O que é empirismo: pensadores e características

O que é empirismo: pensadores e características

Os pensadores do século XVII se aplicaram em entender como a verdade pode ser alcançada por meio da ciência. Os empiristas, por exemplo, acreditavam que ela só pode ser alcançada por meio da experiência. Vamos ver, afinal, o que é empirismo?

No artigo abaixo, você encontrará um resumo sobre o que é empirismo, os seus principais filósofos, como Locke e Bacon e os fundamentos defendidos pela corrente. Veja também como o conteúdo pode ser cobrado nas provas de vestibular. Acompanhe!

O que é empirismo?

O empirismo é uma corrente filosófica de origem britânica que defende a comprovação dos saberes por meio da experiência. Para os estudiosos dessa área, a única forma de obter conhecimento é por meio da experimentação dos fatos. 

O pensamento empirista se opõe ao racionalismo. Por exemplo, Descartes acreditava que as ideias nascem na mente do indivíduo e são acessadas e desenvolvidas no decorrer do tempo — conceito fundamentado na teoria da caverna de Platão

Para argumentar contra o inatismo cartesiano, os empiristas acreditavam que os homens nascem livres de ideias prontas e podem adquiri-las com as experiências que vivenciam. 

Influenciados pelas teorias aristotélicas, cada filósofo empirista entendia a obtenção do conhecimento experimental a partir de diferentes vias, como veremos mais adiante. 

Contexto histórico do empirismo

O empirismo ascendeu na sociedade após a transição entre o período medieval e o período moderno, ou seja, por volta do século XVII. As ideias empiristas aparecem publicadas formalmente pela primeira vez com John Locke, no final do mesmo século.

Nessa época, também houve uma revolução científica que alterou as maneiras de pensar e alcançar verdades. A ciência e a razão ganham mais importância dentro da sociedade, e as discussões sobre os métodos de estudo começam a ganhar força.

Principais teóricos do Empirismo

John Locke

John Locke, filósofo inglês muito influente para o liberalismo, acreditava no empirismo da seguinte maneira: o homem nasce como uma tábula rasa, uma folha em branco sem qualquer conteúdo ou conhecimento tangível. 

Com a vivência, o indivíduo acessa ideias por meio da sensibilidade corporal. Então, por fim, ele pode atingir a verdade e conhecimento.

Ele dividia a obtenção do conhecimento em sensação e reflexão:

  • A sensação diz respeito ao entendimento da verdade por meio dos cinco sentidos corporais. Ou seja, é uma experiência externa a mente, que acontece rápida e praticamente;
  • Já a reflexão é o reconhecimento da verdade a partir de uma análise racional. Nesse caso, o processo acontece mais lenta, crítica e burocraticamente.
O que é empirismo — Locke
Imagem: Reprodução/Unsplash

Por exemplo, ao olhar a foto da maçã acima, podemos perceber que ela é vermelha, possui algumas cores “rajadas” em tom alaranjado. Na foto, aparenta estar molhada e possui um pedúnculo que, nessa visão, aponta para a esquerda — todas essas constatações foram admitidas externamente por uma sensação. 

De outro ângulo, imagine uma pessoa que prestará vestibular em breve: ela está em um período de reflexão sobre as provas e os desafios que enfrentará. A experiência torna-se mais internalizada e ocorre em um processo lento de aprendizado intelectual e emocional.

Assim, em ambos os casos o conhecimento está sendo alcançado e desenvolvido pela experimentação sensorial e/ou racional dos acontecimentos. 

Francis Bacon

Na oposição dos racionalistas, o empirista Francis Bacon se empenhou na procura de um método que avaliasse o conhecimento racional: ele tinha certa aversão à obtenção da verdade a partir de contemplação.

Para ele, a ciência tem o dever de valorizar o estudo experimental, único meio possível de alcançar a verdade. Além disso, afirma que o saber científico é um instrumento prático para controlar a natureza com o objetivo de prosperar a humanidade — tal ideal está relacionado, por exemplo, com a Revolução Industrial.

Em meio aos seus estudos, desenvolveu a teoria dos ídolos, que versam sobre erros enraizados na mente humana, como uma falsa noção sobre os acontecimentos e até mesmo os preconceitos, 

Um dos mais conhecidos são os “ídolos do foro”, também chamados de “ídolos do mercado”: representam a transmissão de informação de opiniões pessoais superficiais  que, com o passar do tempo, são admitidas como verdades. Na atual sociedade, as fake news representam claramente esse conceito.

Por fim, o método indutivo, criado por esse filósofo do empirismo, busca combater os erros gerados pelos ídolos. Para isso, é necessário sair de uma visão particular e subjetiva para uma análise geral e coletiva dos fatos. 

David Hume 

Também crítico do racionalismo diagnóstico e do inatismo cartesiano, o empirista Hume defende que todo o conhecimento é fruto da experiência sensível — com a atuação dos cinco sentidos: tato, olfato, audição, visão e paladar.

Para ele, a experimentação das coisas gera impressões sensíveis no corpo humano. Com isso, a mente é capaz de criar representações e elaborar ideias a partir delas. A seguinte frase sintetiza a teoria do pensador “toda ideia (mental) é uma representação de alguma impressão (sensível)

Além disso, para David Hume, as ideias e impressões se associam constantemente à razão humana. Por exemplo, é comum que seja associado o céu cinza e nublado com a queda de uma chuva.

Não é comprovável que choverá naquele dia, mas por uma relação de causa e efeito perante as experiências já vivenciadas pelos sentidos, admite-se mentalmente que um dia nublado resulta em garoa e chuva. 

O que é empirismo — exercícios de vestibular

UEL 2006

Em sua obra Nova Atlântida, Francis Bacon descreve uma instituição imaginária chamada Casa de Salomão, cuja finalidade “[…] é o conhecimento das causas e dos segredos dos movimentos das coisas e a ampliação dos limites do império humano para a realização de todas as coisas que forem possíveis.”

(BACON, Francis. Nova Atlântida.São Paulo: Nova Cultural, 1996. p. 245.)

Sobre a concepção de ciência em Francis Bacon, é correto afirmar:

a) A ciência justifica-se por si própria e está desvinculada da necessidade de proporcionar conhecimento sobre a natureza.
b) O objetivo da ciência é fornecer a quem a controla um instrumento de domínio social sobre os outros homens.
c) Para a ciência, o enfrentamento das questões econômicas e sociais tem maior relevância do que o conhecimento da natureza, porque proporciona uma vida boa para os indivíduos.
d) A origem da ciência está dada em pressupostos a priori, sendo desnecessário o recurso ao saber prático e empírico.
e) A ciência visa o conhecimento da natureza com a intenção de controle e domínio sobre ela para que o homem possa ter uma vida melhor.

Em meio ao empirismo, Bacon acreditava que a ciência é um instrumento de controle da natureza, como um meio de encontrar matérias e manipular os conhecimentos para alcançar prosperidade e lucro — como aponta a alternativa E.

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