talha: o servo precisava entregar uma parte da sua produção ao senhor, geralmente um terço da produção deveria ser entregue;
- Banalidades: valor a ser pago para utilização dos equipamentos, como forno, moinho e celeiro;
- Mão-morta: taxa para que os filhos pudessem herdar a terra e moradia do pai; e
- Dízimo: valor de 10% da produção que deveria ser pago à Igreja.
As corporações de ofício (guildas)
Guildas eram as corporações de ofício, associações de artesãos e comerciantes, que surgiram na Idade Média para garantir interesses desses grupos da sociedade, sendo importante para o controle da produção, padrões de qualidade e regulação de preços. Funcionavam como sindicatos em cidades em crescimento.
A revolução industrial e a proletarização
A passagem da manufatura para a maquinofatura
No século XVIII, a Primeira Revolução Industrial marcou a transição da manufatura (produção artesanal e manual) para a maquinofatura (produção mecanizada em massa) com a invenção da máquina a vapor e a introdução de fábricas.
O artesão transformou-se em operário, adaptando-se ao ritmo das máquinas para aumentar a produtividade e a produção em quantidade.
As condições de trabalho no século XIX
O ritmo de trabalho, antes ditado pela natureza, passou a ser imposto pelo relógio e pelas máquinas. Isso resultou em:
- Jornadas de trabalho extensas (14 a 16 horas diárias, 6 dias por semana);
- Locais de trabalho insalubres;
- Ausência de direitos trabalhistas; e
- Uso de trabalho infantil e feminino com salários mais baixos.
Essa exploração levou à organização dos operários em mobilizações, que conquistaram a redução da jornada de trabalho para dez horas diárias.
A alienação do trabalho
Nesse contexto, desenvolveu-se o conceito de alienação do trabalho, amplamente explorado por Karl Marx. O trabalhador torna-se alheio ao produto final de seu esforço, não reconhecendo mais a si mesmo naquilo que produz. O trabalho deixa de ser uma atividade criativa e passa a ser apenas um meio de sobrevivência, reforçando a exploração capitalista.
Modelos de produção no século XX: taylorismo, fordismo e toyotismo
O século XX foi marcado pela racionalização do trabalho, buscando eficiência, produtividade e redução de desperdícios através de métodos científicos.
Taylorismo
Criado por Frederick Taylor, o taylorismo foca na eficiência através do controle de tempo e movimentos, e da segmentação do trabalho. O objetivo era maximizar a produção no menor tempo possível, por meio do aperfeiçoamento dos trabalhadores com instruções específicas para suas funções.
Fordismo
Desenvolvido por Henry Ford para a indústria automotiva, aprimorou o taylorismo. O fordismo buscava tornar a produção mais eficiente, barata e, ao mesmo tempo, transformar os próprios operários em consumidores, aumentando seus salários. Suas características incluem:
- Linha de montagem: o produto é deslocado entre estações, enquanto o trabalhador permanece em uma estação, fazendo uma tarefa específica repetidamente, aumentando a velocidade de produção;
- Padronização de peças: uso de peças idênticas, reduzindo a complexidade e tempo de montagem;
- Divisão do trabalho: cada operário é especialista em um única parte do processo de produção; e
- Produção em massa: grande quantidade de produtos fabricados a um baixo custo, alimentando o consumo em massa.
Toyotismo
Diante de crises econômicas, como a crise de 1929, aumento da demanda por produtos diversificados e condições de trabalho alienantes do fordismo, tornou-se necessário o desenvolvimento de novos modelos de produção. Então, surgiu o toyotismo, no Japão.
Pautado na produção flexível e sob demanda (just-in-time), qualidade total e automação, o toyotismo passou a exigir um trabalhador polivalente e adaptável, diferentemente dos modelos de produção anteriores, que eram mais rígidos e com uma mão-de-obra mais especializada.
Lutas sociais e o trabalho na era digital
O surgimento dos sindicatos
A exploração industrial gerou movimentos de resistência (Ludismo, Cartismo, movimentos socialistas e anarquistas) que culminaram na criação dos sindicatos e na conquista de direitos fundamentais, como a redução da jornada e melhores condições laborais.
O estado de bem-estar social (Welfare State)
Após as Guerras Mundiais, consolidou-se o Welfare State, que ampliou os direitos trabalhistas (férias remuneradas, descanso semanal, previdência social, seguro-desemprego), visando maior proteção ao trabalhador.
A “uberização” e a gig economy
Na contemporaneidade, o avanço das tecnologias digitais trouxe novas formas de trabalho, como a uberização e a gig economy. Embora apresentem flexibilidade, essas modalidades frequentemente implicam precarização, ausência de vínculos empregatícios, insegurança social e dependência de algoritmos, reacendendo debates sobre direitos trabalhistas no século XXI.
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