O populismo na América Latina surgiu no século XX como resposta à crise do liberalismo oligárquico e à expansão das massas urbanas. Essa, foi uma forma de governo baseada no carisma do líder e na forte intervenção do Estado.
Esse fenômeno marcou países como Brasil e México, combinando nacionalismo econômico e trabalhismo. Nesse cenário, líderes como Getúlio Vargas e Lázaro Cárdenas integraram trabalhadores ao Estado, limitando sua autonomia política.
Nesse texto, você vai entender o populismo latino-americano a partir da Era Vargas e do caso mexicano, destacando o papel do Estado, do nacionalismo econômico e das políticas trabalhistas. Acompanhe abaixo.
Navegue pelo conteúdo
Revolução de 1930 e a crise das oligarquias
Para compreender a ascensão dos regimes populistas na América Latina, é fundamental analisar o colapso das estruturas oligárquicas tradicionais. No Brasil, isso ficou evidente com a Revolução de 1930.
A Crise de 1929, com a quebra da Bolsa de Nova York, teve impacto devastador sobre as economias agro-exportadoras, como a brasileira. A queda no preço do café expôs a fragilidade do modelo liberal e abriu espaço para propostas mais centralizadoras e intervencionistas.
A Revolução de 1930 não foi uma revolução popular clássica. Tratou-se de um movimento político-militar que expressou o descontentamento de setores urbanos, da classe média, de militares tenentistas e de elites regionais excluídas do poder.
Esse processo pôs fim à República do Café com Leite, dominada pelas elites agrárias de São Paulo e Minas Gerais. Também permitiu a ascensão de Vargas como articulador de um novo pacto político, base do populismo brasileiro.
Nesse contexto, o Estado assumiu papel central, substituindo o liberalismo oligárquico por um modelo mais intervencionista. A incorporação controlada das massas e o fortalecimento do Executivo criaram as bases do populismo no Brasil e na América Latina.
Era Vargas: o populismo brasileiro
A chamada Era Vargas (1930–1945 e 1951–1954) representou uma ruptura com a República Oligárquica e inaugurou um novo modelo de Estado. Vargas priorizou um Estado mais centralizado, intervencionista e voltado para a industrialização.
Getúlio Vargas construiu sua imagem como o “Pai dos Pobres”, estabelecendo relação direta com os trabalhadores urbanos por meio da legislação social. A criação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) foi central nesse processo.
A CLT, criada em 1943, garantiu direitos como salário mínimo, férias remuneradas, jornada de trabalho regulamentada e previdência social. Esses direitos, porém, não significaram a autonomia plena dos trabalhadores.
Essa imagem de “Pai dos Pobres” foi reforçada pelo uso sistemático da propaganda estatal durante o período varguista. O rádio e o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) difundiam o culto à figura do líder junto às massas urbanas.
Além disso, os sindicatos passaram a ser controlados pelo Estado. Nesse contexto, configurava-se o chamado peleguismo, no qual o governo concedia benefícios em troca de apoio político e controle social.
Outro elemento central do Varguismo foi o nacionalismo econômico. Vargas defendia que o Estado deveria liderar o desenvolvimento industrial, e, dessa forma, reduzir a dependência externa.
Assim, surgiram empresas estratégicas como a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e a Companhia Vale do Rio Doce. A ideia era criar uma infraestrutura capaz de sustentar o crescimento industrial e fortalecer a soberania nacional.
Politicamente, o regime varguista combinou autoritarismo e apoio popular. Durante o Estado Novo (1937–1945), Vargas fechou o Congresso, censurou a imprensa e suprimiu partidos políticos, mas manteve alta popularidade junto às massas urbanas.
O discurso trabalhista e nacionalista era a base de sua legitimação política popular. A ambiguidade de Vargas entre ditadura e populismo é marca essencial do fenômeno: amplia direitos sociais, mas limita a participação política.
Revolução Mexicana e o populismo no México
No México, o populismo tem raízes mais profundas, ligadas à Revolução Mexicana (1910–1920). Esse movimento revolucionário foi uma resposta ao longo período da ditadura de Porfírio Díaz no país.
Esse período foi marcado pela concentração fundiária, exploração dos camponeses e forte dependência do capital estrangeiro. Líderes como Emiliano Zapata e Pancho Villa simbolizaram demandas por terra, justiça social e autonomia.
