Independência da América Espanhola: processo, características e desdobramentos

Independência da América Espanhola: processo, características e desdobramentos

Entenda quais foram as causas, os principais conflitos e consequências da Independência da América Espanhola

A Independência da América Espanhola foi um dos processos mais importantes da história do continente, responsável pelo surgimento de diversos Estados nacionais ao longo do século XIX. 

Não foi um movimento único nem homogêneo, mas um processo marcado por conflitos armados, disputas políticas e profundas transformações sociais nas antigas colônias da Espanha.

Compreender as causas, os acontecimentos e as consequências desse período é essencial para entender a formação da América Latina e suas desigualdades históricas. 

Continue lendo este artigo que a Coruja preparou para conhecer os principais pontos da Independência da América Espanhola, um tema recorrente nas provas de vestibulares e do Enem.

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Contexto e causas estruturais da crise colonial

O processo de Independência da América Espanhola foi precedido por um acúmulo de tensões internas que fragilizaram o sistema colonial e tornaram a ruptura cada vez mais provável. 

Essas tensões foram crescendo progressivamente e foram resultado de contradições estruturais presentes na sociedade colonial, sobretudo no campo político e econômico.

A principal delas foi a exclusão política dos criollos. Eles eram descendentes de espanhóis nascidos na América e concentravam grande parte do poder econômico, controlando latifúndios, minas e atividades comerciais, mas, mesmo assim, eram sistematicamente afastados dos altos cargos administrativos. 

Essas funções eram reservadas aos chapetones, espanhóis nascidos na Europa, enviados pela Coroa para governar as colônias. Essa exclusão gerava forte ressentimento entre as elites locais, que se viam responsáveis pela riqueza colonial, mas sem participação efetiva nas decisões políticas.

Além disso, havia o rigor do pacto colonial, que impunha o monopólio comercial da Espanha sobre suas colônias. As restrições ao comércio, aliadas às altas taxas de impostos, limitavam o crescimento econômico e prejudicavam especialmente a elite criolla comerciante. 

Esse controle metropolitano reforçou a percepção de exploração e alimentou o desejo de autonomia, o que, por consequência, criou um ambiente favorável às ideias e aos movimentos de independência.

Causas externas e o estopim da revolução

Para além das tensões internas acumuladas ao longo do período colonial, a Independência da América Espanhola também foi influenciada por acontecimentos internacionais que enfraqueceram a autoridade da metrópole e abriram uma verdadeira janela de oportunidade para as colônias.

Nesse contexto, destacam-se os precedentes americanos e europeus. A Independência dos Estados Unidos, em 1776, apresentou um modelo concreto de ruptura colonial bem-sucedida, baseado na defesa da autonomia política e na limitação do poder metropolitano. 

Já a Revolução Francesa, iniciada em 1789, difundiu princípios como liberdade, igualdade e soberania popular, que circularam entre as elites letradas da América Hispânica e contribuíram para a crítica ao absolutismo e aos privilégios herdados do Antigo Regime.

Outro fator decisivo foi a Revolução Haitiana (1791–1804), a primeira revolta de escravizados vitoriosa da história. Embora tenha representado um marco na luta contra a escravidão, o movimento provocou temor entre as elites criollas da América Espanhola. 

O medo de levantes sociais semelhantes levou muitos criollos a defenderem a independência como forma de manter o controle político local, preservar a ordem social e garantir seus privilégios, ainda que parte dos líderes independentistas defendesse, ao menos no discurso, o fim da escravidão.

O estopim do processo revolucionário ocorreu em 1808, com a Crise Napoleônica na Espanha. A invasão da Península Ibérica por Napoleão Bonaparte resultou na deposição do rei Fernando VII e no enfraquecimento da autoridade espanhola. Diante desse cenário, formou-se a Junta de Cádiz, que afirmava governar em nome do rei deposto.

Esse vácuo de poder teve repercussões imediatas na América. Alegando fidelidade a Fernando VII, os criollos passaram a organizar Juntas de Governo locais, assumindo funções administrativas e políticas. 

Na prática, essas juntas representaram os primeiros passos rumo à autonomia e desencadearam o processo que, poucos anos depois, culminaria na independência das colônias espanholas na América.

As guerras de independência e os libertadores

O processo de independência na América Espanhola se consolidou por meio de guerras prolongadas, lideradas por figuras centrais que atuaram em duas grandes frentes de libertação, ao norte e ao sul do continente.

A Luta no Norte – Simón Bolívar 

Principal liderança do norte da América do Sul, Simón Bolívar defendia o ideal de uma América Espanhola politicamente unida, projeto que se materializou, mesmo que de forma efêmera, na Grã-Colômbia.

Sob sua liderança, foram decisivas as campanhas militares que garantiram a independência da Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia. Sua atuação combinava guerra de movimento, alianças regionais e um forte discurso político emancipador.

A Luta no Sul – José de San Martín

No sul do continente, José de San Martín liderou um dos feitos militares mais emblemáticos do processo: a travessia da Cordilheira dos Andes, crucial para surpreender as forças espanholas. Sua atuação foi decisiva para a independência da Argentina, do Chile e do Peru, articulando ações militares e acordos políticos com outras lideranças locais.

O ciclo das guerras de independência se encerrou simbolicamente com a Batalha de Ayacucho (1824), no atual Peru, que marcou a derrota final das tropas espanholas e o fim da dominação colonial na América do Sul.

Legado e desafios do pós-independência

A independência das colônias espanholas trouxe profundas transformações políticas, mas também evidenciou limites e contradições. O projeto de uma América Hispânica unificada fracassou, como demonstrado pela dissolução da Grã-Colômbia, dando origem a diversos Estados nacionais marcados por instabilidade política e conflitos territoriais.

Apesar da ruptura com a metrópole, a estrutura social pouco se alterou. A elite criolla manteve o controle econômico e político, preservando o latifúndio e a exclusão social, sem a realização de reformas agrárias significativas. 

Nesse contexto de instituições frágeis, consolidou-se o caudilhismo, com líderes político-militares regionais exercendo grande poder e dominando a vida política da América Latina ao longo do século XIX.

Questão sobre o assunto

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A emancipação da América Latina na segunda década do século XIX ganhou contornos de revolução política: a monarquia católica fora destruída e substituída pelo princípio liberal de soberania do povo […] na América Hispânica, o próprio conceito de monarquia fora rejeitado e o republicanismo liberal, sob diversas formas, fora oficialmente adotado por toda a parte. 

(Edwin Williamson. História da América Latina, 2018.)

As independências latino-americanas

A) atenderam às aspirações políticas das elites econômico-sociais das colônias.
B) modificaram as estruturas do domínio social no interior das antigas colônias.
C) permaneceram ligadas economicamente ao capitalismo comercial metropolitano.
D) resultaram de um projeto democrático de unificação continental.
E) ocorreram independentemente de transformações da história europeia.

Resposta

As independências latino-americanas foram impulsionadas pelas elites locais, que buscavam autonomia política sem alterar significativamente a estrutura social e econômica das ex-colônias.

Alternativa correta: A.

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