Escultura contemporânea no vestibular: conceito, características e exemplos

Escultura contemporânea no vestibular: conceito, características e exemplos

Você sabe o que é campo expandido? Entenda os conceitos fundamentais da escultura contemporânea e como ela se diferencia da escultura tradicional

Enquanto na Arte Clássica a escultura era um objeto distante do espectador, colocado sobre um pedestal, hoje, ela pode ser um tubarão em um tanque ou uma aranha gigante que te recebe na porta de um museu, por exemplo. 

Para o Enem e os vestibulares, como o da UEL, entender a transição da escultura tradicional para a contemporânea é a chave para acertar várias questões sobre Artes.

Por isso, o Portal Estratégia Vestibulares preparou este artigo para você conhecer melhor o conceito de escultura na Arte Contemporânea, suas principais características e seus artistas mais proeminentes.

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O que é escultura?

A escultura é a arte de expressar ideias ou formas por meio da criação de figuras em três dimensões (altura, largura e profundidade). Diferencia-se de outras artes visuais por ocupar o espaço físico real, utilizando tradicionalmente processos de remoção de material (como o entalhe em pedra ou madeira) ou aditivos (como a modelagem em argila e a fundição em metal).

Porém, na Arte Contemporânea, desenvolvida a partir de meados do século XX, o conceito de escultura ganhou outra forma.

Escultura na arte clássica x na arte contemporânea

O primeiro ponto que diferencia a escultura contemporânea da clássica que você precisa entender é que a escultura contemporânea desceu do pedestal e passou a ocupar o mesmo chão que o espectador. Houve, portanto, uma quebra na hierarquia e uma proximidade do espectador.

Essa mudança física nos conduz diretamente ao conceito de “Campo Expandido”, popularizado pela crítica de arte Rosalind Krauss: a escultura deixou de ser um objeto isolado para dialogar com o espaço ao redor e com outras áreas, como a arquitetura e a fotografia.

Acompanhando essa expansão espacial, houve também uma revolução nos materiais. Diferente da tradição clássica, que se limitava ao mármore, bronze ou madeira, o artista contemporâneo utiliza desde resíduos recicláveis até elementos orgânicos e tecnológicos. 

Além disso, pode-se afirmar que a escultura contemporânea nasce do Ready-made de Marcel Duchamp. Ao elevar um urinol ou uma roda de bicicleta ao status de obra arte, o Dadaísmo rompeu com o rigor técnico da escultura clássica e priorizou o conceito sobre a estética.

Desse modo, para a Arte Contemporânea, a resposta para “O que é escultura?” é ampla: qualquer objeto tridimensional colocado em um espaço com intenção artística que seja capaz de criar uma experiência.

Principais características da escultura contemporânea

Diante do que já foi abordado, podem ser destacadas algumas das principais características da escultura contemporânea:

  • Quebra de padrões de hibridismo: ruptura com suportes tradicionais e mescla de estilos, priorizando a subjetividade do artista;
  • Diversidade material: uso de materiais diversos (orgânicos, industriais ou cotidianos) para além do mármore e bronze;
  • Interatividade: geralmente são obras que permitem a participação ativa ou o deslocamento do espectador para serem plenamente compreendidas;
  • Arte no cotidiano: questionamento dos limites da arte e diluição das fronteiras entre arte e a vida comum; e
  • Ocupação espacial: transição do objeto isolado para a instalação, onde a obra dialoga diretamente com o ambiente.

Escultura X instalação: qual a diferença?

  • Escultura: geralmente é um objeto fechado em si mesmo, o qual o espectador pode caminhar ao redor; e
  • Instalação: é um ambiente o qual permite que o público entre na obra. Ela cerca o espectador e o espaço (paredes, teto, luz) também faz parte do trabalho.

Escultura contemporânea no Brasil

O Brasil é protagonista mundial na Arte Contemporânea, especialmente com o acervo de Inhotim, localizado em Brumadinho (MG). O Instituto Inhotim é considerado o maior museu a céu aberto do mundo e representa a materialização máxima do conceito de “campo expandido” na escultura. 

Sua arquitetura permite integrar arte contemporânea e botânica de forma indissociável. Assim, os pavilhões e obras site-specific dialogam diretamente com a paisagem e o clima. 

Principais artistas brasileiros

Vik Muniz

É conhecido mundialmente por obras em que utiliza técnicas e materiais recicláveis, além de outros componentes, como alimentos, algodão, cabelo, arame e terra. Ele transforma lixo em imagens, aliando arte à sustentabilidade.  

