Você já reparou que existem diferentes maneiras de representar o planeta terra em um mapa? Embora estejamos acostumados a visualizar o mundo em planisférios, transformar a superfície terrestre em uma representação plana provoca distorções nas formas, nas áreas ou até nas distâncias.
É nesse contexto que entram as projeções cartográficas, técnicas utilizadas para representar a superfície terrestre em mapas. Continue lendo para compreender os pontos mais relevantes sobre o assunto e que podem ser cobrados nas provas.
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Conceito e função das projeções cartográficas
As projeções cartográficas são técnicas utilizadas para representar a superfície terrestre em mapas planos. Como a terra apresenta uma forma aproximadamente esférica, com um leve achatamento nos polos e irregularidades em sua superfície, sua representação em duas dimensões requer adaptações.
Para compreender essa dificuldade, imagine que você precisa embrulhar uma bola com uma folha de papel, cobrindo toda a sua superfície sem amassar, dobrar ou rasgar o material.
Seria possível fazer isso mantendo o papel completamente plano? A mesma lógica se aplica à cartografia. Transformar uma superfície curva em uma representação plana provoca algum tipo de deformação.
Para realizar os cálculos cartográficos, utiliza-se o elipsoide de referência, um modelo matemático que se aproxima da forma da terra. A partir dele, são desenvolvidas diferentes projeções, cada uma com características próprias e adequadas a determinadas finalidades.
Portanto, não existe uma projeção capaz de representar simultaneamente e sem distorções todas as características da superfície terrestre. A escolha depende do que se pretende preservar no mapa, como as formas, as áreas ou as distâncias.
Principais tipos de projeções geométricas
As projeções cartográficas podem ser classificadas de acordo com a superfície geométrica utilizada para projetar a terra em um plano. As três categorias mais conhecidas são cilíndrica, cônica e azimutal (ou plana). Cada uma apresenta características próprias e é mais adequada à representação de determinadas regiões.
Projeção cilíndrica
Na projeção cilíndrica, a superfície terrestre é projetada sobre um cilindro, que depois é desenrolado para formar um mapa plano. Nesse modelo, os meridianos e os paralelos geralmente aparecem como linhas retas que se cruzam em ângulos de 90°.
Esse tipo de projeção é bastante utilizado em planisférios, que representam o mundo inteiro. Em geral, apresenta menores deformações nas proximidades da Linha do Equador, enquanto elas aumentam em direção aos polos.

Projeção cônica
Na projeção cônica, a superfície terrestre é projetada sobre um cone. Ao ser desenrolado, ele forma um mapa no qual os paralelos aparecem como arcos e os meridianos convergem em direção a um ponto correspondente ao eixo do cone.
Esse modelo é indicado principalmente para representar regiões de médias latitudes, como áreas situadas entre as regiões tropicais e polares. Nessas áreas, é possível obter uma representação com deformações relativamente menores.

Projeção azimutal ou plana
Na projeção azimutal, também chamada de plana, a superfície terrestre é projetada sobre um plano que toca ou intercepta o globo em determinado ponto. Os meridianos aparecem como linhas que partem do centro da projeção, enquanto os paralelos são representados por círculos concêntricos.
Esse tipo é bastante utilizado para representar os polos e as regiões próximas a eles. Dependendo do ponto escolhido como centro, também pode ser empregado para mostrar áreas específicas da superfície terrestre e as direções ou distâncias a partir desse ponto.

Deformações conformes, equivalentes e afiláticas
Além da superfície geométrica utilizada, as projeções cartográficas podem ser classificadas de acordo com as características que preservam na representação da terra.
Como toda projeção apresenta algum grau de deformação, a escolha depende da finalidade do mapa, daquilo que ele quer destacar. Entre as principais categorias, estão as projeções conformes, equivalentes, equidistantes e afiláticas.
Projeções conformes
As projeções conformes preservam os ângulos e, localmente, as formas dos elementos representados, mas distorcem as áreas. Isso significa que os continentes podem manter seus contornos, enquanto suas dimensões relativas ficam alteradas. A projeção de Mercator é um exemplo conhecido dessa categoria.
Projeções equivalentes
As projeções equivalentes preservam a proporção entre as áreas representadas e suas dimensões reais no globo, mas podem alterar as formas dos continentes. A projeção de Peters, por exemplo, mantém as proporções das áreas, embora apresente continentes alongados ou achatados.
Projeções equidistantes
As projeções equidistantes preservam determinadas distâncias, seja a partir de um ponto central, seja ao longo de linhas específicas. Isso não significa que todas as distâncias do mapa sejam representadas com precisão. As áreas e as formas podem sofrer distorções, que tendem a aumentar conforme nos afastamos das regiões ou linhas em que as distâncias são preservadas.
Projeções afiláticas
As projeções afiláticas não preservam integralmente as formas, as áreas nem as distâncias. Em vez disso, buscam distribuir ou minimizar as deformações entre essas características, procurando equilibrar as alterações na representação do espaço geográfico.
São utilizadas quando se deseja representar o conjunto da superfície terrestre sem priorizar exclusivamente uma dessas propriedades.
Mercator e Peters: representações do mundo e perspectivas políticas
As projeções cartográficas também podem refletir o contexto histórico e as perspectivas de quem produz e utiliza os mapas. As projeções de Mercator e Peters são exemplos importantes desse debate, pois representam a superfície terrestre de maneiras diferentes e ficaram associadas a discussões sobre eurocentrismo e desigualdade entre os povos.
Projeção de Mercator e o eurocentrismo
Criada em 1569, a projeção de Mercator é do tipo cilíndrica e conforme. Sua principal finalidade era facilitar a navegação marítima, porque permite representar as rotas de rumo constante como linhas retas, recurso útil para os navegadores da época.
Entretanto, essa projeção amplia visualmente as áreas em altas latitudes, próximas aos polos. Por isso, regiões como a Groenlândia e a Europa parecem proporcionalmente maiores do que áreas próximas à Linha do Equador, como a África e a América do Sul.
Essa representação passou a ser associada ao eurocentrismo, uma perspectiva que coloca a Europa no centro da interpretação histórica e cultural do mundo. Embora o modelo de Mercator não tenha sido criado simplesmente para favorecer os europeus, sua ampla utilização contribuiu para popularizar uma imagem do planeta em que a Europa ocupa posição de destaque.
Projeção de Peters e a representação dos países do Sul Global
Apresentada em 1973, a projeção de Gall-Peters é equivalente, ou seja, preserva a proporção entre as áreas dos territórios, embora distorça suas formas. Ela ganhou notoriedade por destacar visualmente a extensão territorial de regiões próximas à Linha do Equador, incluindo grande parte da África e da América do Sul, sendo chamada também de “terceiro-mundista”.
Sua divulgação foi acompanhada de argumentos políticos relacionados à desigualdade entre os povos e à necessidade de dar maior visibilidade aos países menos desenvolvidos. Nesse contexto, a projeção passou a ser utilizada como alternativa à representação tradicionalmente associada a Mercator.
Apesar disso, Peters também recebeu críticas, já que suas formas alongadas ou achatadas podem dificultar a percepção visual dos territórios. A projeção de Peters não é mais fiel à realidade do que a de Mercator, mas se diferencia por preservar as proporções entre as áreas dos territórios representados.
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