O lema de Zapata, “Terra e Liberdade”, expressava a centralidade da questão agrária no processo revolucionário. Apesar dos conflitos e instabilidade, a revolução lançou as bases de um Estado mais intervencionista e comprometido.
Esse projeto se consolidou no governo de Lázaro Cárdenas (1934–1940), principal líder populista mexicano. Cárdenas promoveu ampla reforma agrária, distribuindo terras por meio dos ejidos, fortalecendo o apoio das massas rurais ao Estado.
Além disso, Cárdenas adotou uma política clara de nacionalismo econômico, voltada à soberania do Estado. Essa estratégia culminou na nacionalização do petróleo, em 1938, com a criação da PEMEX.
A medida enfrentou diretamente os interesses de empresas estrangeiras, sobretudo norte-americanas e britânicas. Ao mesmo tempo, reforçou a defesa das riquezas nacionais, característica central do populismo latino-americano.
Assim como no Brasil, o Estado mexicano passou a atuar como mediador dos conflitos sociais. Integrava trabalhadores e camponeses ao sistema político, mantendo forte controle sobre suas organizações.
Resumo do conceito para provas: os quatro pilares do populismo
Para o vestibular, é essencial reconhecer os quatro pilares do populismo latino-americano, presentes em Vargas, Perón e Cárdenas:
- Líder carismático: construção de uma relação direta entre o líder e o povo, sem intermediários institucionais fortes;
- Nacionalismo econômico: defesa das riquezas nacionais, estatizações e incentivo à industrialização;
- Trabalhismo: concessão de direitos sociais aos trabalhadores, combinada com controle sindical;
- Multiclassismo: apoio simultâneo das camadas populares e da burguesia industrial, com o Estado atuando como mediador dos conflitos de classe.
Em síntese, o populismo foi uma resposta histórica às crises do liberalismo oligárquico na América Latina. Com isso criou Estados fortes, líderes carismáticos e políticas sociais que marcaram profundamente a trajetória política da região.
Questão do Vestibular sobre Populismo na América Latina
UFGD (2015)
Na América Latina, entre as décadas de 1930 e 1960, surgiram alguns governos que foram denominados “populistas”, como são os casos da Argentina, com Juan Domingo Perón (1946- 1955); Gustavo Rojas Pinilla (1953-1957), da Colômbia; e do Brasil, com Getúlio Vargas (1930-1945 / 1951-1954). O “populismo” desenvolvido nesses países tinha suas peculiaridades e raízes variadas.
Nesse sentido, ao considerar o Governo de Getúlio Vargas, no denominado “Estado Novo”, compreende-se que:
A) o populismo varguista, entre outros aspectos, foi caracterizado pela capacidade de o Estado manipular e conter os movimentos de trabalhadores organizados. Nesse sentido, utilizava-se da estratégia de desmobilizar as organizações independentes de trabalhadores, atrelando-as ao Estado.
B) o modo populista do Governo de Getúlio Vargas marcou significativamente as relações trabalhistas, em especial dos trabalhadores rurais, que passaram a gozar dos direitos que envolviam a “Consolidação das Leis do Trabalho” (CLT). Nesse processo, Vargas prezava pela autonomia das entidades representativas dos trabalhadores.
C) o populismo varguista teve como objetivo central a melhora de vida dos trabalhadores do campo e da cidade. A partir desse prisma, Vargas ficou nacionalmente conhecido como “pai dos pobres” e, também, visualizado como um grande estadista democrático.
D) o populismo desenvolvido por Getúlio Vargas, entre os mais diversificados aspectos, teve como pilar central estabelecer uma relação democrática com os trabalhadores do campo e da cidade, dando-lhes autonomia para se organizarem nos sindicatos e decidirem junto com o Governo as políticas trabalhistas.
E) o populismo varguista não influenciou nas relações trabalhistas do período, haja vista que, o estadista Vargas tinha interesses específicos apenas com os setores conservadores da cidade.
Alternativa correta:
A
Prepare-se para o vestibular com o Estratégia!
Nos cursos preparatórios da Coruja, os alunos são treinados para conectar diferentes áreas do conhecimento e aplicar essas informações em simulados e provas.
As aulas são ministradas por professores especialistas, com nossos Livros Digitais Interativos (LDI), além de contar com simulados exclusivos. Clique no banner e comece seus estudos com o Estratégia Vestibulares!