Adriana Varejão

Suas obras costumam reproduzir questões históricas e culturais da colonização. Na sua produção Ruínas de Charque, por exemplo, observam-se paredes de azulejos portugueses que parecem ter sido rasgadas e que revelam “carne humana” em seu interior. Essa é, portanto, uma crítica à violência da colonização escondida sob a estética europeia.

Cildo Meireles

Cildo costuma fazer uma intersecção entre arte e política. Na sua emblemática obra Desvio para o Vermelho, o espectador entra em um quarto onde absolutamente tudo é vermelho, funcionando como uma metáfora sobre a saturação dos sentidos e a violência política.

Ernesto Neto

A produção deste artista transita entre a escultura e a instalação, destacando-se pelo uso de malhas translúcidas (nylon, por exemplo) preenchidas com especiarias aromáticas. Essa composição utiliza o tecido como metáfora para a epiderme e as formas sinuosas para evocar a organicidade do corpo humano. O objetivo é estabelecer uma presença sensorial e anatômica no espaço.

Tunga

Conhecido pela sua intersecção entre a escultura, a performance e a instalação, Tunga criava o que chamava de uma “mitologia pessoal”. Sua obra é marcada pelo uso de materiais carregados de simbolismo, como ímãs, redes, vidros, líquidos e longas tranças de cobre, que sugerem rituais alquímicos e conexões energéticas.

Artistas internacionais e obras

Há alguns nomes internacionais que precisam ser citados quando o assunto é o impacto da escultura contemporânea no mundo globalizado:

Ron Mueck

Mueck é um escultor australiano conhecido por criar figuras humanas hiper-realistas com silicone e cabelos. Essas esculturas ora são gigantes ora são minúsculas, e esse aparente “erro” no tamanho causa um estranhamento profundo e faz o público refletir sobre temas existenciais, como a vulnerabilidade da vida, desde o nascimento até a velhice, e a solidão.

No campo da Estética, sua obra retoma o conceito de imitação (mímesis) de Platão, o qual problematiza a arte como um simulacro ou “cópia da aparência” da natureza, o que distancia o Homem da razão. Ao criar figuras que são virtualmente indistinguíveis da realidade, o escultor hiper-realista leva a imitação ao extremo. 

Louise Bourgeois

Sua obra mais famosa, Maman, uma aranha de bronze gigantesca, criada em 1999, não busca causar medo, mas sim representar a mãe da artista: tecelã, protetora e resiliente. Aqui, a escultura serve para exorcizar traumas e explorar a psicologia feminina.

Damien Hirst

Damien é um artista contemporâneo britânico cujas obras costumam abordar temas como a morte, o renascimento e a beleza. Sua principal obra é o tubarão real preservado em formol (A Impossibilidade Física da Morte na Mente de Alguém Vivo, traduzido para o português). Essa obra funciona como uma atualização das Vanitas barrocas, obras de arte com natureza-morta que serviam como um lembrete da fragilidade da vida.

Jeff Koons

Koons é um dos artistas mais proeminentes da contemporaneidade, sendo conhecido por desafiar as limitações da fabricação e transformar imagens e objetos populares em obras de arte que envolvem o espectador.  Suas obras exploram especialmente temas como a autoaceitação e a transcendência.

Suas obras mais famosas são Rabbit, uma escultura feita de aço inox polido que lembram bexigas infantis, e Puppy, um cão gigante de 13 metros de altura, composto por plantas e flores vivas. Por meio dessas obras, Koons rompe a barreira entre a cultura de massa e o erudito, além de questionar a banalidade e o gosto popular na sociedade de consumo. 

Puppy, Jeff Koons.

Ai Weiwei 

Ai Weiwei é um artista chinês que foi perseguido pelo governo da China devido ao seu ativismo em defesa dos direitos humanos e da liberdade de expressão. Ele usa a escultura para criticar o governo chinês, como em suas obras “Straight” e “Cabeça do Zodíaco”.

Dicas para o Enem e vestibulares

  • Temáticas recorrentes: a escultura contemporânea raramente é “apenas” estética. Ela geralmente possui uma carga temática profunda: sustentabilidade, política, existencialismo, valorização de elementos populares, tecnologia e efemeridade; 
  • Procure pelos elementos que caracterizam a escultura contemporânea: subjetividade e liberdade artística, ruptura com suportes tradicionais e interação do espectador com a obra, por exemplo; e
  • Apropriação: lembre-se que a escultura contemporânea não exige que o artista “escave” a pedra, pois ele pode se apropriar de objetos prontos (Ready-mades) para criar novos sentidos.

+ Veja também: Escultura Cubista: conceito, principais características e técnicas
7 questões sobre arte contemporânea que já caíram no Enem e vestibulares

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